Quantas seleções já chegaram a uma Copa do Mundo carregando ao mesmo tempo o título europeu mais recente, o elenco mais jovem entre os favoritos e a melhor avaliação dos principais portais especializados do planeta? A pergunta, feita agora, tem uma resposta única: a Espanha de Luis de la Fuente. Tanto o The Athletic quanto o Goal.com colocam os espanhóis no primeiro lugar de seus rankings de favoritos ao título da Copa do Mundo de 2026, e os critérios que justificam essa posição vão muito além do prestígio recente.
A última vez que uma seleção chegou a um Mundial com tamanho consenso de favoritismo foi em 2010 — e era a própria Espanha, que venceu o torneio na África do Sul batendo a Holanda por 1 a 0 na prorrogação. Agora, 16 anos depois, o ciclo se fecha com uma geração diferente, mas com a mesma arquitetura de jogo: posse, pressão alta e transição rápida. A Euro 2024 foi vencida com seis vitórias em seis jogos, algo que nenhuma outra seleção havia feito na história do torneio.
Lamine Yamal e o arsenal ofensivo que coloca a Espanha à frente de todos
O único ponto de interrogação que os analistas apontam sobre a seleção espanhola é físico, não tático. Lamine Yamal — na verdade, o winger Lamine Yamal, não confundir — chegou ao torneio com uma lesão que gerou dúvidas sobre sua disponibilidade. Ainda assim, a avaliação do The Athletic é que o problema não deve comprometê-lo na fase de grupos. Como registrado pelo SportNavo ao longo desta temporada europeia, Yamal foi o jogador mais decisivo da La Liga 2025/2026 em termos de participações diretas em gols entre atletas menores de 20 anos.

"O único problema da Espanha parece ser a condição física de Lamine Yamal, mas parece que ele vai jogar durante a fase de grupos. Em teoria, os campeões da Euro 2024, com seu arsenal de talento jovem e ofensivo, pode ter até espaço para evoluir em relação a dois anos atrás", escreveu o The Athletic.
Reparemos no detalhe: o portal americano não apenas coloca a Espanha em primeiro, mas sugere que o time ainda tem margem de crescimento. Isso é algo que não se dizia da Espanha de 2010, considerada no limite de seu potencial já na fase de grupos. A geração atual tem média de idade inferior à daquela equipe e, ao contrário do que ocorreu em 2014 e 2018 — quando os espanhóis caíram precocemente —, chegou ao torneio sem uma crise interna visível.
Brasil em quarto e o peso da aposta em Ancelotti
No ranking do The Athletic, o Brasil aparece na quarta colocação, atrás de Espanha, França e Argentina. A avaliação da publicação americana é que Carlo Ancelotti representa o principal diferencial da Seleção Brasileira neste momento — não pelo sistema tático, mas pela capacidade de gerir vestiários complexos. O italiano, que venceu a Champions League em quatro oportunidades com três clubes diferentes, é descrito como um especialista em conduzir grupos de estrelas à glória.
"O grande debate sobre o time do Brasil foi a inclusão de Neymar, o que pareceu um pouco como um detalhe à parte e mascarou o fato de que o restante da convocação de Ancelotti parece extremamente forte. Há algumas questões nas laterais, mas, sob o comando de um homem que exala calma e é especialista em guiar grupos de estrelas rebeldes à glória, o Brasil tem uma grande chance", afirmou o portal.
A menção a Neymar como "detalhe" é reveladora. Em 2022, no Catar, a lesão do camisa 10 na fase de grupos foi tratada como catástrofe nacional. Agora, a percepção mudou: a convocação de Ancelotti é considerada forte o suficiente para que a presença ou ausência de um único jogador — mesmo Neymar — não defina o destino do time. O Brasil não vence uma Copa do Mundo desde 2002, quando Ronaldo marcou os dois gols da final contra a Alemanha em Yokohama.
Argentina defende o título com Messi e a França ameaça um terceiro final consecutivo
Entre os favoritos do The Athletic, a Argentina de Lionel Messi aparece em terceiro, com a missão de defender o título conquistado no Catar em 2022 — quando a albiceleste bateu a França nos pênaltis após empate em 3 a 3 no tempo regulamentar e na prorrogação, numa das finais mais dramáticas da história do torneio. Nenhuma seleção venceu Copas consecutivas desde o Brasil em 1958 e 1962.
A França, colocada em segundo lugar pelo The Athletic, chegaria a uma terceira final consecutiva se repetir as campanhas de 2018 e 2022 — feito que nenhuma seleção alcançou desde a Alemanha Ocidental entre 1982 e 1990. O Goal.com também destaca o poder ofensivo francês como argumento para esse favoritismo. Portugal, com Cristiano Ronaldo em sua última Copa, e a Alemanha de Julian Nagelsmann completam o grupo das seleções consideradas capazes de chegar às fases decisivas, segundo os dois portais. A Inglaterra aparece em quinto no ranking do The Athletic, ainda carregando 60 anos sem um título mundial desde 1966.
É o mesmo cenário que a Espanha viveu em 2008 — chegando à Euro como favorita após anos de promessas não cumpridas, com o mundo desconfiando se o talento se converteria em troféu. Só que agora a aposta é diferente: desta vez, a geração já tem uma Euro no bolso, e a Copa começa no dia 11 de junho com a seleção espanhola como a mais cotada de todas as 48 participantes.








