Não é Mbappé o maior alívio que a França carregou para dentro do avião rumo aos Estados Unidos. Nos últimos dias antes do embarque, o nome que tirou o sono de Didier Deschamps foi outro — na verdade, foram dois: William Saliba e Ousmane Dembélé. O zagueiro do Arsenal e o atacante do PSG chegaram ao período de preparação com o corpo no limite, e por um momento o cenário parecia sombrio o suficiente para mudar o plano inteiro da seleção francesa. Não mudou. E essa virada de roteiro é exatamente o que transforma a Copa do Mundo 2026 numa conversa diferente para a Les Bleus.
O susto duplo que colocou a preparação francesa em alerta
O estádio ainda ecoava o barulho da final da Champions League quando os problemas começaram. Saliba disputou a decisão pelo Arsenal carregando dores nas costas — o tipo de lesão traiçoeira que piora com o cansaço acumulado de uma temporada europeia intensa. Ele perdeu treinos na semana seguinte, e o departamento médico francês monitorava cada movimento do zagueiro como se fosse uma bomba-relógio. Dembélé, por sua vez, chegou ao centro de treinamento da seleção com dores na região posterior da coxa direita, exatamente a área que mais preocupa qualquer fisioterapeuta quando o calendário diz Copa do Mundo.
Os dois ficaram de fora do amistoso contra a Costa do Marfim, derrota por 2 a 1 que já havia acendido o sinal amarelo sobre o estado geral do grupo. Deschamps não falou em desespero publicamente, mas quem acompanhou os bastidores do CT sabe que aquela semana pesou. A seleção que chegaria ao Mundial sem suas peças mais importantes na zaga e no ataque seria uma versão incompleta de si mesma.
"Ambos estão à disposição para a estreia", confirmou o entorno da comissão técnica francesa após o amistoso contra a Irlanda do Norte — frase que, naquele contexto, soou quase como um grito de alívio.
O amistoso de segunda-feira e o sinal verde que a França precisava
A vitória por 3 a 1 sobre a Irlanda do Norte, na segunda-feira, foi muito mais do que um resultado. Foi um teste de resistência. Dembélé entrou em campo e jogou 62 minutos antes de ser substituído — tempo suficiente para mostrar que o físico aguenta, que o passo está no lugar e que o perigo que ele representa no corredor direito continua intacto. Saliba também foi a campo, encerrou sua participação no intervalo, mas completou os 45 minutos sem reclamações e sem o semblante de quem está com dor.
Como diz o ditado: quem não tem cão caça com gato — mas a França, desta vez, tem o cão. Tem o titular, tem o reserva e tem a profundidade que poucas seleções no mundo conseguem apresentar neste momento. A delegação embarca para os Estados Unidos sem nenhum de seus principais jogadores no departamento médico, o que coloca Deschamps numa posição rara: a de técnico com problemas de escolha, não de ausência.
"A França chega à Copa com força máxima", disseram fontes ligadas à seleção francesa após o embarque — palavras que, diante do que aconteceu nas últimas duas semanas, têm um peso específico e concreto.
O que muda no grupo I com Saliba e Dembélé disponíveis para Deschamps
A estreia da França está marcada para a terça-feira, dia 16, às 16h no horário de Brasília, contra o Senegal, em Nova Jersey. E a presença de Saliba na zaga transforma completamente o que essa partida representa. O Senegal tem velocidade no ataque, transição rápida e jogadores capazes de explorar espaços — exatamente o tipo de ameaça que um zagueiro de Saliba, lento para se recuperar de uma lesão, poderia sofrer. Com o defensor em plenas condições, a linha defensiva francesa fecha os caminhos que o adversário tentará abrir.
Dembélé, no ataque, representa algo diferente. Com ou sem Mbappé como referência central, o atacante do PSG cria desequilíbrio pelo drible e pela aceleração, dois atributos que qualquer defesa do torneio vai ter dificuldade de controlar quando ele está em ritmo de jogo. Sessenta e dois minutos contra a Irlanda do Norte indicam que esse ritmo está chegando no momento certo.
A França é, objetivamente, uma das três ou quatro seleções com condições reais de levantar a taça no MetLife Stadium no dia 19 de julho. O elenco tem campeão mundial, campeão da Champions League, artilheiro da Ligue 1 e um dos melhores sistemas táticos do futebol internacional. O que faltava — e que a última semana respondeu — era saber se esse elenco chegaria inteiro. A resposta é sim.
É o mesmo cenário que a Espanha viveu em 2010, quando David Villa e Carles Puyol chegaram ao Mundial sul-africano assustando as comissões médicas — só que agora a aposta é diferente, porque a Les Bleus de 2026 tem mais camadas de talento do que qualquer seleção francesa desde a geração de Zidane.








