Não, o quadro de classificadas para a Copa do Mundo Feminina de 2027 não está nem perto de completo. Com apenas 11 seleções confirmadas até esta sexta-feira (5) e 21 vagas ainda em aberto, o torneio que terá sua final no Maracanã em 25 de julho de 2027 ainda é, em larga medida, uma página em branco. O que já se sabe, porém, diz muito sobre o estado atual do futebol feminino no mundo.

Alemanha, Argentina e Colômbia foram as últimas a carimbar o passaporte, juntando-se a um grupo que já incluía Austrália, Brasil, China, Coreia do Norte, Coreia do Sul, Filipinas, Japão e Nova Zelândia. As eliminatórias da Ásia e da Oceania foram as primeiras a encerrar seu ciclo, razão pela qual sete das onze classificadas vêm dessas duas confederações. O Brasil, como país-sede, entrou na lista sem precisar jogar uma única partida eliminatória.

O peso da Alemanha e a surpresa argentina

A classificação alemã era esperada, mas não trivial. A Nationalmannschaft feminina é uma das potências históricas do esporte, com dois títulos mundiais (2003 e 2007) e uma sequência de presenças em todas as edições da Copa do Mundo desde a inauguração do torneio, em 1991. Garantir a vaga nas eliminatórias europeias, portanto, é menos uma surpresa do que uma confirmação de hierarquia.

Já a Argentina carrega um peso diferente. A Albiceleste feminina viveu décadas de invisibilidade institucional — e a classificação para 2027 acontece num contexto em que o país ainda tenta estruturar de forma sustentável o futebol feminino profissional. A presença argentina no Mundial do Brasil tem um sabor de revanche histórica: a seleção não disputava uma Copa do Mundo Feminina desde a edição de 2019, na França, quando foi eliminada na fase de grupos sem vencer nenhuma partida. A distância entre aquela campanha apagada e a classificação desta semana é algo como a que separa Recife de Porto Alegre — geograficamente mensurável, mas emocionalmente imensurável para quem viveu os anos de sombra.

"O futebol feminino argentino cresceu de forma consistente nos últimos anos, e chegar ao Mundial em casa, no Brasil, é o reconhecimento desse processo", pontuou a Confederação Sul-Americana de Futebol (CONMEBOL) ao confirmar a vaga da seleção.

O mapa incompleto das eliminatórias ainda em andamento

Com a Ásia e a Oceania já resolvidas, as atenções se voltam para os continentes que ainda têm o processo em curso. A Europa, por meio da UEFA, segue com suas eliminatórias e deve contribuir com o maior número de vagas entre todas as confederações — padrão histórico que se repete em todas as edições do torneio. A África, a América do Norte e Central (CONCACAF) e a América do Sul também têm vagas a definir, e o calendário de cada uma dessas confederações seguirá até o fim de 2026.

A Colômbia, terceira classificada desta semana, chega com a moral elevada após a Copa do Mundo Feminina de 2023, na Austrália e Nova Zelândia, onde alcançou as quartas de final — melhor campanha da história da seleção colombiana no torneio. Classificar-se para 2027 consolida uma geração que revelou jogadoras como Linda Caicedo, um dos nomes mais comentados do futebol feminino mundial… e aí vem o problema: manter esse nível de desempenho até junho de 2027 exigirá uma estrutura que o futebol colombiano ainda está construindo.

"Esta geração mudou a forma como o mundo enxerga o futebol feminino da Colômbia", declarou a Federación Colombiana de Fútbol ao celebrar a classificação.

A repescagem de fevereiro de 2027 como capítulo final

O calendário da FIFA estabelece que os últimos classificados para o Mundial só serão conhecidos em fevereiro de 2027, quando acontece a Repescagem intercontinental. O mecanismo, já utilizado no futebol masculino, reúne seleções que ficaram nas bordas das vagas diretas de suas confederações e as coloca em confrontos eliminatórios que definem as últimas entradas para o torneio. Trata-se de um período de altíssima tensão para seleções como as da África e da CONCACAF, que historicamente disputam vagas escassas em relação ao nível competitivo de suas regiões.

A Copa do Mundo Feminina de 2027 começa em 24 de junho, com sede no Brasil, e terá sua decisão no Maracanã em 25 de julho. O torneio reunirá 32 seleções — e das 21 vagas ainda abertas, ao menos uma parte só será preenchida a menos de cinco meses do apito inicial. Para as federações que ainda estão nas eliminatórias, cada jogo a partir de agora carrega o peso de um destino que pode se definir somente no inverno brasileiro de 2027.