O campo de treinamento em Morristown, Nova Jersey, tem visto Neymar de bermuda e tênis — não de chuteira. Desde a chegada da delegação brasileira aos Estados Unidos, o camisa 10 ainda não pisou em nenhuma atividade com bola junto ao grupo, um dado que resume sozinho o tamanho do problema que Carlo Ancelotti enfrenta antes da estreia da Seleção Brasileira na Copa do Mundo.

A lesão que se arrasta desde maio e o exame que mudou o calendário

O histórico começa no último mês: Neymar sofreu uma lesão de grau 2 na panturrilha esquerda durante a derrota do Santos para o Coritiba, ainda em maio, e desde então não atuou em jogo oficial. Grau 2 implica ruptura parcial das fibras musculares — o tipo de lesão que costuma exigir entre 15 e 30 dias de recuperação, dependendo da extensão do dano e da resposta individual do atleta.

Na última segunda-feira, a CBF submeteu o atacante a uma ressonância magnética. O resultado foi divulgado em nota oficial:

"O atleta Neymar foi submetido a ressonância magnética nesta segunda-feira. O exame apontou boa evolução em seu tratamento, dentro dos parâmetros esperados. Ele seguirá o processo de recuperação e de preparação física planejado pela comissão médica da Seleção Brasileira."
A linguagem é cautelosa, o que é esperado de um documento institucional, mas o subentendido é claro: nenhum prazo foi adiantado e nenhuma data de retorno foi confirmada publicamente.

Nesta quinta-feira, Neymar participou de atividades na academia junto ao restante do elenco — trabalho físico, sem bola. A CBF chegou a divulgar imagens do atacante trocando passes com alguns convocados, mas fontes ouvidas pela reportagem do Lance! indicam que isso não representa integração tática ao grupo. O retorno ao campo coletivo ainda não tem data fechada.

Sábado contra Marrocos e o vazio no meio-campo ofensivo do Brasil

A estreia do Brasil acontece neste sábado, dia 13 de junho, contra Marrocos, às 19h (horário de Brasília), no MetLife Stadium, em Nova Jersey. Neymar estará fora. A ausência não é surpresa — a comissão técnica já trabalha com essa premissa há dias —, mas impõe a Ancelotti uma decisão que vai além de simplesmente colocar outro jogador na posição do camisa 10.

Marrocos chega à Copa como uma das equipes mais organizadas defensivamente fora da Europa. Na última Copa do Mundo, em 2022, eliminou Espanha e Portugal e só foi parado pela França na semifinal. O time de Walid Regragui mantém uma linha defensiva compacta, com pressão alta e transições rápidas — exatamente o tipo de adversário que exige criatividade individual e imprevisibilidade no terço final, características que Neymar oferece de forma única dentro desse elenco.

As opções de Ancelotti para suprir essa lacuna passam por nomes como Raphinha centralizado, Rodrygo como meia-atacante mais próximo do camisa 9 ou até uma formação com dois atacantes de velocidade nas pontas. A tendência, segundo fontes próximas à comissão técnica, é que o treinador italiano opte por um sistema mais equilibrado, sem tentar replicar a função específica de Neymar, mas distribuindo as responsabilidades criativas entre dois ou três jogadores.

  • Estreia contra Marrocos — 13/06, MetLife Stadium — Neymar fora
  • Segunda rodada contra Haiti — 19/06 — expectativa de retorno como reserva
  • Terceira rodada contra Escócia — data a confirmar, em Miami

O Haiti como janela de retorno e o que Ancelotti espera de Neymar na fase de grupos

A segunda rodada, contra o Haiti no dia 19 de junho, é o horizonte mais realista para a reestreia do camisa 10. Seis dias separam as duas partidas — tempo suficiente, segundo a comissão médica, para que Neymar retome pelo menos parte dos treinos integrados. A tendência, conforme apuração do Lance!, é que o atacante comece no banco e entre no segundo tempo, em razão do déficit de ritmo acumulado. Não é uma decisão punitiva: é uma gestão de risco em um jogador que está há mais de três semanas sem completar uma partida.

O Haiti, 83º no ranking FIFA, representa o adversário mais acessível do grupo brasileiro. Para Ancelotti, o jogo funciona como uma janela de reintegração controlada — o momento ideal para testar Neymar por 30 ou 40 minutos sem colocar em risco o resultado. A Escócia, na terceira rodada em Miami, já exigiria um nível de disponibilidade física mais próximo do ideal.

O plano, portanto, é linear: Neymar ausente no sábado, possível participação parcial em 19 de junho e retorno como titular potencial contra a Escócia, dependendo da resposta do músculo durante a semana que antecede o Haiti. Qualquer desvio nessa cronologia — uma piora no exame, dor residual durante o treino, reação inflamatória — e o cenário se complica de forma considerável para o segundo turno da fase de grupos.

A lesão que se arrasta desde maio e o exame que mudou o calendário Como Neymar p
A lesão que se arrasta desde maio e o exame que mudou o calendário Como Neymar p

É o mesmo dilema que a Seleção enfrentou em 2014, quando Neymar deixou o torneio lesionado contra a Colômbia nas quartas de final — só que agora a aposta é inversa: o Brasil entra no torneio sem ele, e a esperança é que o camisa 10 chegue inteiro justamente quando o mata-mata começar a exigir mais.