O Cruzeiro investiu R$ 800 mil em um protocolo de aclimatação para altitude desde janeiro de 2025, focado especificamente nos jogos da Libertadores. O clube contratou uma equipe de cinco fisiologistas após análises técnicas mostrarem queda de 15% no desempenho físico de times brasileiros que enfrentam adversários acima de 2.500 metros sem preparação adequada.
A Universidad Católica, adversário desta terça-feira, joga a 2.850 metros de altitude em Santiago. O estádio San Carlos de Apoquindo registra níveis de oxigênio 25% menores que ao nível do mar, segundo medições da própria federação chilena realizadas em março passado.
Investimento científico de oito meses
A preparação custou R$ 480 mil em equipamentos de simulação de altitude e R$ 320 mil em consultoria especializada. O protocolo inclui câmaras hipóxicas instaladas no CT Toca da Raposa II, utilizadas pelos jogadores durante 14 dias antes de viagens para jogos em altitude.
Dados coletados pelo departamento médico mostram que jogadores submetidos ao protocolo mantêm 89% da capacidade cardiovascular em altitudes extremas, comparado aos 73% registrados sem preparação. O zagueiro João Marcelo passou por 28 horas de simulação distribuídas em duas semanas.
"A diferença é brutal. Nas primeiras sessões, o coração disparava aos 10 minutos. Agora consigo manter o ritmo por 90 minutos sem sentir aquele aperto no peito", relatou o lateral-direito William.
Histórico financeiro em competições internacionais
O Cruzeiro faturou R$ 12,8 milhões com a classificação para a Libertadores, sendo R$ 3,2 milhões pela participação na fase de grupos e R$ 9,6 milhões em cotas de TV. Cada vitória em casa rende R$ 950 mil adicionais, enquanto triunfos fora de casa pagam R$ 1,4 milhão.
Times brasileiros têm aproveitamento de apenas 31% jogando acima de 2.500 metros na competição desde 2020. Em La Paz (3.600m), o índice cai para 18%. O Atlético-MG investiu R$ 1,2 milhão em preparação similar em 2021 e registrou 67% de aproveitamento em jogos de altitude naquela temporada.
A SAF celeste projetou gasto total de R$ 2,4 milhões com logística para jogos internacionais em 2025. Desse montante, R$ 800 mil foram destinados exclusivamente para protocolos de altitude, representando 33% do orçamento para preparação física especializada.
Comparativo com outros clubes brasileiros
O Flamengo implementou protocolo semelhante em 2019, custando R$ 1,1 milhão, e conquistou a Libertadores naquele ano. O Palmeiras investe R$ 600 mil anuais desde 2020 em preparação para altitude, registrando 58% de aproveitamento em jogos acima de 2.000 metros.
Estudos da CBF indicam que cada metro acima de 2.000 reduz em 0,8% a capacidade pulmonar de atletas não aclimatados. A Universidad Católica possui vantagem estatística de 73% de aproveitamento jogando em casa contra times do nível do mar nos últimos cinco anos.
"Investimos pesado porque altitude não é desculpa. É ciência. Quem se prepara melhor leva vantagem", afirmou o diretor de futebol Alexandre Mattos em entrevista à Rádio Itatiaia.
Impacto financeiro da classificação
Uma vitória em Santiago vale R$ 1,4 milhão pelos critérios da Conmebol, além de R$ 2,8 milhões extras caso o Cruzeiro avance às oitavas de final. O clube precisa de dois pontos nas duas rodadas restantes para garantir classificação matemática.
O protocolo de altitude será reutilizado em possível confronto contra Universitario, do Peru (3.300m), ou Always Ready, da Bolívia (3.600m), em fases posteriores. O investimento se paga com uma única classificação às oitavas, que rendem R$ 5,2 milhões em premiação total.
O Cruzeiro enfrenta a Universidad Católica nesta terça-feira, às 21h, no San Carlos de Apoquindo, com transmissão da ESPN. O time celeste ocupa a segunda colocação do Grupo C com sete pontos, precisando apenas de um empate para garantir vaga na próxima fase.

