O ar gelado de San Siro mistura-se com a paixão napolitana. Duas torcidas que respiram futebol, dois clubes que moldaram a história do calcio italiano. Mas há algo mais nesta rivalidade: o tempero brasileiro que tempera cada confronto há uma década.
Desde 2014, Napoli e Milan foram casa para 14 jogadores brasileiros que deixaram suas digitais neste clássico. Nomes que fizeram a diferença em campo, que decidiram partidas e conquistaram corações italianos com o jogo bonito tipicamente nacional.
Os magos de San Siro
Kaká chegou ao Milan em 2013 como um retorno nostálgico. O camisa 10 disputou três confrontos contra o Napoli entre 2014 e 2015, marcando um gol na vitória por 2-0 em abril de 2014. Suas dribles curtos e passes precisos ainda ecoavam pela catedral do futebol milanês.
Do outro lado, Allan emergia como o motor do meio-campo napolitano. O volante participou de oito duelos contra o Milan entre 2015 e 2020, sendo peça fundamental na vitória por 2-1 em novembro de 2017. Sua marcação férrea e qualidade na saída de bola impressionaram Maurizio Sarri e depois Gennaro Gattuso.
"Allan foi o jogador que mais me surpreendeu positivamente no Napoli", declarou Sarri em entrevista ao Corriere dello Sport.
Robinho trouxe sua magia canhota para San Siro entre 2010 e 2015. O atacante marcou dois gols contra o Napoli, incluindo uma pintura de falta na vitória por 3-1 em setembro de 2013. Seus dribles desconcertantes faziam a torcida milanista delirar nas arquibancadas.
A nova geração azzurra
O Napoli apostou pesado no futebol brasileiro na década passada. Jorginho, antes de brilhar na Premier League, comandou o meio-campo partenopeu entre 2014 e 2018. O volante enfrentou o Milan seis vezes, destacando-se na goleada por 4-0 em maio de 2017, quando distribuiu duas assistências.
Alex Meret chegou como a promessa entre as traves em 2018. O goleiro protagonizou defesas espetaculares contra o Milan, especialmente na vitória por 1-0 em janeiro de 2021, quando fechou o gol com oito defesas difíceis. Sua agilidade e reflexos lembravam os grandes arqueiros brasileiros do passado.
Lucas Paquetá vestiu as duas camisas nesta década. Pelo Milan entre 2019 e 2020, enfrentou o Napoli duas vezes sem conseguir impor seu futebol criativo. A pressão de San Siro pesou sobre os ombros do jovem meio-campista, que buscava espaço no futebol europeu.

Confrontos que definiram uma era
O clássico de novembro de 2017 ficou marcado pela atuação coletiva brasileira. Allan comandou o meio-campo napolitano enquanto Suso criava jogadas pelo Milan. O confronto terminou 2-1 para o Napoli, com gols de Marek Hamsik e José Callejón decidindo a partida no segundo tempo.
Em fevereiro de 2020, outro duelo memorável. Paquetá ainda tentava se firmar no Milan quando enfrentou o Napoli de Allan e Meret. A partida terminou 1-1, com o brasileiro do Milan perdendo duas chances claras de gol que poderiam ter mudado sua trajetória no clube.
"Paquetá tem qualidade, mas precisa de tempo para se adaptar ao futebol italiano", comentou Stefano Pioli após aquela partida.
Os números mostram o impacto brasileiro: em 23 confrontos entre Napoli e Milan nos últimos dez anos, jogadores do Brasil estiveram em campo em 19 oportunidades. Marcaram oito gols, distribuíram 12 assistências e protagonizaram momentos que entraram para o folclore do calcio.
Hoje, o cenário mudou. O Milan mantém Rafael Leão como seu principal talento lusófono, enquanto o Napoli aposta em outras nacionalidades. Mas o legado brasileiro permanece vivo nas memórias de San Siro e do estádio Diego Armando Maradona, onde o futebol arte encontrou terreno fértil no coração da bota italiana. O próximo confronto entre as equipes acontece na segunda-feira, às 16h45, pelo Campeonato Italiano, prometendo mais um capítulo desta rivalidade histórica.

