A Arena da Baixada estava quente. O atacante entrou em campo com a confiança de quem sabe que cada finalização pode virar história. Só na 18ª rodada do Brasileirão, Athletico-PR e Mirassol se encontram neste sábado (30), às 16h, e o colombiano Viveros chega ao jogo como artilheiro isolado da Série A — 10 gols em 17 rodadas.

A narrativa que circula sobre Viveros está incompleta

O que se conta nas redes é simples: Viveros está em uma boa fase. Os números dizem algo mais preciso. Dez gols em 17 jogos é a melhor marca de um jogador do Athletico no Brasileirão desde 2013 — quando Ederson terminou a temporada com 21 gols e levantou o troféu de artilheiro do campeonato.

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São 13 anos sem que nenhum atacante do Furacão chegasse perto disso. Não é fase. É sequência histórica em andamento.

Ederson acompanhou de perto a trajetória do colombiano e não poupou elogios.

"Acompanho todos os jogos, tem o meu 'irmãozão' Santos aí. O Athletico está numa fase muito boa, espero que ele continue a fazer mais gols que eu, fico feliz que vai levar o Athletico cada vez mais longe."

O próprio Ederson deixou claro o peso daquele ano de 2013 em sua carreira.

"Mudou a minha vida totalmente. No futebol, na vida financeira. Novas portas se abriram. Tudo que eu tenho hoje, primeiramente agradeço a Deus, depois foi aquele ano que eu passei no Athletico."

Viveros e Ederson são diferentes — e é exatamente isso que importa

A comparação direta entre os dois tem um problema: são atacantes de perfis opostos. Ederson, 1,72m, era um centroavante de área — descrito pelo próprio como alguém que "sempre estava no lugar certo, na hora certa", com inspiração declarada em Romário. Treinava finalização ao máximo e dependia de companheiros como Marcelo Cirino e Paulo Baier para receber bolas em posição.

Viveros opera diferente. Mais físico, mais veloz, capaz de pressionar a saída de bola e criar chances por conta própria. O contexto tático do Athletico de Odair Hellmann em 2026 exige esse perfil — e o colombiano entrega.

A meta de 21 gols ainda está longe. Mas o ritmo atual — quase 0,6 gol por jogo — projeta Viveros próximo de 20 ao final do turno, se mantido.

O que o jogo de hoje decide para o Athletico no Brasileirão

O Furacão chega ao duelo em quarto lugar, dentro do G4, após virar sobre o Remo por 2 a 1 fora de casa na rodada 17. A série invicta em casa já é de oito partidas. Uma vitória neste sábado amplia esse número e leva o clube à pausa da Copa do Mundo entre os primeiros colocados.

O Athletico terá desfalques relevantes. Portilla está com a seleção colombiana, Luiz Gustavo se recupera de lesão na panturrilha, e o goleiro Mycael passou por cirurgia. A provável escalação de Odair: Santos; Aguirre (ou Terán), Arthur Dias e Esquivel; Benavídez, Felipinho, Jadson, Zapelli e Claudinho; Mendoza e Viveros.

O Mirassol vive situação oposta — ainda no Z-4, mas com moral após vencer o Fluminense na última rodada. O técnico Rafael Guanaes não poderá contar com Igor Formiga (4 gols na temporada), Nathan Fogaça (3 gols) e Negueba, em recuperação pós-cirurgia. Oito jogadores do Leão estão pendurados, o que adiciona cautela tática ao duelo.

Nas copas, o Mirassol vive momento diferente: avançou às oitavas da Libertadores e da Copa do Brasil, o que mostra capacidade técnica acima do que a tabela do Brasileirão sugere.

Para Viveros, cada rodada que passa é uma página nova em um capítulo que o Athletico não escrevia há mais de uma década. A bola rola às 16h na Arena da Baixada — vale gravar o jogo de hoje.