A ANRESF (Autoridade Nacional de Resolução de Entidades do Sistema Financeiro) adiou mais uma vez a implementação do Fair Play Financeiro no futebol brasileiro. A decisão, anunciada nesta quarta-feira, beneficia diretamente clubes da Série A 2026 que enfrentariam sanções severas caso as regras fossem aplicadas hoje.

O Atlético-MG lidera a lista dos mais beneficiados pelo novo prazo. O clube mineiro acumula dívidas de R$ 2,1 bilhões, sendo R$ 890 milhões apenas em empréstimos bancários contraídos entre 2022 e 2024. A folha salarial mensal supera R$ 35 milhões, representando 140% da receita bruta do período.

Vasco acumula R$ 780 milhões em passivos

O Vasco da Gama aparece na segunda posição entre os clubes que violariam as regras atuais. O cruz-maltino possui passivos de R$ 780 milhões, com déficit operacional de R$ 120 milhões registrado no último balanço. A 777 Partners investiu R$ 700 milhões no clube, mas os recursos não cobriram o rombo financeiro acumulado.

O Cruzeiro, recém-promovido à Série A, também seria enquadrado nas penalizações. A Raposa deve R$ 650 milhões e mantém folha salarial de R$ 18 milhões mensais. Pedro Lourenço, dono da SAF, já aportou R$ 400 milhões desde 2021, mas o clube ainda opera no vermelho.

"A implementação imediata do Fair Play comprometeria a competitividade de vários clubes tradicionais", declarou fonte próxima à ANRESF.

Santos e Corinthians no radar das sanções

O Santos, mesmo na Série B, seria afetado pelas regras caso retorne à elite em 2026. O peixe acumula dívidas de R$ 480 milhões e reduziu a folha salarial para R$ 8 milhões mensais após o rebaixamento. A perda de receitas com patrocínios custou R$ 60 milhões anuais ao clube paulista.

O Corinthians figura entre os clubes monitorados, com passivos de R$ 2,3 bilhões. No entanto, o alvinegro conseguiu reestruturar parte das dívidas através da Neo Química Arena e do acordo com a Caixa Econômica Federal. A receita mensal de R$ 45 milhões permite maior margem de manobra financeira.

Regras europeias como referência

O Fair Play Financeiro brasileiro seguiria moldes similares ao modelo da UEFA. Clubes não poderiam gastar mais de 70% das receitas com folha salarial e transferências. Déficits acima de R$ 50 milhões em três anos consecutivos resultariam em sanções graduais.

As penalidades incluiriam multas de até R$ 10 milhões, redução de elenco para competições nacionais e, em casos extremos, impedimento de contratações por duas janelas. A medida visa garantir sustentabilidade financeira e competição equilibrada no futebol brasileiro.

Vasco acumula R$ 780 milhões em passivos ANRESF adia Fair Play e Atlético-MG ser
Vasco acumula R$ 780 milhões em passivos ANRESF adia Fair Play e Atlético-MG ser
"Precisamos de mais tempo para adequação dos clubes às novas exigências", justificou dirigente que pediu anonimato.

Clubes mobilizam lobby contra implementação

A pressão dos clubes sobre a ANRESF intensificou-se nas últimas semanas. Representantes de 12 agremiações da Série A reuniram-se com autoridades para solicitar prazo adicional de dois anos. O argumento central baseia-se na necessidade de reestruturação gradual dos passivos.

Flamengo e Palmeiras, com situações financeiras mais equilibradas, apoiam a implementação imediata. O rubro-negro carioca possui superávit de R$ 80 milhões e folha salarial de 45% da receita. O alviverde paulista mantém índices similares, com reservas de R$ 200 milhões em caixa.

A próxima reunião da ANRESF sobre o tema está marcada para março de 2025, quando será definido o cronograma final de implementação das regras de Fair Play Financeiro no futebol brasileiro.