A voz estava lá, inconfundível, quando o Azteca abriu suas portas para o primeiro jogo da Copa do Mundo de 2026. Quem ligou a televisão às 16h desta quinta-feira (11) e sintonizou no SBT ouviu, depois de décadas de ausência da emissora nos Mundiais, aquele timbre que atravessa gerações: Galvão Bueno de volta ao microfone de uma Copa, agora numa nova casa, com uma nova equipe e o mesmo peso histórico que o narrador carrega desde 1982.
O SBT retorna à Copa com 32 jogos e uma equipe reformulada
A emissora de Silvio Santos garantiu os direitos de transmissão de 32 jogos da Copa do Mundo de 2026, disputada nos Estados Unidos, México e Canadá. O pacote inclui todas as partidas da Seleção Brasileira — o ativo mais valioso de qualquer transmissão de Copa no Brasil, como a história das audiências de 1994 a 2022 comprova com consistência. A estreia da competição, México x África do Sul, no Estádio Azteca, em Cidade do México, às 16h de Brasília, já marca o retorno do SBT ao palco mais disputado do futebol global.
A grade de transmissão conta com três nomes de peso: Galvão Bueno como narrador principal, Tiago Leifert no comando dos estúdios e Mauro Beting como comentarista. A combinação lembra, em certa medida, o modelo que a Globo consolidou nos anos 1990 — um narrador de prestígio, um apresentador com apelo popular e um especialista técnico para dar densidade à análise. A diferença é que o SBT chega a 2026 sem o peso de décadas de tradição copeira, o que paradoxalmente funciona como liberdade criativa: não há fórmula sagrada a preservar.
"Quando você narra uma Copa, não está narrando um jogo. Está narrando um momento da vida de milhões de pessoas", disse um veterano de transmissões esportivas, sintetizando o que qualquer narrador sente ao sentar diante do microfone num Mundial.
Galvão no Azteca e o Brasil esperando em Nova Jersey
Galvão Bueno não escondeu o entusiasmo ao falar sobre esta Copa. Em entrevista ao Lance!, na série Vozes da Copa, o narrador foi direto sobre as chances brasileiras:
"O Brasil vai brigar, sim. Vai brigar e nós vamos torcer para chegar lá", afirmou Galvão Bueno.
A estreia do Brasil acontece no sábado, dia 13, às 19h de Brasília, no MetLife Stadium, em Nova Jersey, contra Marrocos, pela primeira rodada do Grupo C. Carlo Ancelotti sinalizou uma escalação que preserva a espinha dorsal da seleção de 2022, com as ausências notáveis de Thiago Silva e Richarlison — não convocados — e Neymar, sem condições de jogo. O desfalque de última hora é Wesley, cortado por lesão, com Danilo assumindo a lateral-direita. A provável escalação aponta para: Alisson; Danilo, Gabriel Magalhães, Marquinhos, Alex Sandro; Casemiro e Bruno Guimarães; Lucas Paquetá, Raphinha, Vinicius Jr. e Matheus Cunha.
Do lado marroquino, a equipe de Mohamed Ouahbi chega ao confronto também castigada por lesões. O zagueiro Nayef Aguerd, do Olympique de Marseille, e o atacante Abde Ezzalzouli, do Betis, foram cortados nos últimos dias — Ezzalzouli sofreu entorse no joelho direito durante o empate por 1 a 1 com a Noruega no domingo passado (7). Os substitutos chamados foram Marwane Saadane, do Al Fateh, e Amine Sbai, do Angers. Marrocos chega mais frágil do que chegou ao Catar em 2022, quando foi semifinalista — a maior campanha da história do futebol africano num Mundial.
A transmissão do SBT num panorama histórico de direitos de Copa
Para entender o peso simbólico desse retorno, convém olhar o mapa histórico das transmissões de Copa no Brasil. A Globo dominou o cenário de forma praticamente ininterrupta de 1970 a 2022. O SBT chegou a transmitir partidas em edições anteriores, mas nunca com essa amplitude de 32 jogos e com uma equipe desta envergadura. O modelo atual se aproxima mais do que a Rede Manchete fez em 1990 — quando competiu com a Globo com transmissões da Copa da Itália — do que de qualquer tentativa anterior do SBT. A diferença é que, em 2026, o ecossistema de transmissão é radicalmente diferente: a CazéTV transmite todos os 104 jogos no streaming, e a Globo mantém sua grade com 55 partidas distribuídas entre cinco plataformas. O SBT ocupa um nicho específico: televisão aberta de alcance nacional, com foco total nas partidas que importam ao torcedor médio — especialmente o Brasil.
Nesse sentido, a aposta da emissora é cirúrgica. Trinta e dois jogos bem escolhidos, com toda a trajetória brasileira garantida, valem mais em audiência do que uma grade dispersa. Quem acompanhou as transmissões de Copa nos anos 1990 sabe que o Brasil em campo esvazia ruas e paralisa cidades — e quem tiver os direitos desse jogo tem o produto mais valioso da televisão brasileira naquele momento.
O jogo de abertura desta quinta, México x África do Sul, pode ser visto pelo SBT, pela Globo, pela CazéTV, pelo SporTV e pelo N Sports. Já a estreia do Brasil no sábado (13) às 19h, no MetLife Stadium, em Nova Jersey, terá transmissão garantida pelo SBT — a primeira de uma série que a emissora espera transformar num ritual de audiência capaz de rivalizar com qualquer outro evento televisivo do ano. Como uma partitura que começa com uma nota simples e vai adicionando camadas até o fortissimo final, o SBT entrou na Copa de mansinho hoje, com o Azteca, e guarda o crescendo para quando o Brasil pisar no gramado.








