Uma demolição iniciada nesta semana no setor Cel. Dulcídio Inferior da Arena da Baixada marca o começo de uma transformação que colocará o estádio curitibano em posição singular no Brasil: a instalação da primeira arquibancada retrátil em uma arena brasileira, com conclusão prevista para agosto de 2026. O projeto é fruto da parceria estratégica firmada em junho de 2025 entre o Club Athletico Paranaense e a 30e, maior companhia de entretenimento ao vivo do país.
Como a estrutura vai funcionar
A nova arquibancada será metálica, com sistema motorizado de abertura e fechamento por acionamento hidráulico — tecnologia que, até agora, não havia sido aplicada em nenhum estádio brasileiro. Os módulos estão sendo fabricados em Piracicaba, interior de São Paulo, e serão instalados gradualmente entre abril e agosto. A estrutura aproveitará as cadeiras já existentes no setor, o que reduz o volume de descarte de materiais e os custos de reposição.
O raciocínio operacional é direto: quando a Arena da Baixada precisar receber um grande show, a arquibancada recua, liberando o espaço para a montagem do palco diretamente no gramado — sem que o clube precise cancelar ou adiar partidas do futebol. Com a reconfiguração do setor, novas rotas de fuga a partir do gramado também serão implementadas, permitindo ampliar o público em eventos em aproximadamente 20% em relação à capacidade atual para espetáculos.
A Arena da Baixada já detém outro marco continental: é o único estádio da América Latina com teto retrátil. A arquibancada retrátil representa, portanto, uma segunda camada de diferenciação infraestrutural — desta vez voltada à lógica comercial dos eventos de entretenimento.
O modelo financeiro e o papel da 30e
Um aspecto relevante do projeto, do ponto de vista econômico, é que o investimento não será arcado pelo Athletico. A execução financeira é integralmente da 30e, dentro do escopo contratual firmado entre as partes. Segundo Fernando Volpato, diretor de operações do Athletico Paranaense, o arranjo reforça o posicionamento estratégico do estádio sem comprometer o caixa do clube:
"A Arena da Baixada já é uma referência em eventos no país. Agora, será a arena multieventos mais completa do Brasil. Essa inovação será possível graças à parceria com o Grupo 30e, que acreditou em mais um projeto inovador do clube."
A representante da 30e também definiu o escopo da parceria de forma que vai além da simples ocupação da agenda do estádio:

"A parceria da 30e com a Arena da Baixada vai além de uma gestão de agenda de shows. Queremos oferecer a melhor experiência aos fãs de música e ao público do clube. Por isso, temos o cuidado de investir na infraestrutura das casas em que somos parceiros."
Conforme levantamento do SportNavo, esse modelo — no qual a produtora de eventos banca a adequação infraestrutural do estádio parceiro — ainda é pouco comum no futebol brasileiro, onde a maioria dos contratos entre clubes e promotoras se limita à divisão de receitas de bilheteria e patrocínio, sem contemplar obras permanentes.
Impacto nos sócios e no calendário imediato
Os torcedores com plano Furacão no setor Cel. Dulcídio Inferior foram os primeiros afetados pelas obras. O Athletico estabeleceu um período exclusivo de dois dias para que esses sócios escolham outro assento disponível no estádio antes de a venda ser aberta ao público geral. A medida segue um protocolo de gestão de relacionamento com o torcedor que minimiza atritos institucionais durante obras de grande porte.
Com as obras já em andamento, o clube recebe o Grêmio no sábado, às 20h30, pela 14ª rodada do Campeonato Brasileiro — primeiro teste logístico da convivência entre a reforma e a operação normal de jogos. A análise do SportNavo aponta que a capacidade do setor em obras não deverá comprometer o volume de público nas partidas, já que a venda foi redirecionada para outros setores do estádio.
Em paralelo à arquibancada retrátil, a Arena da Baixada receberá um novo gramado entre junho e julho, com investimento estimado em R$ 4 milhões. A troca foi programada para coincidir com o período da Copa do Mundo, quando o calendário doméstico estará paralisado, garantindo que as duas intervenções não se sobreponham operacionalmente. Ao término das obras, em agosto, o estádio deverá estrear a nova estrutura já com a temporada de shows do segundo semestre em vista.








