A derrota de Gilbert Burns para Mike Malott no UFC Canadá marcou o fim de uma era. Aos 39 anos, Durinho pendurou as luvas do MMA após 11 anos no octógono mais famoso do mundo. Mas quem conhece o histórico competitivo do brasileiro sabe que aposentadoria não significa inatividade.
Academia na Flórida e planos empresariais
Burns já tem data marcada para sua nova empreitada empresarial. Em 1º de maio, o faixa-preta pega as chaves de sua academia na Flórida. A transição do octágono para os negócios estava nos planos há tempos, segundo revelou em vídeo no próprio canal do YouTube.
"Já tenho planos de ser empresário. Esse plano estava guardado na gaveta, agora é hora de tirar isso da gaveta e organizar. Acho que dá para ajudar muitos atletas a chegarem no UFC"
O modelo de negócio faz sentido pelos números. Burns acumulou experiência como manager informal de diversos brasileiros durante sua carreira no UFC. Agora pretende formalizar essa atividade, criando uma ponte entre talentos nacionais e as grandes organizações de MMA.
Volta competitiva aos tatames
A aposentadoria do MMA não significa fim da carreira competitiva. Burns confirmou participação no Mundial Master de jiu-jitsu, marcado para agosto. Aos quase 40 anos, o objetivo é claro: conquistar o título mundial na categoria master.

Os números justificam a confiança. Burns foi campeão mundial de jiu-jitsu em 2011 e medalhista de bronze no ADCC em 2015. Sua base na arte suave sempre foi sólida - 63% de suas vitórias no MMA vieram por finalização, refletindo a qualidade técnica no chão.
"Esse ano é certeza que vou lutar jiu-jitsu. Tem o Mundial de Master, que é sempre em agosto. Esse é certeza que vou lutar. Quero ser campeão mundial de jiu-jitsu no master"
A estratégia de Burns para o jiu-jitsu competitivo se baseia em vantagens técnicas acumuladas. Durante 11 anos no UFC, enfrentou os melhores grapplers do mundo, refinando detalhes que poucos masters possuem. Conforme análise do SportNavo, essa experiência de alto nível pode ser decisiva contra adversários que pararam de evoluir tecnicamente.
Legado consolidado em duas modalidades
O retrospecto de Burns no UFC impressiona pelos números. Estreou em 2014 com sete vitórias consecutivas por finalização, todas antes do limite. Chegou ao auge em 2021, disputando o cinturão dos meio-médios contra Kamaru Usman. Apesar da derrota, estabeleceu-se entre a elite da categoria.
No cartel final, Burns registrou 22 vitórias e sete derrotas no MMA profissional. Dessas vitórias, 14 vieram por finalização - um aproveitamento de 63% que poucos lutadores conseguem manter. Seus principais triunfos incluem nocautes sobre Demian Maia e Stephen Thompson, demonstrando evolução técnica constante.
A transição do jiu-jitsu para o MMA em 2012 provou ser acertada. Burns conseguiu o que poucos atletas alcançam: excelência em duas modalidades diferentes dos esportes de combate. Agora, aos 39 anos, planeja repetir o feito na direção inversa.
Cronograma definido para 2025
O calendário de Burns para 2025 já está estruturado. A academia na Flórida abre em maio, seguida pela preparação intensiva para o Mundial Master em agosto. Paralelamente, desenvolverá a empresa de management, aproveitando contatos acumulados durante a carreira no UFC.
A estratégia empresarial foca em lutadores brasileiros com potencial internacional. Burns conhece as dificuldades de adaptação nos Estados Unidos e pretende facilitar essa transição para novos talentos. O Mundial Master de agosto será o primeiro teste competitivo dessa nova fase, com Burns determinado a provar que a volta ao jiu-jitsu pode render frutos imediatos.

