A sequência de cinco vitórias consecutivas do Flamengo sob Leonardo Jardim tem um protagonista improvável: Giorgian De Arrascaeta. O uruguaio, que sofreu com lesões recorrentes e inconsistência ao longo de 2024, voltou a demonstrar o futebol que o consagrou no Maracanã. A vitória por 2-0 sobre o Bahia confirmou a recuperação técnica e física do meia-atacante.

Mudanças posicionais revolucionaram o rendimento

Jardim implementou ajustes específicos na movimentação de Arrascaeta. O uruguaio passou a atuar em zona mais centralizada, com liberdade para flutuar entre as linhas. Nos dois jogos anteriores, registrou 89% de aproveitamento nos passes e criou sete oportunidades claras de gol. A compactação do meio-campo permitiu que o camisa 14 recebesse a bola em melhores condições, sem a pressão constante dos marcadores adversários.

A estrutura tática mantém Gerson e Pulgar como pivôs defensivos, liberando Arrascaeta para ocupar o espaço entre linhas. Essa configuração aumentou a posse de bola do Flamengo para 63% nos últimos três jogos, comparado aos 54% registrados antes da chegada do técnico português. O SportNavo apurou que Jardim trabalhou individualmente o posicionamento do uruguaio durante os treinos na Gávea.

Transição ofensiva acelerada potencializa características

O novo sistema prioriza transições rápidas após recuperação da posse. Arrascaeta se beneficia dessa dinâmica, recebendo passes em velocidade e explorando os espaços deixados pelas defesas desorganizadas. Contra o Bahia, participou diretamente de 12 jogadas de perigo, número superior a qualquer partida desde abril.

"O principal ponto do trabalho do Jardim, na minha opinião, é a volta do Arrascaeta. Nós cobrávamos o Arrascaeta do ano passado, que é difícil de manter, e ele coloca os dois últimos jogos de baixo do braço", analisou Fábio Santos no programa Resenha da Rodada.

A linha de pressão do Flamengo subiu 15 metros em média, forçando os adversários a errar passes no campo defensivo. Essa mudança tática favorece jogadores criativos como Arrascaeta, que prosperam com mais espaço para finalizar e assistir. Pedro e Samuel Lino também se beneficiaram dessa nova configuração ofensiva.

Dados confirmam ressurgimento técnico

Os números comprovam a melhora de Arrascaeta sob Jardim. O uruguaio registra média de 2,4 passes-chave por jogo, contra 1,1 no período anterior. Sua taxa de conversão em finalizações subiu para 22%, o melhor índice desde a conquista da Libertadores de 2022. A recuperação física também impressiona: corre 15% mais por partida e mantém intensidade até os minutos finais.

Lucas Paquetá surge como beneficiário indireto dessa reorganização tática. O meio-campista encontrou sua melhor forma desde o retorno ao Brasil, disputando posição na convocação de Carlo Ancelotti para a Copa do Mundo de 2026. A dupla forma sociedade criativa que potencializa o ataque rubro-negro.

Sequência decisiva testará consolidação

O calendário de janeiro será crucial para confirmar se a recuperação de Arrascaeta se sustenta. O Flamengo enfrenta Palmeiras, Atlético-MG e Internacional em sequência, adversários que exigirão o melhor do meio-campo rubro-negro. Jardim terá 10 dias para aprimorar os automatismos antes do primeiro confronto direto pela liderança do Campeonato Carioca, marcado para 26 de janeiro, no Allianz Parque.