Todo mundo sabe que Julián Álvarez foi o centroavante da Argentina no título de 2022. O que torna a Copa do Mundo de 2026 diferente é que, pela primeira vez desde aquele dezembro no Catar, Lautaro Martínez chega ao torneio com números superiores ao do rival — e a disputa pela titularidade nunca esteve tão equilibrada.
Julián Álvarez e os 20 gols que blindam a camisa 9
Julián Álvarez, 24 anos, encerrou a temporada 2025/26 pelo Atlético de Madrid com 20 gols marcados — números que levaram o Real Madrid a apresentar uma proposta de 150 milhões de euros pelo atacante, recusada pelo clube colchonero. A recusa em si já diz algo: Álvarez está no auge do seu valor de mercado e do seu rendimento dentro de campo.
Na Copa do Mundo do Catar, em 2022, o então jogador do River Plate entrou como segunda opção e saiu como protagonista. Foram 4 gols em 7 jogos — contra Polônia, Croácia (dois) e França na final —, com 605 minutos disputados. Escalado como falso 9 em alguns momentos e como pivô em outros, Álvarez demonstrou versatilidade tática que Scaloni soube explorar ao máximo.
Segundo análises táticas da temporada europeia, Álvarez tem funcionado como um motor de pressão alta no esquema do Atlético — pressionando a saída de bola adversária, combinando em espaços reduzidos e finalizando com eficiência dentro da área. Esse perfil se encaixa diretamente no que Scaloni exige do centroavante argentino: mobilidade, entrega defensiva e gols em momentos decisivos.
Lautaro Martínez artilheiro da Serie A e com fome de revanche
Lautaro Martínez, 26 anos, viveu a temporada 2025/26 como o melhor centroavante da Inter de Milão — e, possivelmente, da Serie A. Artilheiro do campeonato italiano e peça central no título do clube nerazzurro, o atacante acumula estatísticas que seriam suficientes para garantir a titularidade em qualquer seleção do mundo — menos, talvez, na Argentina.
O fantasma do Catar ainda persiste. Em 2022, Lautaro disputou 7 jogos, jogou 381 minutos e não marcou nenhum gol. Desperdiçou chances claras, incluindo pelo menos dois um-a-um com o goleiro adversário. Enquanto Álvarez balançava as redes, o então camisa 9 titular entrava em campo sem conseguir converter. Foi essa sequência de atuações abaixo do esperado que custou a Lautaro a posição de titular.
"Lautaro pode ganhar a vaga na Copa do Mundo ou até jogar junto de Julián como titular", apontam analistas que acompanham a seleção argentina de perto.
A possibilidade de os dois atuarem juntos não é descartada. Scaloni já testou esquemas com Álvarez aberto pela esquerda e Lautaro centralizado — uma formação que deu resultado em alguns amistosos das Eliminatórias Sul-Americanas. A questão é que, contra adversários compactos e defensivos como os que a Argentina deve enfrentar nas fases eliminatórias, o técnico tende a optar por apenas um centroavante de referência.
O que Scaloni decide quando Argentina x Argélia começar em Kansas City
A estreia da Argentina na Copa do Mundo 2026 está marcada para 16 de junho, contra a Argélia, em Kansas City, às 22h. Depois, a seleção enfrenta a Áustria em 22 de junho, em Dallas, e fecha a fase de grupos contra a Jordânia em 27 de junho, também em Dallas. São adversários de nível variado — e a escolha do centroavante titular pode mudar de jogo para jogo.
Contra a Argélia, que tem uma linha defensiva organizada e pressing médio, Álvarez tende a ser favorito pela capacidade de pressionar a saída de bola e criar desequilíbrio em espaços curtos. Contra a Áustria, time europeu com marcação mais agressiva, Lautaro pode ser mais efetivo como referência de área — ele tem 1,74m e vantagem física sobre zagueiros que jogam com linha alta.
Scaloni, historicamente, não revela sua escalação antes do aquecimento. Mas os dados da temporada europeia apontam para Álvarez como favorito à titularidade na fase de grupos, com Lautaro como alternativa de alto impacto vindo do banco — exatamente o papel inverso ao que viveram em 2022.
"A camisa 9 é de Julián Álvarez, que vive ótima fase na Espanha", resumiu a cobertura do ge, em matéria publicada no SportNavo.
Os números desta temporada reforçam essa leitura: 20 gols de Álvarez contra o artilheiro Lautaro na Serie A — ambos em nível máximo, mas com perfis distintos. O que Scaloni precisa definir não é quem é melhor, mas qual perfil serve melhor à Argentina em cada fase do torneio. Se a seleção chegar às quartas de final com os dois inteiros e em ritmo de jogo, a dor de cabeça do técnico vai aumentar — e isso, para a Argentina, é uma boa notícia. A estreia contra a Argélia, em 16 de junho, já será o primeiro teste real dessa equação.








