Todo mundo sabe que o Brasil chega à Copa do Mundo de 2026 como candidato ao título. Como Romário, o homem que decidiu a final de 1994 nos pênaltis contra a Itália, chegou à conclusão de que essa candidatura é frágil — e disse isso em voz alta — é o ponto que precisa de análise.
O diagnóstico de Romário sobre a Seleção de Ancelotti
Em entrevista ao jornal Extra, Romário foi direto: Argentina, Portugal, França, Espanha e Alemanha apresentam, hoje, um futebol superior ao do Brasil. Cinco seleções na frente. O senador e ex-atacante, que marcou cinco gols na campanha do tetracampeonato, não poupou palavras ao avaliar a ausência de um protagonista.
"Não tem um jogador que eu fale: 'pô, esse cara é f***'. Não tem um cara f***", disparou Romário, em referência direta à falta de um craque capaz de resolver jogos por conta própria.
O raciocínio tem base histórica. Na Copa de 1994, Romário e Bebeto formaram a dupla mais letal do torneio, com 13 gols combinados. Em 2002, Ronaldo marcou oito gols, incluindo os dois da final contra a Alemanha. Nos dois títulos, havia um nome que carregava o peso da camisa. Romário argumenta que, em 2026, esse nome não existe.
O número que expõe Vinicius Jr. na camisa amarela
O alvo mais direto da análise foi Vinicius Jr. O atacante do Real Madrid acumula oito gols em 47 partidas pela Seleção Brasileira — média de 0,17 por jogo. No clube espanhol, o rendimento é radicalmente diferente: Vini é peça central de uma equipe que conquistou a Liga dos Campeões. A discrepância entre os dois Vinis é, segundo o SportNavo, o dado que Romário usou como espinha dorsal do seu argumento.
"No Real Madrid, ele é protagonista. Mas, quando veste a camisa da seleção, ele é outro Vini Jr. Vai fazer 50 jogos e não tem nem dez gols. Então, não dá para esperar muita coisa. Não o vejo como um cara que vai decidir alguma coisa", afirmou o ex-atacante, sem deixar margem para interpretação ambígua.
Romário abriu espaço para a esperança ao dizer que torce para Vini reverter o padrão com a amarela — mas o voto de confiança veio acompanhado de ceticismo fundamentado em 47 jogos de histórico.
A mesa de decisão de Ancelotti e as apostas de Romário
Apesar das críticas ao elenco, Romário aprovou o trabalho do técnico Carlo Ancelotti. O italiano, que nunca comandou uma seleção nacional antes desta experiência, recebe crédito pelo respeito que impõe ao grupo — argumento que o próprio Romário reconheceu como diferencial em um vestiário repleto de egos.
Para o ataque, o ex-jogador depositou confiança em Endrick como centroavante titular. O jovem de 18 anos, revelado pelo Palmeiras e atualmente no Real Madrid, foi descrito como alguém que "sabe fazer gol e se coloca bem" — elogio enxuto, mas significativo vindo de quem marcou 55 gols em Copas do Mundo somando todas as edições disputadas.

A questão de Neymar também entrou na equação. Romário usou a própria história como parâmetro: foi à Copa de 1990 com ruptura no tornozelo e ao título de 1994 no auge da carreira. Segundo ele, Neymar em 2026 estará em algum ponto entre esses dois extremos — mas carrega um diferencial que poucos jogadores do mundo ainda têm: o respeito universal dentro e fora dos vestiários. A convocação, na visão de Romário, faz sentido se o grupo genuinamente o quer. A Copa do Mundo começa em 11 de junho, com o Brasil estreando no Grupo D.









