O presidente do Flamengo, Luiz Eduardo Baptista (Bap), criticou duramente a possível venda da SAF do Vasco para Marcos Lamacchia, enteado de Leila Pereira. A operação de R$ 2 bilhões levanta suspeitas sobre conflito de interesses envolvendo a Crefisa e o clube cruz-maltino.
Lamacchia é filho de José Roberto Lamacchia, dono da financeira Crefisa e casado com a presidente do Palmeiras. O empresário negocia há meses a aquisição de 90% da Vasco SAF por pouco mais de R$ 2 bilhões.

Empréstimo da Crefisa gera desconfiança
Durante evento do Comitê Brasileiro de Clubes, Bap questionou as condições do empréstimo de R$ 80 milhões que a Crefisa concedeu ao Vasco no ano passado. A operação usou 20% das ações da Vasco SAF como garantia.
"Que instituição financeira vai emprestar dinheiro pra vocês e pedir como garantia o título da dívida? Quem faria isso? Só quem quiser tomar conta da casa. Só olhar o empréstimo da Crefisa ao Vasco e a garantia solicitada"
O mandatário rubro-negro comparou a situação com práticas bancárias tradicionais. Segundo ele, um banco convencional pediria ativos físicos como garantia, não as próprias ações da empresa devedora.
"Se eu fosse banqueiro, pediria o estádio de São Januário, que é um ativo real, como garantia. Quem pediria as ações da SAF como garantia? Talvez quem queira assumir a SAF do Vasco"
Trama familiar no centro da polêmica
A estrutura familiar da operação chamou atenção de dirigentes do futebol brasileiro. Marcos Lamacchia é enteado de Leila Pereira, que comanda o Palmeiras desde dezembro de 2021. A Crefisa, empresa da família, é patrocinadora máster do clube paulista desde 2015.
O SportNavo apurou que o empréstimo da Crefisa ao Vasco foi fundamental para a sobrevivência financeira do clube carioca em 2024. A operação permitiu que o cruz-maltino quitasse dívidas urgentes e mantivesse o funcionamento básico.
Dirigentes de outros clubes da Série A acompanham o desenrolar da negociação com atenção. A concentração de poder em grupos empresariais específicos preocupa associações tradicionais do futebol brasileiro.
Comitê Brasileiro mobiliza clubes tradicionais
Bap participou do evento do Comitê Brasileiro de Clubes, movimento que reúne associações sem fins lucrativos contra a tributação diferenciada das SAFs. O Flamengo lidera a resistência à mudança no modelo de gestão do futebol nacional.
O comitê argumenta que as SAFs têm vantagens tributárias significativas em relação aos clubes tradicionais. A diferença de tributação pode chegar a 15 pontos percentuais, segundo cálculos da entidade.
Presidentes de Grêmio, Internacional, Athletico-PR e Cruzeiro apoiam a mobilização do Flamengo. Os dirigentes defendem isonomia tributária entre todos os modelos de gestão no futebol brasileiro.
Impacto no cenário nacional
A polêmica envolvendo Vasco, Palmeiras e Crefisa expõe a complexidade das relações financeiras no futebol brasileiro. O caso pode influenciar futuras regulamentações sobre SAFs e empréstimos entre empresas ligadas a clubes.
A Confederação Brasileira de Futebol ainda não se posicionou oficialmente sobre possíveis conflitos de interesse na operação. A entidade monitora o desenvolvimento das negociações entre as partes envolvidas.
O Vasco depende da aprovação dos sócios para concretizar a venda de 90% da SAF. A assembleia que definirá o futuro do clube está marcada para as próximas semanas, quando os associados votarão a proposta de Lamacchia.








