A Seleção Brasileira entra em campo neste sábado (13/6), às 19h (horário de Brasília), no MetLife Stadium, em Nova Jersey, como favorita contra um adversário que há 29 jogos não sabe o que é perder. Esse número — 29 partidas invicto — é a chave para entender por que a estreia do Copa do Mundo 2026 sob o comando de Carlo Ancelotti não tem nada de protocolar.

O número que define o Marrocos que o Brasil vai encontrar

Vinte e nove jogos sem derrota. Para dimensionar: o Brasil de Telê Santana, entre 1980 e 1982, acumulou 22 partidas invicto antes de ser eliminado pela Itália em Sarriá, num placar de 3 a 2 que ainda dói na memória coletiva do torcedor brasileiro. O Marrocos de 2026 já superou essa marca e chega ao torneio como a segunda sequência invicta mais longa de qualquer seleção às vésperas de uma Copa, atrás apenas da Espanha de Xavi e Iniesta entre 2009 e 2010.

A campanha marroquina em 2022 não foi acidente. Walid Regragui construiu uma equipe que eliminou Bélgica (2 a 0), Espanha (nos pênaltis) e Portugal (1 a 0) antes de ceder à França de Mbappé na semifinal, por 2 a 0. Foram sete jogos, quatro vitórias, dois empates e uma única derrota — a sequência que os colocou na quarta colocação, melhor resultado de uma seleção africana em toda a história das Copas do Mundo.

A perda do atacante Abde Ezzalzouli, artilheiro do Real Betis na temporada 2025/2026 e cortado após entorse no joelho direito durante amistoso contra a Noruega, retira uma peça ofensiva relevante. Mas o sistema defensivo marroquino, centrado na organização posicional e na intensidade do pressing, não depende de um único nome para funcionar.

"Marrocos não é mais surpresa. É uma equipe consolidada, com identidade tática clara e jogadores formados nas melhores ligas europeias", conforme registrado por SportNavo ao longo do acompanhamento das Eliminatórias africanas.

Ancelotti estreia com um Brasil remendado na lateral direita

O Brasil de 2026 chega ao Mundial após um ciclo que consumiu quatro treinadores — Tite (demitido após a eliminação nas quartas em 2022), Ramon Menezes (interino), Fernando Diniz (demitido em janeiro de 2024) e Dorival Júnior (demitido após o quinto lugar nas Eliminatórias) — antes de Ancelotti assumir o cargo em março de 2025. O técnico italiano, que conquistou a Liga dos Campeões com o Real Madrid em 2022 e 2024, vem de duas vitórias em amistosos de preparação: sobre o Panamá e sobre o Egito.

Neymar segue fora. O camisa 10 se recupera de lesão muscular de grau 2 na panturrilha direita e não tem condições de atuar na estreia. A ausência do jogador mais decisivo da história recente da Seleção — 79 gols em 128 jogos pela equipe nacional — obriga Ancelotti a reorganizar o setor ofensivo em torno de Vinicius Jr., Raphinha, Matheus Cunha e Lucas Paquetá.

A lateral direita é o ponto mais sensível da escalação. Wesley sofreu lesão no músculo adutor da coxa esquerda durante o amistoso contra o Egito e foi cortado da lista. O substituto convocado foi o volante Éderson, da Atalanta — jogador que não atua na posição de origem. A solução encontrada pela comissão técnica foi acionar Danilo, atualmente zagueiro no Flamengo, mas que construiu a maior parte de sua carreira europeia como lateral-direito, passando por Manchester City e Juventus. Na lateral esquerda, Alex Sandro ganhou a disputa com Douglas Santos.

"A adaptação do Danilo à lateral não é improvisação — ele jogou mais de 200 partidas na posição durante a carreira europeia", segundo análise da comissão técnica brasileira divulgada antes da viagem aos Estados Unidos.

Onde assistir e o que projetar para o Grupo C

A partida tem transmissão confirmada em seis plataformas: TV Globo, SporTV, GeTV, Cazé TV, SBT e N Sports. O MetLife Stadium, em Nova Jersey, tem capacidade para 82.500 espectadores e já recebeu finais de Super Bowl — o que dá ao estádio uma estrutura de transmissão compatível com a magnitude do jogo.

O número que define o Marrocos que o Brasil vai encontrar 29 jogos sem perder e
O número que define o Marrocos que o Brasil vai encontrar 29 jogos sem perder e

O Grupo C reúne ainda Croácia e Nova Zelândia, o que torna a disputa entre Brasil e Marrocos essencialmente uma batalha pela liderança da chave desde a primeira rodada. Historicamente, as seleções que vencem a estreia em Copas do Mundo avançam às oitavas em 78% dos casos, segundo levantamento dos dados de todas as edições desde 1930. O Brasil, em particular, tem aproveitamento de 100% nas estreias desde 1994 — seis vitórias em seis jogos de abertura de campanha.

A Seleção Brasileira busca o hexacampeonato 24 anos depois da conquista de Yokohama, em 2002, quando Ronaldo marcou dois gols na final contra a Alemanha (2 a 0) e encerrou um jejum que durava desde 1994. O adversário desta estreia, porém, não tem qualquer intenção de ser figurante: o Brasil joga neste sábado contra a equipe africana em melhor momento da história, com sequência invicta superior à do próprio Brasil campeão de 1970 antes do início daquela Copa. Se Ancelotti resolver a equação da lateral direita e o meio-campo funcionar como linha de pressão, o Brasil tem condições de vencer. A escalação provável tem Alisson; Danilo, Marquinhos, Gabriel Magalhães e Alex Sandro; Casemiro, Bruno Guimarães e Paquetá; Raphinha, Matheus Cunha e Vinicius Jr. Em caso de vitória, o Brasil volta a campo na segunda rodada do Grupo C, quatro dias depois, contra a Croácia.