6 vitórias consecutivas contra o Irã na história da VNL — esse é o número que o Brasil carrega para a quadra do Maracanãzinho nesta quarta-feira (11), quando estreia na Liga das Nações 2026 às 17h30. Mas o dado mais relevante não está no retrospecto favorável contra os iranianos. Está no que mudou dentro do próprio grupo verde e amarelo: pela primeira vez em anos, Bruninho e Lucão não estarão em quadra — não por lesão, mas por aposentadoria da seleção após os Jogos de Paris 2024.
O vazio deixado por Paris e o recomeço no Maracanãzinho
A eliminação nas quartas de final das Olimpíadas de Paris 2024, com derrota para os Estados Unidos por 3 sets a 1, encerrou um ciclo. Bruninho, Lucão e Leal se despediram da seleção após os Jogos, abrindo espaço para uma reformulação que Bernardinho começou a esboçar ainda no segundo semestre de 2025. Lucarelli, o mais velho do atual grupo e capitão na maioria dos jogos da última VNL, também está fora da primeira semana por conta de uma lesão no ombro — o que torna a renovação ainda mais visível nos primeiros dias da competição.
A lista de convocados para a semana do Rio de Janeiro revela a extensão da transição. Na posição de levantador, o nome que chama atenção é Cachopa, que defende o Vero Volley Milano, da Itália, e assume a responsabilidade de organizar o jogo brasileiro sem a referência histórica de Bruninho. Ao lado dele, Rhendrick, do Joinville, completa a dupla de distribuidores. Nos opostos, Alan (Skra Bełchatów-POL), Chizoba (Stilon Gorzów-POL) e Darlan (Verona-ITA) formam um trio com experiência internacional, mas ainda em construção dentro do sistema de Bernardinho.
Flávio como capitão e o novo centro de gravidade da seleção
Com Lucarelli fora, o central Flávio assumiu a braçadeira de capitão para a primeira semana da VNL 2026 — função que na edição anterior era dividida entre Bruninho e o próprio Lucarelli. A escolha de Bernardinho não é casual. Flávio tem sido um dos pilares do time nos últimos ciclos e, ao ganhar o posto de liderança, ganha também protagonismo simbólico num momento de transição. Em entrevista divulgada pela CBV antes da estreia, o central falou sobre o novo papel:
"É uma responsabilidade grande, mas estou pronto para assumir isso. O grupo está unido e motivado para começar bem essa VNL."
Nos ponteiros, Lukas Bergmann (Sesi Vôlei), Arthur Bento (Modena-ITA), Paulo (Praia Clube) e Honorato (Malow Suwałki-POL) formam um quarteto diversificado entre mercado nacional e europeu. Nos centrais, Geovane Kuhnen (Guarulhos), Matheus Pinta (São José) e Thiery (Sesi Bauru) completam o setor. O líbero Maique, do Guarulhos, fecha o elenco da primeira semana.
A lógica de Bernardinho para o ciclo olímpico de Los Angeles
Bernardinho não está apenas testando jogadores — está construindo uma identidade coletiva para um ciclo que termina em 2028. A lógica por trás das convocações desta primeira semana segue um padrão claro: priorizar atletas com experiência em ligas europeias competitivas (Milano, Modena, Verona, Skra, Malow Suwałki) combinados com jogadores do mercado nacional que conhecem o sistema. Darlan, por exemplo, já tem passagens pela seleção em competições como Mundial e Olimpíadas, o que garante alguma continuidade no grupo.
A VNL 2026 é a sétima edição da competição. Rússia e França lideram o histórico com dois títulos cada. Brasil e Polônia têm um título cada — o brasileiro conquistado em 2021. Agora, o objetivo declarado é o bicampeonato, mas, em matéria do SportNavo, o que se percebe na análise do elenco é que Bernardinho está usando a VNL como laboratório: testar combinações, identificar quem sustenta a pressão de um jogo internacional e calibrar o sistema para o que vem depois.
O serviço de Cachopa, por exemplo, funciona como uma rajada de vento que desce em linha reta — potente, mas ainda sem a curva imprevisível que Bruninho imprimia ao jogo. Essa é exatamente a variável que Bernardinho precisa desenvolver nos próximos dois anos.
Irã, Cuba, Ucrânia e Eslovênia no horizonte imediato
Nas seis edições anteriores da VNL, o Brasil nunca perdeu um jogo para o Irã — 18 sets vencidos contra 8 perdidos no total do histórico. A estreia desta quarta-feira tem, portanto, um adversário tecnicamente controlável para o grupo calibrar entrosamento. O desafio maior virá já na quinta-feira (12), contra Cuba, único adversário da primeira semana que tem vantagem histórica sobre o Brasil na VNL: dois jogos, duas vitórias cubanas.
Depois da semana no Maracanãzinho — que ainda inclui Ucrânia (sábado, 14/06) e Eslovênia (domingo, 15/06) —, a seleção viaja para Chicago para a segunda semana da fase classificatória, onde enfrenta Canadá, China, Itália e Polônia entre os dias 25 e 29 de junho. A terceira semana será no Japão, em Chiba, em julho.
Às 17h30 desta quarta, Flávio entra em quadra com a braçadeira no braço e um grupo sem seus maiores nomes históricos. A arena do Maracanãzinho vai ver, em tempo real, se o novo Brasil de Bernardinho já tem pernas para andar sozinho.








