O silêncio que tomou conta da zona mista do MetLife Stadium nesta sexta-feira (12) durou o tempo exato de uma pergunta: "E o Neymar?" Carlo Ancelotti respirou, ajustou o microfone e respondeu com a frieza de quem já havia ensaiado a resposta durante a semana inteira. A panturrilha direita do camisa 10 dita o ritmo do planejamento brasileiro — e, pelo menos para o jogo deste sábado contra o Marrocos, ela ainda não libera o atacante.

A lesão que reorganiza o plano de Ancelotti para o Grupo C

Neymar se machucou na panturrilha direita e, desde o início da preparação nos Estados Unidos, não pisou em campo com chuteiras. Treinos na academia, fotos publicadas nas redes sociais na quinta-feira (11) mostrando evolução física — mas nenhum trabalho com bola feito de chuteiras. A expectativa dentro da comissão técnica é que ele esteja disponível para o segundo jogo do Brasil no Grupo C, contra o Haiti, marcado para 19 de junho.

Seis dias separam a estreia da possível volta do maior artilheiro da história da Seleção. Para Ancelotti, esse intervalo não é catástrofe — é variável. O técnico italiano confirmou na coletiva desta sexta que a escalação para enfrentar o Marrocos já está praticamente definida, com Matheus Cunha ocupando o espaço no ataque que seria de Neymar.

Ancelotti entre a honra e o medo no MetLife Stadium

Na coletiva realizada no complexo do MetLife Stadium, em Nova Jersey, Ancelotti não escondeu o peso do momento. Comandar a seleção mais vitoriosa da história das Copas do Mundo — cinco títulos, 73 vitórias em Mundiais — carrega uma pressão que o italiano reconheceu abertamente.

"É uma experiência nova, mas algo especial. É ter a responsabilidade e a honra de representar o país do futebol, a seleção mais laureada do mundo. Quero aproveitar esse momento com alegria e felicidade porque é um momento muito bonito da minha história", declarou o técnico.

Questionado sobre a pressão da estreia, Ancelotti recorreu a uma metáfora incomum para um técnico de futebol — e reveladora sobre sua mentalidade de preparação.

"Medo é algo importante da vida. Se você não tem medo, o leão te parece um gato. Medo é importante para salvar vidas", afirmou o italiano, antes de reforçar a confiança no elenco para o duelo de sábado.

O respeito ao adversário veio logo na sequência. Ancelotti classificou o Marrocos como uma das seleções mais organizadas do futebol mundial, destacando qualidade defensiva, força nas transições e perigo nas bolas paradas. A equipe africana chegou às semifinais da Copa do Mundo de 2022 no Catar e mantém boa parte do núcleo daquele ciclo.

O que muda no mapa do Grupo C nas próximas semanas

O Grupo C reúne Brasil, Marrocos, Haiti e Escócia. Neste sábado, enquanto o Brasil enfrenta os marroquinos no New York New Jersey Stadium às 19h (horário de Brasília), Haiti e Escócia estreiam em Boston. A dinâmica do grupo pode ser definida já na primeira rodada — e a ausência de Neymar pesa mais no aspecto criativo do que no estrutural.

Matheus Cunha, 26 anos, chega ao torneio em boa fase pelo Atlético de Madrid, onde marcou 14 gols e distribuiu 9 assistências na temporada 2025/2026 da La Liga. O atacante já demonstrou capacidade de atuar pelos lados e pelo centro do ataque, o que dá a Ancelotti flexibilidade para manter o 4-3-3 sem precisar reformular o esquema base.

Conforme apurado em matéria do SportNavo, o retorno de Neymar ao time titular depende diretamente da resposta da panturrilha nos próximos dias de treino. Se o cronograma se confirmar, ele estará disponível para o Haiti no dia 19 — mas a decisão final sobre titularidade caberá à comissão médica e ao próprio Ancelotti, que já deixou claro que não vai arriscar o atleta antes da liberação total.

Antes de encerrar a coletiva, Ancelotti prestou solidariedade à família de Brito, ex-zagueiro tricampeão do mundo em 1970 com a Seleção Brasileira, que faleceu na quinta-feira (11). O técnico enviou uma mensagem de apoio em nome da CBF e homenageou o ex-jogador.

Brasil e Marrocos jogam neste sábado (13), às 19h, no New York New Jersey Stadium — com Matheus Cunha na vaga de Neymar e Ancelotti precisando de três pontos para abrir vantagem antes de o camisa 10 voltar ao grupo.