Cinco derrotas consecutivas. Esse é o número que define, hoje, a passagem de Mayra Sheetara pelo UFC — e que ficou ainda mais pesado no último sábado, 25, quando a brasileira foi dominada por Michelle Montague no UFC Vegas 116, em Las Vegas, cedendo a derrota por decisão unânime dos três juízes para uma rival que entrou no octógono ainda invicta no MMA profissional. O resultado não apenas interrompeu qualquer esperança de reação: jogou Sheetara numa situação crítica dentro da organização.
Uma luta de três tempos — e de uma só dona
Do primeiro ao terceiro round, o combate foi narrado de maneiras diferentes, mas com o mesmo protagonista. Montague abriu o confronto no modo monólogo: marchando para frente sem hesitação, derrubou Mayra logo nos primeiros segundos e passou a trabalhar com ground and pound na meia guarda, golpeando por cima enquanto a brasileira gastava energia tentando raspar. Sheetara até ensaiou uma chave de calcanhar, sem êxito. O round foi amplamente da neozelandesa.
No segundo assalto, a história ganhou uma virada de roteiro. Mais ativa em pé, Mayra evitou a queda e encaixou um cruzado limpo. Montague respondeu com um direto, e as duas foram ao solo novamente. Num momento de descuido da rival, Sheetara chegou perigosamente perto de uma finalização via estrangulamento — o pescoço da neozelandesa ficou exposto por alguns segundos. No berimbolo que se seguiu, a brasileira caiu por baixo, mas tentou um kimura que foi bem defendido. A parcial ainda ganhou um capítulo bizarro: Mayra acertou uma pedalada involuntária no rosto de Montague, forçando o árbitro Herb Dean a pausar a luta, mas sem dedução de pontos. O round terminou em clinch, sem vencedora clara.

O terceiro round enterrou qualquer ambiguidade. Montague mergulhou nas pernas de Sheetara, conseguiu a queda e, mesmo depois de uma bela raspada da brasileira que momentaneamente inverteu a posição, retomou o controle graças a um erro técnico de Mayra — que retirou os ganchos das costas da rival, permitindo que ela escapasse e caísse por cima. Uma chuva de cotoveladas pela atleta da American Top Team fechou o trabalho. A decisão unânime foi apenas protocolar.
O que explica a sequência de cinco derrotas
Para entender o colapso de Mayra Sheetara dentro do UFC, a análise do SportNavo mostra que o problema não é pontual — é sistêmico. Ao longo das cinco derrotas consecutivas, um padrão se repete: a brasileira apresenta lampejos técnicos, especialmente na luta agarrada, onde seu jiu-jítsu ainda produz momentos de perigo real para qualquer adversária. Mas erros de tomada de decisão dentro do combate, combinados com um condicionamento físico inferior ao das rivais nos rounds finais, têm custado lutas que poderiam ser competitivas.
Contra Montague, o erro no terceiro round foi emblemático: ao tirar os ganchos das costas da neozelandesa num momento em que tinha posição dominante, Sheetara não apenas perdeu a vantagem, mas entregou o round de bandeja. É o tipo de equívoco técnico que não se espera de uma atleta experiente — e que, repetido ao longo de uma sequência tão negativa, sugere algo mais profundo do que simples azar ou adversárias difíceis.
A derrota para Montague tem um agravante simbólico: a neozelandesa era invicta no MMA profissional até aquele momento, e seguiu assim depois de sábado. Ser a atleta que serviu de trampolim para uma novata manter sua invencibilidade é o tipo de dado que o UFC leva em conta na hora de montar cartelas e, mais importante, na hora de cortar atletas do roster.
O futuro de Mayra no UFC está em xeque
Na avaliação do SportNavo, a situação de Mayra Sheetara dentro do UFC é a mais delicada de sua carreira. Cinco derrotas seguidas representam, historicamente, um nível de tolerância que a organização raramente ultrapassa sem tomar alguma decisão — seja um corte direto, seja uma renegociação contratual que essencialmente coloca a atleta em modo de aviso final. O Ultimate não costuma ser generoso com sequências dessa extensão, independentemente do que a atleta mostre dentro do cage.

O ranking da divisão feminina de peso-palha segue movimentado, com nomes disputando posição e novas contendoras surgindo a cada evento. Para Mayra retornar a alguma relevância no divisional, precisaria encadear vitórias — e, antes disso, demonstrar evolução concreta nos aspectos táticos que repetiram problemas ao longo de cinco lutas consecutivas. Sem uma guinada clara de desempenho, uma eventual demissão do contrato deixa de ser especulação para se tornar um desfecho lógico. A próxima luta de Sheetara, se houver uma dentro do UFC, será praticamente um teste eliminatório.








