A Audi anunciou oficialmente a contratação de Allan McNish como novo diretor de corridas na sexta-feira, 24 de janeiro, preenchendo a lacuna deixada pela saída de Jonathan Wheatley — que esteve no cargo desde 2025, após deixar a Red Bull Racing, e pediu desligamento alegando motivos pessoais. Para Gabriel Bortoleto, que disputa sua segunda temporada na Fórmula 1 em 2026, a chegada do escocês não é apenas uma mudança de organograma: é um reforço com quem ele já mantém uma relação de confiança há anos.

O homem que veio da resistência para o pit wall

McNish não chega à F1 como um nome desconhecido dentro da Audi — muito pelo contrário. O escocês de 55 anos construiu parte da sua trajetória profissional mais recente justamente dentro da estrutura da montadora alemã, incluindo a chefia da equipe na Fórmula E até 2021, quando a marca optou por encerrar sua participação na categoria elétrica. Antes disso, foi como piloto de endurance que McNish cravou sua reputação: três vitórias nas 24 Horas de Le Mans e um título no Mundial de Endurance (WEC) em 2013, todas conquistadas ao volante de carros da Audi. Sua única passagem pela Fórmula 1 como piloto aconteceu em 2002, defendendo a Toyota, mas o impacto real da sua carreira sempre esteve na resistência de longa duração.

O homem que veio da resistência para o pit wall Allan McNish chega à Audi e Bort
O homem que veio da resistência para o pit wall Allan McNish chega à Audi e Bort

Essa combinação de experiência em cockpit e gestão de equipe é exatamente o perfil que a Audi buscava para estruturar sua operação de pista antes da estreia na temporada 2026. Segundo apuração do SportNavo, a transição de Wheatley para McNish foi conduzida de forma planejada pela cúpula da equipe suíça, que priorizava alguém com vínculos históricos com a marca — reduzindo o tempo de adaptação cultural dentro de um projeto que já enfrenta pressão crescente do paddock.

Bortoleto e a relação de bastidores com McNish

Quando Bortoleto foi questionado sobre a chegada do escocês, a resposta foi direta e reveladora sobre a dinâmica que os dois já cultivam fora das câmeras.

"O Allan eu já conheço há um bom tempo. É um cara a quem peço muitos conselhos, um piloto que teve muito sucesso na carreira dele. Ele tem muito a atribuir na equipe, está vindo nessa área para melhorar toda a estrutura da pista, ajudar a entender o que a gente pode fazer de melhor como equipe. Estou bem confiante de que ele vai atribuir bastante coisa positiva", disse Bortoleto em entrevista ao ge.

A frase revela algo que os dados de telemetria por si só não capturam: a confiança de um piloto na cadeia de decisões do pit wall. Em temporadas de estreia, como foi a de Bortoleto em 2025, boa parte dos décimos perdidos não acontece na pista — acontece nos segundos de hesitação entre engenheiro e piloto durante uma janela de pit stop, ou na leitura equivocada do degaste de pneu nas voltas finais. Ter alguém com a vivência de 24 horas ininterruptas de gestão de corrida no lado de dentro do muro pode encurtar esse gap de comunicação.

Mentalidade de campeão num projeto ainda jovem

O próprio Bortoleto tocou num ponto que vai além da competência técnica de McNish — tocou na mentalidade coletiva de uma equipe que ainda está aprendendo a ganhar.

"O ponto forte dele é que ele é um ex-piloto de muito sucesso, então tem essa mentalidade vitoriosa junto com a Audi. Sabe muito bem o que essa equipe é capaz de trazer e de ser. Acho que é muito importante ter um cara como ele, três vezes campeão de Le Mans, com essa mentalidade vitoriosa para trazer para uma equipe nova. Temos algumas pessoas que já ganharam alguns títulos mundiais ali dentro, mas também temos pessoas que nunca ganharam nada. É bom ele trazer essa mentalidade", destacou o piloto paulista.

A análise do SportNavo aponta que equipes em fase de construção — como foi a Racing Point em 2018 ou a Alpine nos primeiros anos após a reformulação da Renault — tendem a evoluir mais rápido quando possuem ao menos um núcleo de profissionais com experiência em ambiente vencedor. McNish cumpre esse papel com autoridade: são três Leman, um WEC e décadas de leitura de corrida em contextos de altíssima pressão.

O que esperar da Audi com Bortoleto em 2026

A Audi estreia oficialmente na Fórmula 1 em 2026, temporada que marca também a maior revolução regulatória desde 2022, com novos motores híbridos de alta eficiência e alterações aerodinâmicas significativas. Nesse cenário, a curva de aprendizado de uma equipe entrante é normalmente íngreme — os dados históricos das entradas de Haas em 2016 e Alpine em 2021 mostram que os primeiros 12 meses raramente produzem resultados acima da nona posição no campeonato de construtores.

A diferença é que Bortoleto chega para sua segunda temporada com bagagem de cockpit acumulada, e McNish chega com o conhecimento de como transformar infraestrutura técnica em decisões rápidas sob pressão de corrida. A equipe tem programadas sessões de simulação e desenvolvimento de chassi ao longo dos primeiros meses de 2026, com foco especial na janela de estratégia dos novos compostos Pirelli para o regulamento técnico vigente. A temporada 2026 da Fórmula 1 tem início previsto para março, com o GP da Austrália em Melbourne abrindo o calendário de 24 etapas.