Se a convocação final fosse anunciada hoje, o Flamengo seria, de longe, o clube brasileiro com maior representação na Seleção. Sete atletas do Rubro-Negro aparecem na pré-lista de 55 nomes que Carlo Ancelotti enviou à Fifa — e essa concentração não é coincidência nem favoritismo geográfico. É o resultado de uma temporada 2025/26 em que o elenco carioca construiu argumentos difíceis de ignorar.

A lista completa dos convocados do Gávea é: Danilo, Léo Ortiz, Léo Pereira, Alex Sandro, Lucas Paquetá, Pedro e Samuel Lino. Seis posições diferentes, da zaga ao ataque, o que indica que Ancelotti enxerga no Flamengo não apenas um time vencedor, mas um celeiro de perfis táticos distintos para o esquema que pretende levar à Copa do Mundo.

Os sete nomes e o que cada um representa para Ancelotti

Danilo lidera o grupo em experiência internacional — o lateral-direito acumula passagens por Real Madrid, Juventus e Manchester City, com mais de 100 jogos pela Seleção. Léo Ortiz e Léo Pereira formam a dupla de zaga que o Flamengo tem utilizado com regularidade nesta temporada, enquanto Alex Sandro retorna ao radar verde-amarelo aos 34 anos, numa escolha que remete ao histórico de Ancelotti de valorizar jogadores que conhece desde o período europeu — o treinador trabalhou com o lateral no Juventus entre 2011 e 2013.

Os sete nomes e o que cada um representa para Ancelotti Sete do Flamengo na pré-
Os sete nomes e o que cada um representa para Ancelotti Sete do Flamengo na pré-

Lucas Paquetá é o nome mais aguardado do grupo. O meia vive expectativa de retorno aos gramados após período de afastamento por questões físicas, e a tendência é que reaparece ainda nesta semana com a camisa rubro-negra. Paquetá soma 54 partidas pela Seleção e é o jogador de maior valor de mercado entre os sete, o que torna sua presença na pré-lista quase obrigatória — mas também a mais frágil, dependente de ritmo de jogo antes da convocação final.

Pedro é o centroavante do grupo e carrega um argumento histórico: nenhum atacante brasileiro em atividade marcou mais gols pela Copa Libertadores nos últimos três anos. Samuel Lino, o nome mais jovem dos sete, representa a aposta de Ancelotti em velocidade pelas beiradas — perfil que o treinador explorou com êxito no Real Madrid ao escalar Vini Jr. e Rodrygo simultaneamente… e aí vem o problema: o Brasil precisa decidir se quer dois pontas velozes ou um camisa 9 mais fixo.

O retorno de Neymar e Gabriel Jesus muda o peso ofensivo da lista

A presença dos sete do Flamengo ganha outro contorno quando se observa os retornos mais comentados da pré-lista. Neymar, com 79 gols em 129 jogos pela Seleção — segundo maior artilheiro da história do Brasil, atrás apenas de Pelé (77 gols em 92 jogos, em outra métrica) —, reaparece na relação após período de recuperação. Gabriel Jesus, do Arsenal, também retorna depois de ciclos de ausência, trazendo uma característica que Pedro não tem: mobilidade entre linhas e pressão alta com a bola nos pés.

A concorrência no ataque, portanto, é a maior entre todas as posições. Pedro disputa espaço com Neymar, Gabriel Jesus, Endrick e outros nomes da lista. Historicamente, quando o Brasil foi campeão em 1994 e 2002, o técnico de plantão tinha pelo menos dois centroavantes com características distintas — Müller e Bebeto em 1994, Ronaldo e Edilson em 2002. Ancelotti parece seguir lógica semelhante ao manter opções variadas antes de fechar o grupo definitivo.

Segundo análise do ex-zagueiro Gerard Piqué, o Brasil será "a grande decepção" da Copa do Mundo 2026 — previsão que, curiosamente, foi feita justamente quando a Seleção apresenta sua pré-lista mais robusta em termos de nomes do futebol doméstico.

O prognóstico de Piqué, fundador da Kings League, aponta Marrocos como seleção surpresa do torneio — e o detalhe geográfico importa: brasileiros e marroquinos se enfrentam logo na estreia, em 13 de junho, no MetLife Stadium, em Nova Jersey. Se a previsão do ex-Barcelona se confirmar, o problema não estará na falta de talentos, mas na coesão tática de um grupo montado às pressas.

Flamengo na Seleção, uma tradição que os números justificam

Sete representantes de um único clube não é recorde na história da Seleção — em 1970, o Santos emplacou oito jogadores no grupo campeão do México —, mas é a maior concentração de um clube brasileiro numa pré-lista desde a Copa de 2006, quando o São Paulo de Rogério Ceni e Mineiro também dominou o mapa de origem dos convocados de Carlos Alberto Parreira.

A ausência de Estêvão, fora da relação por lesão, retirou do grupo o único nome que poderia rivalizar com os sete do Flamengo em termos de impacto midiático. O atacante do Chelsea, com 18 anos, teria sido o convocado mais jovem da lista — e sua falta abre uma vaga que pode beneficiar exatamente algum dos atletas rubro-negros que já estão no radar de Ancelotti.

A convocação final será anunciada na próxima segunda-feira, na sede da CBF, no Rio de Janeiro, às 17h. Dos 55 nomes da pré-lista, apenas 26 seguirão para o Mundial. Para os sete do Flamengo, o prazo é curto e a concorrência, real — especialmente para Léo Ortiz, Alex Sandro e Samuel Lino, que disputam vagas com jogadores de clubes europeus de maior visibilidade internacional.

Se a convocação final fosse anunciada hoje, o Flamengo seria, de longe, o clube brasileiro com maior representação na Seleção — mas essa frase, agora, carrega um peso que a versão do início do texto ainda não tinha: a lista definitiva vem na segunda, e nenhum dos sete tem vaga garantida.