Decidiu. Com uma triangulação precisa na segunda etapa do SoFi Stadium, em Los Angeles, Folarin Balogun converteu em gol o que a Ligue 1 vinha anunciando faz meses: este é o centroavante que os Estados Unidos tanto procuraram. O placar final de 1 a 0 sobre o Paraguai na estreia da Copa do Mundo guardou a assinatura do atacante do Monaco como um selo de chegada — não de promessa.

Uma sequência que só Mbappé havia igualado na Ligue 1

Para entender o que Balogun construiu entre fevereiro e abril de 2026, basta um número: 8. Oito jogos consecutivos com gol marcado na Ligue 1, marca que empata com a segunda maior sequência da história do campeonato francês. Apenas um jogador na Europa havia chegado a um ritmo equivalente nesse período — e esse jogador atende pelo nome de Kylian Mbappé. O feito, registrado pelo portal SportNavo ao longo da temporada 2025-26, ganhou contornos ainda mais robustos quando se acrescentam dois gols pela Champions League ao recorte: no total, Balogun balançou as redes em 10 dos últimos 10 jogos que disputou, somando todas as competições.

O que para o argentino é a chegada de um centroavante de área clássico — o 9 que mata no último metro —, para o futebol francês é algo mais híbrido e desconcertante: um atacante capaz de aparecer em zonas intermediárias, participar da construção e ainda concluir com frieza. Balogun representa exatamente esse segundo perfil. O gol contra o Galatasaray pela Champions League, em cobrança de escanteio que enganou o goleiro substituto Gunay Guvenc aos 23 minutos do segundo tempo, mostrou seu faro de área. A triangulação que selou a vitória dos EUA sobre o Paraguai mostrou sua inteligência de movimento. São faces do mesmo atacante.

Os 13 gols de uma temporada que mudou a narrativa

Quando o Monaco desembolsou €40 milhões para tirar Balogun do Arsenal em agosto de 2023, o investimento gerou ceticismo proporcional ao valor. O atacante havia marcado 22 gols em uma temporada de empréstimo no Reims — a maior marca de um americano em uma das cinco grandes ligas europeias —, mas fazer isso pelo Monaco era outra conversa. Os primeiros percalços deram munição aos críticos. A temporada 2025-26, porém, enterrou qualquer dúvida remanescente.

Com 13 gols na Ligue 1 nesta temporada, Balogun foi eleito o Monaco Player of the Season 2025-26. A sequência de oito partidas consecutivas com gol incluiu o confronto contra o Auxerre, onde o atacante selou mais uma vez a conta pessoal com as redes adversárias. O Monaco, que briga por uma vaga nas competições europeias da próxima temporada, encontrou em seu centroavante a diferença entre lutar e depender dos outros.

"Ele marcou e estamos muito felizes com ele, mostrou porque foi titular e precisa continuar evoluindo", disse Mauricio Pochettino após a vitória dos EUA sobre o Paraguai — palavras dirigidas a Gio Reyna, mas que encapsulam o clima de confiança que permeia o elenco americano neste início de Copa.

O gol que abriu a Copa para os EUA

A partida de 12 de junho no SoFi Stadium começou com Gio Reyna abrindo o placar nos minutos iniciais, antes de o Paraguai empatar aos 8 minutos com gol de Álex Arce, em assistência de Miguel Almirón. O empate durou até Balogun entrar na equação na segunda etapa. A triangulação que resultou no gol da vitória foi suficiente para definir o placar em 1 a 0 — e para confirmar que os Estados Unidos chegam à Copa do Mundo como anfitriões com um atacante de referência funcionando.

"Acho que fizemos uma grande partida, muito difícil. É sempre bom vencer, mas o mais importante é a luta e a campanha. Temos que valorizar os jogadores", avaliou Pochettino em entrevista coletiva após o jogo.

O Paraguai, que retorna a uma Copa do Mundo após 16 anos de ausência — a última participação foi na África do Sul em 2010 —, saiu derrotado mas com leitura clara do que enfrentou. O técnico argentino Gustavo Alfaro reconheceu:

"Ninguém gosta de perder. Analiso o que precisamos incorporar, jogamos contra times que são muito intensos fisicamente."

O que os próximos jogos vão revelar sobre Balogun na Copa

Nascido em 3 de julho de 2001, Balogun tem 24 anos e chega à sua primeira Copa do Mundo no pico de uma trajetória que passou pela academia do Arsenal em Hale End, por empréstimos ao Middlesbrough e ao Reims, até a consolidação no Principado. A decisão de representar os Estados Unidos — tomada em maio de 2023, após ter defendido as seleções de base inglesas — agora encontra seu capítulo mais alto.

A seleção americana de Pochettino tem pela frente a fase de grupos com o anfitrião precisando confirmar a consistência que a sequência europeia prometeu. O próximo desafio dos EUA está agendado para terça-feira, quando encaram o Uruguai em Tampa Bay, Flórida — teste de outra magnitude para um atacante que, nos últimos dez jogos, não saiu de campo sem marcar.