— Cara, acho que o Ancelotti já sabe o time que vai jogar contra o Marrocos.
— Sabe não. Ele já confirmou.
— Sério? E quem entra no lugar do Wesley?

Essa conversa aconteceu em bares de todo o Brasil na noite de sábado, após a vitória por 2 a 1 sobre o Egito, em Cleveland. E a resposta para a terceira pergunta resume o que Ancelotti deixou claro na coletiva: Danilo, do Flamengo, é o nome.

Ancelotti bate o martelo e descarta suspense sobre a escalação

Após o apito final em Cleveland, Carlo Ancelotti foi direto ao ponto. O treinador italiano afirmou que a escalação para a estreia contra o Marrocos, no próximo sábado, dia 13, já está definida. Sem mistério, sem jogo de cena. Para quem ainda esperava uma última dúvida, o técnico encerrou a discussão:

Ancelotti bate o martelo e descarta suspense sobre a escalação Como Ancelotti fe
Ancelotti bate o martelo e descarta suspense sobre a escalação Como Ancelotti fe
"A equipe jogou bem. Em 60 minutos, a equipe jogou com intensidade, ritmo, qualidade e organização. Muita intensidade na pressão… Ficamos satisfeitos por isso", afirmou Ancelotti.

Mas o próprio treinador reconheceu que o Brasil não foi impecável durante os 90 minutos. Na reta final do amistoso, com a vantagem de 2 a 1 no placar, a seleção perdeu o controle da posse e passou a forçar jogadas em profundidade sem necessidade.

"Nos últimos 30 minutos, a equipe precisava ter mais controle, assegurar mais a posse. Forçamos um pouco mais o ataque na profundidade, mas não precisávamos disso. Já estávamos ganhando", avaliou o técnico.

Esse ponto técnico importa muito quando olhamos para o PPDA — passes permitidos por ação defensiva, métrica que mede a intensidade do pressing de uma equipe. Nos primeiros 60 minutos contra o Egito, o Brasil sustentou um PPDA baixo (o que indica pressão alta e eficiente), mas esse índice subiu consideravelmente na fase final da partida, confirmando exatamente o que Ancelotti descreveu na fala acima.

O que os números de Vinicius e Raphinha revelam sobre o lado esquerdo

O destaque ofensivo mais comentado da noite foi a combinação entre Vinicius Junior e Raphinha pelo setor esquerdo. Ancelotti foi enfático ao elogiar a parceria:

"Acho que a dupla Vinicius e Raphinha funcionou muito bem. Combinaram bem e tivemos oportunidades por ali. Acho que os dois foram muito bons", disse o técnico.

Do ponto de vista analítico, o que chama atenção nessa dupla é o volume de progressive passes — passes que avançam pelo menos 10 metros em direção ao gol adversário — gerados pelo corredor esquerdo. Raphinha, acostumado a ocupar posições interiores pelo Barcelona na temporada 2025/2026, funcionou como um segundo organizador no meio-campo avançado, enquanto Vinicius explorou a profundidade e criou situações de xG (expected goals) real.

Para ter uma referência: duplas de corredor que geram xA (expected assists) acima de 0,3 combinados por jogo costumam ser entre as mais produtivas em Copas do Mundo. Não há dado oficial divulgado pela CBF para esse amistoso, mas pela frequência de finalizações originadas do lado esquerdo, a estimativa qualitativa está dentro dessa faixa. Pense nisso como uma banda de jazz em que o pianista e o saxofonista improvisam na mesma tonalidade — individualmente bons, mas juntos criam algo que o adversário não consegue prever.

Danilo garante vaga e Marquinhos volta contra a Croácia

A lesão de Wesley foi o ponto mais delicado da noite. O lateral-direito da Roma saiu de campo ainda no primeiro tempo com dores musculares, deixando o gramado chorando. Ancelotti confirmou que o departamento médico aguardava exames para dar um diagnóstico mais preciso, mas a situação era preocupante o suficiente para que o treinador acionasse o plano B imediatamente.

E o plano B tem nome e clube: Danilo, capitão do Flamengo. O jogador entrou no lugar de Wesley e não apenas cumpriu a função defensiva, como demonstrou leitura tática acima da média para uma situação de emergência. No contexto das defensive actions — métrica que soma interceptações, duelos ganhos e recuperações de bola por 90 minutos — Danilo sempre apresentou números consistentes na seleção, o que justifica a confiança de Ancelotti na convocação.

Já para o segundo amistoso da preparação, contra a Croácia, o técnico sinalizou uma novidade positiva: a volta de Marquinhos à titularidade. O zagueiro do PSG, que não enfrentou o Egito, deve retomar sua posição na zaga central, reforçando a solidez defensiva que o Brasil vai precisar contra um adversário europeu de alto nível técnico, acostumado a explorar espaços com transições rápidas.

O Brasil está pronto para a estreia no Mundial

A análise dos dois amistosos de preparação — a goleada anterior e a vitória por 2 a 1 sobre o Egito — aponta para um Brasil que entendeu o que Ancelotti quer. A equipe oscila entre um bloco médio bem estruturado e momentos de pressão alta, e essa variação de comportamento defensivo é justamente o que torna o time difícil de ler para adversários que precisam de tempo para montar seu jogo.

Ao lado de Ronaldo Fenômeno e Rivaldo durante os dias de preparação nos EUA, Ancelotti pôde trocar referências com dois ícones que ele próprio treinou no Real Madrid. A presença dos dois ídolos no ambiente da seleção, segundo apurou o SportNavo, serviu também como motivação para o grupo entender o peso histórico da camisa.

O time que deve começar contra o Marrocos no dia 13 de junho tem Danilo na lateral direita, Marquinhos na zaga (após retorno contra a Croácia), e a dupla Vinicius-Raphinha como principal referência ofensiva. A estreia no Grupo C é o primeiro teste real de que as métricas do amistoso — pressão nos 60 minutos iniciais, xG gerado pelo corredor esquerdo, controle de posse — se sustentam quando o que está em jogo é um passaporte para as oitavas de final. Em 13 de junho saberemos se Ancelotti acertou o time — ou se os últimos 30 minutos contra o Egito foram um aviso que ninguém levou a sério.