Quando Romário recebeu a bola na área do Botafogo, em 14 de setembro de 1994, no Maracanã, poucos imaginavam que aquele gol marcaria não apenas mais uma vitória vascaína por 2 a 1, mas também consolidaria o Baixinho como o maior artilheiro da história do clássico entre Vasco e Botafogo especificamente pelo Campeonato Brasileiro. Com oito gols em 12 confrontos pela competição nacional, o camisa 11 construiu um legado que atravessa décadas e permanece imbatível.

Desde 1971, quando o Brasileirão assumiu o formato nacional que conhecemos hoje, o clássico carioca entre Vasco da Gama e Botafogo já produziu 87 partidas oficiais pela competição. Neste período, 156 gols foram anotados, uma média de 1,79 por jogo — número que demonstra o equilíbrio técnico e tático que sempre caracterizou este duelo. O confronto gerou uma galeria particular de artilheiros, diferente daqueles que brilham em outras competições como Carioca ou Copa do Brasil.

O domínio de Romário e a surpresa Túlio Romário e Túlio comandam lista de artilh
O domínio de Romário e a surpresa Túlio Romário e Túlio comandam lista de artilh

O domínio de Romário e a surpresa Túlio

Atrás de Romário na artilharia histórica, aparece Túlio Maravilha com seis gols em nove partidas pelo Brasileirão vestindo a camisa do Botafogo entre 1993 e 1995. O centroavante baiano, conhecido pela personalidade extrovertida e pelos gols decisivos, encontrou no clássico contra o Vasco um palco especial para suas performances. Seu gol mais memorável aconteceu em 19 de novembro de 1995, no Engenhão, quando definiu o placar em 3 a 2 para o Botafogo aos 43 minutos do segundo tempo.

Bebeto completa o pódio com cinco gols, todos marcados defendendo o Vasco entre 1985 e 1989, período em que o atacante vivia sua melhor fase antes de se transferir para o futebol europeu. O curioso é que Bebeto mantinha uma média de um gol a cada 1,8 jogos contra o Botafogo no Brasileirão, eficiência superior até mesmo à de Romário, que precisava de 1,5 partidas para balançar as redes alvinegras.

Perfil tático dos goleadores históricos

A análise dos principais artilheiros revela um padrão interessante: sete dos dez maiores goleadores do clássico no Brasileirão atuavam como centroavantes ou segunda pontas. Roberto Dinamite, com quatro gols pelo Vasco, e Edmundo, também com quatro pelo Botafogo, exemplificam jogadores que encontravam nos espaços da grande área vascaína e botafoguense, respectivamente, território fértil para finalizar jogadas elaboradas.

Paulinho McLaren, artilheiro do Vasco com três gols entre 1979 e 1983, representa a escola de atacantes móveis que marcou o futebol brasileiro dos anos 1980. O centroavante carioca possuía a característica de aparecer em diferentes posições no ataque, confundindo as marcações adversárias em uma época que ainda não conhecia as marcações por zona modernas.

Do lado botafoguense, Garrincha — sim, o Mané — anotou três gols contra o Vasco pelo Brasileirão, todos entre 1971 e 1973, nos últimos anos de sua carreira. Mesmo em fase descendente, o ponta-direita demonstrava lampejos do talento que o consagrou como um dos maiores da história, especialmente contra o rival tradicional.

A geração atual em busca do protagonismo

Entre os jogadores em atividade, Germán Cano lidera a artilharia recente do clássico com dois gols pelo Vasco no Brasileirão, ambos marcados na temporada 2019. O argentino, que atualmente defende o Fluminense, demonstrou faro de gol contra o Botafogo em momentos decisivos da luta contra o rebaixamento daquele ano.

Pelo lado alvinegro, Tiquinho Soares e Júnior Santos aparecem como os principais candidatos a integrar a lista histórica. Tiquinho marcou um gol contra o Vasco em 2023, enquanto Júnior Santos ainda busca seu primeiro gol no clássico pelo Campeonato Brasileiro, apesar de ter balançado as redes vascaínas em outras competições.

O atacante Vegetti, principal referência ofensiva do Vasco atual, também persegue sua primeira participação nesta galeria. Com 12 gols no Brasileirão 2024, o argentino encara o clássico contra o Botafogo como oportunidade de somar seu nome aos grandes artilheiros da história deste confronto que, desde 1971, já decidiu títulos, salvou times do rebaixamento e consolidou carreiras no futebol brasileiro.