Cresceu. O número que a indústria cervejeira global aguardava com ansiedade finalmente chegou: analistas da Jefferies estimam que a Copa do Mundo de 2026, realizada em Estados Unidos, Canadá e México, vai gerar um consumo adicional de 1 bilhão de copos de cerveja no mundo — o equivalente a 568 milhões de litros, ou 5,9 milhões de hectolitros extras da bebida ao longo dos 39 dias de competição.
Uma indústria sedenta por um catalisador
O setor cervejeiro chega ao Mundial de 2026 carregando cicatrizes recentes. Nos últimos dois anos, o segmento enfrentou uma combinação rara de pressões: inflação de custos de produção, demanda fraca em mercados maduros como Europa Ocidental e Estados Unidos, e um debate crescente sobre o declínio estrutural de longo prazo no consumo de álcool entre jovens adultos. Nesse contexto, a projeção de crescimento de 3% nas vendas durante o torneio — o que se traduz em um aumento anualizado de 0,3% nos volumes globais de cerveja em 2026 — seria injusto chamar de revolução, mas é uma revolução em escala de prateleira de supermercado.
O analista da Jefferies, Ed Mundy, identificou um fator que poucos observadores tinham considerado com a devida atenção: o planejamento dos horários dos jogos. Nas palavras do próprio analista, o calendário de partidas é um "herói desconhecido" para o consumo de cerveja neste torneio.
"O planejamento dos horários dos jogos é um herói desconhecido para o consumo de cerveja", afirmou Ed Mundy, analista da Jefferies.
A lógica é direta: ao contrário das edições realizadas no Brasil (2014) e no Qatar (2022), onde os fusos horários prejudicavam o consumo europeu e americano nos momentos de pico, o Mundial de 2026 foi estruturado para que as partidas envolvendo seleções da Europa e das Américas coincidam com o intervalo entre 17h e 23h no horário local — a janela de maior consumo de bebidas nos dois maiores mercados cervejeiros do planeta.
O formato expandido como multiplicador de oportunidades
A edição de 2026 será, por definição, a maior da história do futebol. Com 48 seleções e 104 partidas — contra 64 jogos dos torneios anteriores —, o torneio oferece 62,5% mais oportunidades de consumo associado a um jogo do que qualquer Copa anterior. Para a indústria cervejeira, cada partida representa uma janela de ativação comercial: bares, restaurantes, transmissões em telões e eventos corporativos.
Mas quem, afinal, vai beber mais durante este Mundial?
A resposta surpreende. Uma pesquisa do banco Citi revelou que 58% dos torcedores brasileiros planejam aumentar o consumo de cerveja durante os jogos da Copa — percentual superior ao registrado nos próprios países anfitriões. O dado posiciona o Brasil como o mercado com maior potencial de crescimento relativo no período, superando México, Estados Unidos e Canadá em intenção declarada de consumo.
O que muda no mercado global depois de julho de 2026
O impacto do torneio não se encerra com o apito final da grande decisão. Eventos de escala global como a Copa do Mundo funcionam como redefinidores de hábito: pesquisas anteriores sobre as edições de 2010 e 2018 indicam que parte do consumo incremental gerado durante o torneio se converte em consumo permanente, especialmente em mercados onde a associação entre futebol e cerveja ainda estava em formação — como o próprio mercado norte-americano, que agora recebe o evento pela primeira vez desde 1994.
Para as grandes cervejeiras com contratos de patrocínio ativo no torneio, o cenário representa uma janela de exposição sem precedentes. Com 104 jogos distribuídos por três países e fusos horários distintos, a cobertura televisiva global do Mundial de 2026 deve superar qualquer edição anterior em horas de transmissão — e cada hora transmitida é, para o setor, uma oportunidade de reforçar a equação cultural entre futebol e cerveja que o Brasil já consolidou há décadas.
Em matéria do SportNavo, os dados da Jefferies e do Citi apontam para um cenário em que o Brasil, mesmo sem sediar o torneio, deve registrar os maiores índices de crescimento relativo no consumo durante o período. Com a abertura da Copa marcada para 11 de junho de 2026 no MetLife Stadium, em Nova Jersey, o setor cervejeiro tem menos de uma semana para converter estimativas em realidade — e os 568 milhões de litros projetados começam a ser contabilizados a partir do primeiro apito.








