48 seleções, milhares de simulações rodadas por inteligência artificial, e um único nome saindo campeão: França. O EA Sports FC 26 antecipou a Copa do Mundo 2026 e entregou um veredicto que a torcida verde-amarela definitivamente não queria ouvir — o Brasil ficou longe do pódio na projeção virtual do game desenvolvido pela EA Vancouver e EA Romania.
O resultado viralizou rapidamente nas redes sociais, especialmente entre criadores de conteúdo e comunidades de FIFA/FC. Mas antes de descartar como "só um jogo", vale entender o que está por baixo dessa simulação — porque a metodologia diz muito sobre como o futebol moderno é lido hoje, dentro e fora dos videogames.
Como o motor do EA FC 26 lê o futebol moderno
A simulação não é sorteio — é leitura tática automatizada.
O sistema do EA FC 26 não distribui títulos baseado apenas em atributos individuais dos jogadores. Segundo informações da Electronic Arts, o game usa IA para interpretar movimentação coletiva, compactação defensiva, velocidade de transição e tomada de decisão durante as partidas simuladas. Em termos práticos, é como se o motor do jogo tentasse replicar o que analistas chamam de PPDA (Passes Permitidos por Ação Defensiva) — uma métrica que mede o quanto uma equipe pressiona o adversário. Times com PPDA baixo pressionam mais agressivamente; times com PPDA alto ficam passivos. A França de Mbappé, Camavinga e Tchouaméni tem um dos perfis de pressão mais eficientes do futebol real, e isso se reflete diretamente no gameplay.
Outro fator pesado pela IA é o que analistas chamariam de progressive passes — passes que avançam o jogo em direção ao gol adversário. Seleções com alta densidade de passes progressivos criam mais chances reais de finalização, o que eleva o xG (expected goals), ou seja, a qualidade esperada das finalizações geradas. A França, com Mbappé como referência ofensiva e uma linha de meio-campo físico e técnico, tem um xG coletivo consistentemente superior ao Brasil nas últimas grandes competições reais — e isso se traduz em vantagem nas simulações do game.
O Brasil no ranking virtual da Copa 2026
Não é só perder para a França — é o tamanho da distância que incomoda.
A Seleção Brasileira não aparece entre os favoritos ao título na projeção do EA FC 26. O resultado foi descrito como "desfavorável ao Brasil" — e isso não é surpresa para quem acompanha as simulações históricas do game. Em 2022, o FIFA 23 apontou o Brasil como favorito e a Argentina levantou a taça real. Em 2018, o game errou ao prever a Alemanha longe do título depois do vexame de 2014. As simulações raramente acertam o campeão, mas costumam refletir bem o equilíbrio de forças percebido no momento em que o jogo é desenvolvido.
O problema do Brasil no cenário virtual provavelmente está ligado ao que analistas chamariam de defensive actions — o volume de ações defensivas bem-sucedidas por 90 minutos. A Seleção, nas últimas competições reais, apresentou fragilidades na transição defensiva e na compactação do bloco médio, algo que sistemas de IA conseguem capturar com relativa precisão quando alimentados com dados de desempenho recentes.
- França: alta taxa de pressing (PPDA estimado abaixo de 8), xG ofensivo elevado, equilíbrio entre linhas
- Brasil: xG individual alto (Vinicius Jr., Rodrygo), mas coletivo irregular; transição defensiva vulnerável
- Argentina: campeã em exercício, mas avaliação da IA penalizada pelo envelhecimento do elenco
- Inglaterra: alto volume de progressive passes, mas histórico de eliminações precoces pesa no algoritmo
"O sistema tenta entender estilos de jogo, equilíbrio tático e eficiência coletiva, algo que acaba influenciando nas simulações do campeonato", explicou a equipe da EA em descrição técnica do game.
A novidade das 48 seleções muda o peso da simulação
Mais times significa mais variáveis — e mais chances de surpresa nos resultados virtuais.

Uma das grandes novidades do EA FC 26 para o contexto da Copa 2026 é o modo com 48 seleções, replicando o formato expandido que a FIFA implementará no torneio real entre 11 de junho e 19 de julho de 2026 nos Estados Unidos, México e Canadá. Esse formato nunca havia sido simulado em um game da franquia antes, o que torna esta edição particularmente interessante como experimento.
Com 48 times, o torneio virtual passa a incluir seleções de menor expressão histórica, o que dilui a concentração de favoritos nas fases iniciais mas também aumenta a imprevisibilidade nas oitavas de final. Na simulação, isso significa que uma seleção como a França pode enfrentar adversários menos calibrados nas primeiras rodadas, acumulando confiança virtual antes dos confrontos decisivos — exatamente o tipo de variável que beneficia elencos com maior profundidade de banco, outra vantagem francesa no game.
"Celebrate the summer of international football with a new 48-team international tournament mode", descreve a EA na página oficial do FC 26, confirmando que o modo foi desenvolvido especificamente para a Copa 2026.
Quanto vale a previsão de um videogame
Histórico de acertos é modesto — mas a metodologia por trás merece respeito.
A franquia tem um histórico irregular de previsões. O FIFA 18 apontou o Brasil como campeão em 2018 — a Seleção caiu nas quartas para a Bélgica. O FIFA 22 previu a França em 2022 — a Argentina ganhou nos pênaltis. Então, por que levar a sério?
Porque o valor da simulação não está no resultado final, mas no que ela revela sobre percepção coletiva de forças. Quando a IA do EA FC 26 coloca a França acima do Brasil, ela está refletindo dados de desempenho recentes, atributos individuais atualizados e eficiência tática coletiva — tudo isso processado por um motor que a própria EA descreve como capaz de interpretar "posicionamento de IA mais inteligente" e "movimentos mais precisos e explosivos". Isso não é adivinhação: é modelagem de probabilidade com base em comportamento observado.
Para a torcida brasileira, o recado prático é claro: se a IA de um videogame — que usa os mesmos dados que analistas profissionais usam — está colocando o Brasil fora do pódio, a Seleção de Carlo Ancelotti vai precisar mostrar evolução coletiva real nas últimas semanas antes de 11 de junho, data de abertura da Copa do Mundo 2026, para mudar essa narrativa. O primeiro jogo do Brasil na competição real será o teste mais imediato dessa resposta — e aí nenhuma simulação substitui os 90 minutos em campo.
Em matéria do SportNavo, os dados da simulação do EA FC 26 serão acompanhados ao longo das semanas seguintes, cruzando as previsões virtuais com os resultados reais da Copa 2026.








