— Muricy no SBT? Sério isso?
— Sério. Ao lado do Galvão, ainda.
— Cara, vai ser diferente. Esse homem sabe o que é vestiário de Copa.
A conversa acima acontece em bares de São Paulo, no grupo de WhatsApp da família, na fila do café da manhã. Porque a notícia tem esse efeito: ela para as pessoas por um segundo, faz pensar. O SBT e a N Sports anunciaram nesta segunda-feira a contratação de Muricy Ramalho como comentarista convidado para os jogos da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 2026 — o torneio que começa na próxima quinta-feira, 11 de junho, com México x África do Sul.
O anúncio que reforça o elenco do SBT na Copa
Muricy chega a uma equipe que já carregava peso próprio. Os narradores Raphael Rezende e Tiago Leifert dividem os microfones com Galvão Bueno, enquanto os comentaristas Alexandre Pato e Juninho Paulista ocupam os estúdios. Mauro Beting, nome consolidado no jornalismo esportivo, completa o núcleo analítico. A cobertura ainda conta com a analista de arbitragem Nadine Basttos, o comentarista Mano, e repórteres como Mauro Naves, André Hernan e Isa Labate espalhados pelas sedes nos Estados Unidos, Canadá e México. Ao todo, o SBT transmitirá 32 partidas ao vivo, com pré-jogos, pós-jogos e programas especiais.
Muricy, no entanto, não embarcará para a América do Norte. Ele fará seus comentários diretamente de São Paulo — uma decisão que, segundo o próprio canal, está ligada a questões de saúde que o acompanham há algum tempo. Em janeiro de 2026, o ex-técnico havia pedido demissão do cargo de coordenador técnico do São Paulo com uma declaração que circulou amplamente nas redes sociais.
"Quem me viu como jogador ou técnico sabe: não sei fazer nada pela metade, não sei ser mais ou menos. Ou eu me entrego ou não serve. Minhas marcas registradas sempre foram a paixão pela intensidade. E é justamente por amar demais este clube e por respeitar minha essência que eu decidi sair. O corpo tem os seus limites e o meu pediu uma trégua."
Três Copas de microfone e uma carreira inteira de campo
Comentar uma Copa do Mundo não é novidade para Muricy. Em 2018, na Rússia, ele integrou a equipe de transmissão da Globo — a maior operação de cobertura esportiva do Brasil. Quatro anos depois, no Catar em 2022, foi o SporTV que recebeu sua análise. Agora, em 2026, é o SBT que o abraça, numa terceira Copa consecutiva com microfone na mão. Poucos nomes no futebol brasileiro acumulam esse tipo de presença em transmissões mundiais, e o próprio canal celebrou a contratação com nota oficial.
"Com uma trajetória marcada por títulos e pela passagem por alguns dos principais clubes do país, Muricy levará para as transmissões sua experiência de décadas no futebol, analisando os jogos e os desafios da equipe comandada por Carlo Ancelotti na busca pelo hexacampeonato", afirmou o SBT em comunicado.
A trajetória em campo justifica o entusiasmo. Muricy conquistou três títulos do Campeonato Brasileiro — dois pelo São Paulo, em 2006 e 2007, e um pelo Fluminense, em 2012 — além de passagens marcantes por Santos e Grêmio. São décadas de leitura tática, gestão de elenco e pressão de resultado que agora chegam ao estúdio numa Copa com 48 seleções e formato inédito, conforme registrado pelo SportNavo ao longo da cobertura pré-torneio.
O que Muricy entrega que o analista convencional não consegue
Existe uma diferença entre quem estudou futebol e quem o viveu por dentro — e ela aparece nos detalhes que só quem esteve num vestiário de Copa percebe. Muricy sabe o que significa preparar um time para jogar a cada três dias em clima diferente, com fuso horário pesando nas pernas e câmeras em cada canto. Sabe o que Carlo Ancelotti enfrenta quando precisa rodar o elenco sem perder intensidade. Sabe, também, o que um jogador sente quando entra no segundo tempo de uma partida eliminatória.
Esse tipo de repertório não aparece em planilhas. Aparece na frase curta, no silêncio calculado antes de uma análise, na capacidade de dizer "esse time está cansado" antes que o placar confirme. É o que diferencia um comentarista de peso num torneio de 64 jogos espalhados por três países e múltiplos fusos horários. A Copa de 2026 exige esse olhar — e o SBT apostou nele.
A estreia do SBT e o primeiro teste de Muricy no ar
O primeiro jogo exibido pelo SBT será México x África do Sul, no dia 11 de junho, às 16h, horário de Brasília — partida de abertura do torneio. A Seleção Brasileira, comandada por Ancelotti, ainda não tem data confirmada de estreia divulgada neste momento, mas é nos jogos do Brasil que Muricy terá seu espaço mais amplo, ao lado de Galvão Bueno na transmissão principal.
A pergunta que fica, e que só o torneio responderá, é se a distância física — São Paulo enquanto o jogo acontece nos EUA — vai ou não reduzir a intensidade da análise. Muricy sempre foi um técnico de campo, de grito, de lousa. O microfone a quilômetros do gramado é um teste diferente. Em 17 de junho, quando o Brasil provavelmente já terá jogado sua primeira partida no Mundial, saberemos se a experiência de décadas atravessa o oceano sem perder calor.








