O procedimento no joelho que afastará Neymar da Copa Sul-Americana representa mais que um simples desfalque técnico para o Santos. A ausência da principal estrela alvinegra em competição que distribui US$ 2,5 milhões ao campeão pode custar ao clube entre R$ 10 milhões e R$ 15 milhões em receitas diretas e indiretas, segundo projeções do departamento financeiro santista.

O peso da estrela nas receitas do clube

Desde o retorno ao Brasil, Neymar movimentou R$ 40 milhões em novos contratos de patrocínio para o Santos. A Blaze, casa de apostas que estampa o uniforme alvinegro, pagou R$ 25 milhões anuais pelo naming rights, valor 300% superior ao acordado anteriormente com a Pixbet. O contrato prevê bônus de R$ 2 milhões por classificação em competições continentais, desde que Neymar esteja em campo.

"Neymar passou por procedimento no joelho e vai desfalcar o Santos na Sul-Americana", confirmou o técnico Cuca em entrevista coletiva.

A Nike, fornecedora oficial do clube desde 2019, também incluiu cláusulas específicas sobre a participação do astro. O contrato de R$ 12 milhões anuais estipula bônus de 40% em vendas de camisas quando Neymar atua em jogos transmitidos nacionalmente. Apenas na estreia contra o Deportes Iquique, o Santos venderia aproximadamente 15 mil unidades da camisa 10.

Impacto na audiência e direitos de transmissão

A Conmebol TV paga R$ 8 milhões aos clubes brasileiros pela transmissão da Sul-Americana, mas o valor pode dobrar conforme a audiência. Jogos com Neymar registram média de 2,5 milhões de telespectadores no Brasil, contra 800 mil em partidas convencionais do Santos. Essa diferença representa R$ 3 milhões adicionais em cotas de TV para o clube paulista.

O Grupo Globo, detentor dos direitos no Brasil, já sinalizou redução de 30% no valor pago por jogos sem a presença do camisa 10. Historicamente, o Santos arrecadou R$ 45 milhões na Libertadores de 2011 - com Neymar aos 19 anos - contra R$ 18 milhões na edição de 2021, sem grandes estrelas no elenco.

O peso da estrela nas receitas do clube Ausência de Neymar na Sul-Americana pode
O peso da estrela nas receitas do clube Ausência de Neymar na Sul-Americana pode

Precedentes históricos e comparações financeiras

A situação lembra 2013, quando Neymar se machucou véspera da final da Libertadores contra o Atlético Mineiro. O Santos perdeu por 2 a 0 no Mineirão e deixou de arrecadar R$ 25 milhões em premiação e bonificações. Dez anos depois, os valores inflacionados tornam o cenário ainda mais dramático para as finanças alvinegras.

Pelé, maior ídolo santista, perdeu apenas três jogos por lesão em competições continentais entre 1960 e 1974. Nessas ocasiões, o Santos foi eliminado precocemente: quartas de final da Libertadores 1965 e oitavas da Copa dos Campeões 1968. Robinho, último grande astro antes de Neymar, desfalcou o Peixe em 12 partidas da Libertadores 2004 por negociações com o Real Madrid.

Estratégias para minimizar prejuízos

O departamento de marketing santista acelera campanhas com outros jogadores do elenco. Guilherme e Soteldo, principais nomes após Neymar, já gravam comerciais para parceiros institucionais. A Umbro, fornecedora de material esportivo, antecipou o lançamento da terceira camisa para compensar quedas nas vendas da camisa 10.

A Sul-Americana 2024 distribui US$ 23 milhões em premiação total, sendo US$ 2,5 milhões ao campeão. O Santos estreia contra o Deportes Iquique, do Chile, em 19 de março, no Pacaembu, precisando reverter expectativas financeiras sem seu principal ativo comercial desde a década de 1960.