"Eu sou o responsável, não estou me lamentando." A frase é de Luís Zubeldía, proferida após a derrota por 2 a 0 para o Internacional no Beira-Rio, no domingo (3), pela 14ª rodada do Brasileirão. Quem disse isso não foi um técnico em início de trabalho pedindo paciência — foi um treinador que chegou ao Fluminense em setembro de 2025 e ainda não encontrou a equação para transformar posse de bola em resultado.

Quem se beneficia diretamente

O Independiente Rivadavia entra em campo na quarta-feira (6), em Mendoza, na Argentina, sabendo que tem diante de si um adversário em crise declarada. O time argentino joga em casa contra um Fluminense que não criou uma única finalização no primeiro tempo contra o Inter — a única tentativa registrada foi uma bola isolada por Bernal da entrada da área, longe de ameaçar qualquer goleiro. Para o Rivadavia, o momento é ideal para confirmar a classificação ou ampliar vantagem na fase de grupos da Copa Libertadores.

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Dentro do próprio elenco tricolor, jogadores como Savarino saem valorizados da crise. O camisa 11, que entrou no intervalo contra o Internacional, foi o único a gerar perigo real: acertou o travessão, forçou defesa difícil de Anthoni e ainda deixou Serna cara a cara com o gol — chance desperdiçada pelo colombiano. Quando um jogador de banco resolve mais do que a escalação titular, o técnico inevitavelmente passa a ser questionado nas escolhas iniciais.

Quem perde

O Fluminense perde em múltiplas frentes. Nos últimos dez jogos, o Tricolor venceu apenas 3, empatou 3 e perdeu 4 — um aproveitamento de 30%, número que colocaria qualquer clube em zona de rebaixamento se fosse o recorte do Brasileirão. A defesa cedeu espaços que não deveria: contra o Inter, Carbonero recebeu nas costas de Arana pela direita, Fábio deu rebote e Vitinho completou para o 2 a 0. Dois gols, dois erros posicionais graves.

Zubeldía tentou uma variação tática com três zagueiros e laterais mais abertos, mas a ideia naufragou ainda no primeiro tempo. O time pareceu confuso — os laterais não tiveram profundidade, os pontas não dialogaram com eles e ninguém jogou por dentro. A estratégia foi desfeita no intervalo, o que por si só é um sinal de que o plano de jogo não estava bem assimilado. Conforme levantamento do SportNavo, essa foi a terceira mudança estrutural de esquema que Zubeldía promoveu nos últimos cinco jogos sem obter consistência defensiva.

"Estamos em um momento vulnerável, difícil pelo calendário e porque não conseguimos resultados que gostaríamos. Estamos vulneráveis porque não convertemos as nossas oportunidades. Como equipe, temos que corrigir", disse Zubeldía após a derrota para o Internacional.

O efeito dominó nas próximas semanas

Uma eliminação na fase de grupos da Libertadores teria consequências financeiras imediatas. A Conmebol distribui cotas progressivas por fase: a passagem para o mata-mata representa uma diferença de receita que pode ultrapassar os 3 milhões de dólares em comparação com a saída precoce. Para um clube que ainda carrega dívidas da gestão anterior e depende de receitas de competições internacionais para equilibrar o caixa, sair na fase de grupos não é apenas um revés esportivo — é um problema de planejamento orçamentário para o segundo semestre de 2026.

No Brasileirão, o aproveitamento de 30% nos últimos dez jogos já coloca o Fluminense em situação desconfortável na tabela. Se o time não reagir após a partida na Argentina, a pressão sobre Zubeldía vai se intensificar numa velocidade parecida com o trânsito da Avenida Beira-Rio em dia de clássico — lenta, acumulada e sem saída à vista. A diretoria tricolor terá que decidir se mantém o projeto ou interrompe antes que os resultados se tornem irreversíveis no campeonato nacional.

O quadro geral que se desenha

A análise do SportNavo sobre o desempenho de Zubeldía no Fluminense aponta um padrão preocupante: o time tem o controle da bola — foi dominante em termos de posse contra o Internacional — mas não transforma esse domínio em finalizações de qualidade. Contra o Inter, o Tricolor teve apenas uma finalização no primeiro tempo inteiro, enquanto o adversário registrou oito, incluindo o gol de Bernabei que abriu o placar ao encontrar espaço nas costas de Jemmes. Controlar a bola sem criar chances é uma das formas mais frustrantes de perder.

Quem se beneficia diretamente Três vitórias em dez jogos e o Fluminens
Quem se beneficia diretamente Três vitórias em dez jogos e o Fluminens

O técnico argentino chegou ao Fluminense com currículo respeitável — trabalhou em Lanús e Racing Club na Argentina — mas o futebol brasileiro tem especificidades táticas e de calendário que exigem adaptação rápida. Com 3 vitórias em 10 jogos, o tempo para ajustes está se esgotando. O Fluminense enfrenta o Independiente Rivadavia na quarta-feira (6), em Mendoza, precisando vencer para não complicar definitivamente sua situação na fase de grupos da Libertadores — o empate pode não ser suficiente dependendo dos outros resultados da rodada.