Quantas peças de um campeão europeu você pode remover antes que o time deixe de ser reconhecível? Luis de la Fuente está respondendo essa pergunta nesta quinta-feira, 4 de junho, no Estádio Riazor, em A Coruña — e a resposta provisória é: dez. A Espanha entra em campo contra o Iraque com dez baixas em relação à lista definitiva de 26 convocados para a Copa do Mundo 2026, num amistoso que serve de laboratório a menos de duas semanas da estreia contra Cabo Verde, marcada para 15 de junho, em Atlanta.
O número assusta no papel, mas o contexto explica a lógica. De la Fuente não está improvisando por desespero — está gerenciando cargas antes de uma competição de 32 dias. O problema real está concentrado no setor ofensivo: Lamine Yamal e Nico Williams, os dois extremos titulares da Eurocopa 2024, seguem em processo de recuperação e não foram liberados para atuar. A eles se somou Víctor Muñoz, com desconforto no sóleo, o que deixa De la Fuente sem suas três principais referências de largura no ataque.
As dez baixas e o peso do calendário sobre o elenco espanhol
Além do trio ofensivo, o meio-campo sofre ausências de peso. Rodri, Pedri e Cucurella foram poupados por decisão técnica — o selecionador optou por preservá-los após um final de temporada exigente nos clubes. Os jogadores que disputaram a final da Liga dos Campeões também ficaram fora da convocação para este amistoso. A gestão é deliberada: De la Fuente já sinalizou que prefere chegar ao Mundial com o grupo inteiro em condições do que arriscar uma recaída num jogo de preparação.
Para preencher as lacunas, o treinador chamou nove jogadores de apoio que se somam ao grupo principal. A escalação confirmada para o duelo em Riazor mostra a dimensão da rotação: Joan García na meta, Pedro Porro, Laporte, Jon Martín e Grimaldo na defesa; Bernal, Gavi e Dani Olmo no meio; Ferran Torres, Álex Baena e Borja Iglesias no ataque. Ferran Torres assume a braçadeira de capitão, dividindo com Ibrahim Bayesh, do Iraque, a cerimônia de sorteio antes do apito inicial.
"Oyarzabal não joga por precaução, não por lesão. Luis de la Fuente decidiu dar-lhe descanso para que recupere frescura após um final de temporada exigente com a Real Sociedad", explicou a cobertura do AS, detalhando que o capitão txuri urdin está em plenas condições físicas.
Baena, Gavi e a disputa por minutos que define o banco do Mundial
O amistoso contra o Iraque tem uma função secundária que pode ser mais decisiva do que o placar: definir quem ocupa as últimas vagas do banco de reservas no Mundial. Álex Baena, meia do Villarreal que atua pelos lados, já mostrou nos primeiros minutos em Riazor que quer esse espaço — aos 8 minutos, recebeu passe de Ferran Torres pela esquerda, cortou para dentro e bateu rasteiro ao segundo poste, obrigando o goleiro Basil a uma defesa difícil. O lance foi o mais claro da Espanha no início do jogo.

Gavi, por sua vez, retorna a um amistoso da seleção após um período de recuperação e usa a partida para reconquistar ritmo. A presença de Dani Olmo como terceiro meio-campista reforça o caráter de teste coletivo: De la Fuente quer ver como essas peças se encaixam numa estrutura diferente da que usará quando tiver Rodri e Pedri disponíveis. Seria exagerado chamar esse grupo de substituto permanente — mas para os 90 minutos em A Coruña, é exatamente isso que eles são.
"Analisamos qual técnico se encaixaria melhor na próxima fase de desenvolvimento", disse Simon Rolfes, diretor esportivo do Bayer Leverkusen, ao justificar a contratação de Carles Martínez — frase que, curiosamente, resume bem o que De la Fuente faz com seus jogadores de segundo escalão neste amistoso.
O Iraque como termômetro real e o calendário que não perdoa erros
A escolha do adversário não foi aleatória. O Iraque, treinado pelo australiano Graham Arnold, disputa o mesmo Mundial e estreia em 17 de junho contra a Noruega. A seleção asiática chegou ao amistoso após vencer a Bolívia nas eliminatórias e adota uma linha defensiva adiantada — consciente de que a Espanha controlará a posse, o time de Arnold tenta comprimir o espaço e dificultar a circulação. O porteiro Ahmed Basil já foi decisivo nos primeiros minutos, defendendo o chute de Baena com uma mão segura.
O Estádio Riazor precisou de reparos emergenciais antes de receber o jogo: o gramado e parte dos assentos foram danificados durante as comemorações do acesso do Deportivo de La Coruña à Primeira Divisão espanhola. Operários trabalharam até o limite para liberar a arena. O amistoso contra o Iraque é o último compromisso da Espanha em território nacional — após o jogo, a delegação voa para Chattanooga, em Atlanta, onde estabelece sua base para a fase de grupos. O segundo amistoso preparatório acontece em 8 de junho, contra o Peru, em Puebla, no México. Depois disso, não há mais margem para testes: Cabo Verde em 15 de junho, Arábia Saudita em 21 e Uruguai em 27, todos pelo Grupo H, em matéria acompanhada pelo SportNavo.








