Pode o Brasil bater a Itália na Liga das Nações sem Gabrielle Guimarães em quadra? A pergunta que qualquer torcedor de vôlei faz neste domingo (7/6) não tem resposta simples — e a história da seleção feminina, com seus ciclos de reinvenção, ensina que a ausência de um nome grande raramente é sentença de derrota.

O técnico José Roberto Guimarães definiu 14 jogadoras para o confronto das 14h30 no Ginásio Nilson Nelson, em Brasília, e Gabi não está entre elas. A lista de opostas traz Rosamaria, Jheovana, Kisy e Tainara — um quarteto que precisará, coletivamente, preencher o espaço de quem foi a principal pontuadora da seleção nos últimos ciclos. O jogo terá transmissão pelo SporTV 2, GE TV, VBTV e pelo YouTube do Web Vôlei, conforme registrado pelo SportNavo.

O peso da ausência de Gabi e o que a VNL já mostrou nesta temporada

Gabi Guimarães não participou da primeira semana da VNL, disputada no Rio de Janeiro, e também ficou de fora do grupo para a segunda semana em Istambul, onde o Brasil enfrentou a Bélgica. A tendência, segundo a comissão técnica, era de que ela fosse acionada ao longo da etapa turca — mas o confronto contra a Itália em Brasília chegou sem que a ponteira do Lyon fosse reintegrada ao grupo. A seleção terminou a primeira semana na quinta colocação da tabela, com 8 pontos, o que indica um arranque sólido, porém ainda distante das potências que dominam o topo do ranking.

A Itália, por sua vez, é adversária de respeito histórico para o Brasil. As azzurre foram finalistas do Campeonato Mundial de 2022, perdendo para o Brasil em Apeldoorn, e construíram ao longo da última década uma das rotas táticas mais sofisticadas do vôlei feminino europeu, com bloqueio organizado e distribuição de bola veloz. Enfrentá-las sem a principal referência ofensiva da seleção exige que Zé Roberto distribua as responsabilidades de ataque de forma equilibrada — e é exatamente aí que Rosamaria entra como peça central do quebra-cabeça.

Rosamaria como oposta e o que sua presença na lista significa taticamente

A principal novidade da convocação para esta etapa é justamente a oposta Rosamaria, que já havia sido incluída na lista para o duelo contra a Bélgica em Istambul. Sua presença não é acidental: Rosamaria tem perfil de oposta com capacidade de ataque em primeiro tempo e aproveitamento em bolas de pressão — características que Zé Roberto valoriza quando precisa de uma jogadora que não dependa exclusivamente do levantamento de Macris para pontuar.

O ditado popular diz que quem não tem cão caça com gato — e no vôlei de alto nível, essa lógica se traduz na capacidade de um elenco de redistribuir protagonismo sem perder eficiência. Rosamaria terá ao lado dela Júlia Bergmann e Helena nas pontas, além das centrais Diana, Júlia Kudiess e Lorena para pressionar no bloqueio e no ataque de primeiro tempo. A levantadora Macris, que já demonstrou nesta VNL a habilidade de variar o jogo e evitar a previsibilidade, será a responsável por orquestrar essa distribuição.

Qual é, afinal, o ponto mais vulnerável da Itália que o Brasil pode explorar com esse elenco?

O que o Brasil precisa resolver em quadra para sair com a vitória no Nilson Nelson

A resposta passa pela diagonal. A Itália costuma montar seu bloqueio duplo sobre a oposta adversária quando identifica repetição de padrão — e é exatamente por isso que a variação entre Rosamaria e as ponteiras será determinante. Se Macris conseguir alternar o jogo entre diagonal e as bolas de fundo para Bergmann, a pressão sobre a oposta italiana se dilui e o Brasil recupera espaço para o contra-ataque.

Nas líberos, a lista conta com Laís e Marcelle, dupla experiente que oferece segurança na recepção — fundamento que historicamente define o ritmo dos sets contra equipes europeias de alto nível. Quando o Brasil recebe bem, Macris tem liberdade para surpreender, e a Itália, que prefere impor seu ritmo com saques pesados, perde a principal ferramenta de pressão.

Zé Roberto, um dos técnicos com maior número de medalhas olímpicas no vôlei feminino mundial — ouro em Atenas 2004 e Pequim 2008, prata em Londres 2012 e Rio 2016 —, já demonstrou ao longo da carreira que sabe administrar ausências sem desmontar a estrutura coletiva. Segundo a comissão técnica brasileira, a intenção é usar esta etapa de Brasília para consolidar o entrosamento do grupo antes da fase final em Lodz, na Polônia, prevista para 24 a 27 de julho, quando as oito melhores equipes da VNL disputarão o título. O Brasil precisa se manter entre essas oito — e uma vitória sobre a Itália neste domingo seria um passo decisivo nessa direção.