A contratação de Zico pela ESPN/Disney+ como comentarista da Copa do Mundo 2026 chega em momento estratégico para o mercado de mídia esportiva. Enquanto o Brasil despenca para a 6ª posição no ranking FIFA — primeira vez fora do top 5 em vésperas de Mundial desde 2002 —, a experiência do Galinho de Quintino se torna ainda mais valiosa para decifrar um torneio sem favorito absoluto.
O ex-meia, com 71 gols em 88 jogos pela Seleção, oferece perspectiva única sobre o atual momento da equipe de Dorival Júnior. Segundo Zico, o Brasil está "na mesma prateleira" dos principais rivais, em avaliação que reflete a atual instabilidade do futebol mundial. "Ninguém está na primeira prateleira", declarou o ídolo flamenguista, sintetizando a sensação de imprevisibilidade que marca a preparação para o Mundial nos Estados Unidos, México e Canadá.
O peso da opinião especializada em cenário de incerteza
A audiência de comentários especializados durante Copas do Mundo cresce exponencialmente quando grandes nomes do esporte assumem o microfone. Na Copa do Catar 2022, a presença de Ronaldo Nazário na Globo contribuiu para picos de 47 pontos de audiência nas transmissões brasileiras. A ESPN/Disney+ aposta em estratégia similar ao escalar Zico, cujo histórico inclui participação em três Copas como jogador (1978, 1982, 1986) e conhecimento técnico refinado.
O momento da Seleção Brasileira justifica a necessidade de análises aprofundadas. Com apenas duas vitórias nos últimos seis jogos das Eliminatórias Sul-Americanas — aproveitamento de 33% que quase custou a classificação direta —, a equipe chega ao Mundial sem o status de candidata natural que manteve por décadas. O ranking FIFA confirma essa percepção: Argentina (1º), França (2º), Espanha (3º), Inglaterra (4º) e Portugal (5º) ocupam as primeiras posições, relegando o Brasil ao 6º lugar.
Lendas do futebol como formadoras de opinião
A influência de ex-jogadores na percepção pública sobre seleções nacionais transcende o aspecto técnico. Pesquisa do Ibope de 2018 revelou que 68% dos torcedores brasileiros consideram opiniões de ídolos do futebol mais confiáveis que análises de jornalistas especializados. Zico se enquadra nesse perfil, com credencial construída em 17 anos de carreira e passagem por clubes como Flamengo, Udinese e Kashima Antlers.
A ESPN/Disney+ investe pesadamente na cobertura da Copa 2026, com orçamento estimado em R$ 150 milhões para direitos de transmissão e produção de conteúdo. A contratação de Zico integra estratégia de diferenciação em mercado disputado com Globo, SBT e Amazon Prime Video. O streaming da Disney registrou crescimento de 35% na audiência durante competições esportivas em 2024, impulsionado por coberturas exclusivas com ex-atletas renomados.
Brasil sem favoristismo pela primeira vez em décadas
A avaliação de Zico sobre o nivelamento entre seleções encontra respaldo nos números. Nas casas de apostas internacionais, Brasil aparece com odds de 7.50 para conquistar o título, atrás de Argentina (4.75), França (5.00) e Inglaterra (5.25). Essa paridade estatística não ocorria desde a Copa de 1982, quando o time de Telê Santana também enfrentou cenário de múltiplos favoritos.
"Ninguém está na primeira prateleira", avaliou Zico sobre o nível atual das seleções candidatas ao título mundial.
O técnico Dorival Júnior trabalha com lista de 35 pré-convocados, mas ainda não definiu titulares absolutos para posições-chave. A indefinição sobre a escalação ideal reflete as dificuldades encontradas durante as Eliminatórias, período marcado por lesões de jogadores importantes e oscilações táticas. Endrick, Estêvão e Savinho disputam vagas no ataque, enquanto a defesa ainda busca dupla de zaga consolidada após as saídas de Thiago Silva e Marquinhos da Seleção.
O valor da experiência para Mundial aberto
A presença de Zico na cobertura da ESPN/Disney+ representa mais que estratégia comercial. Em Mundial caracterizado pela paridade técnica, a experiência de quem viveu três Copas como protagonista oferece perspectiva diferenciada sobre pressão, expectativa e gestão de momentos decisivos. O ex-meia conhece intimamente o peso da camisa amarela e as nuances psicológicas que podem definir jogos eliminatórios.
A convocação oficial do Brasil será anunciada em 18 de maio, faltando apenas duas semanas para o início da Copa do Mundo. Até lá, as análises de Zico e outros especialistas continuarão moldando expectativas de torcedores em busca da sexta estrela, mesmo com a Seleção navegando em águas turbulentas há dois anos.

