Se o Brasil entrasse em campo contra Marrocos nesta segunda-feira (8), Carlo Ancelotti teria de montar sua equipe sem o camisa 10 e sem o lateral-direito titular — duas ausências simultâneas em setores que não têm cobertura natural no mesmo perfil. A ressonância magnética de Neymar, agendada para esta manhã, e o corte de Wesley, confirmado na véspera, transformam o que seria uma gestão de elenco rotineira num exercício de improvisação estrutural a cinco dias da estreia.

A resolução começa pelos fatos duros. Wesley foi diagnosticado com lesão muscular grau 3 no adutor da perna esquerda e está fora da Copa do Mundo. Em seu lugar, a CBF convocou o volante Éderson — não um lateral, não um ponta, mas um meio-campista de contenção. A escolha já diz algo sobre a linha de raciocínio de Ancelotti: em vez de buscar um substituto posicional para a lateral, o técnico italiano optou por reforçar o setor que sustenta a saída de bola e o equilíbrio defensivo, sinalizando que a solução para o lado direito virá de adaptações internas.

O que a ressonância de Neymar vai definir nos próximos dias

A lesão de Neymar foi diagnosticada no final de maio como grau 2 na panturrilha direita — um nível acima do que o departamento médico do Santos havia apontado inicialmente, quando falava apenas em "edema". O médico da CBF, Rodrigo Lasmar, estimou entre duas e três semanas de recuperação. Neymar ficou fora dos amistosos contra Panamá e Egito e passou o último fim de semana em dois períodos de fisioterapia e fortalecimento muscular, incluindo sessões em esteira antigravidade — tecnologia desenvolvida pela NASA que reduz o impacto sobre a região lesionada durante corridas e caminhadas.

O exame desta segunda define dois cenários. Se a evolução for positiva, Neymar inicia transição gradual ao gramado e pode estar disponível para o jogo contra Marrocos, no dia 13, às 19h (horário de Brasília), no MetLife Stadium, em Nova Jersey. Se o quadro ainda exigir cautela, Ancelotti aguarda sua presença para a segunda rodada, contra o Haiti, no dia 19, às 21h30, no Lincoln Financial Field, em Filadélfia. Dois jogos, dois cenários táticos completamente distintos.

Ancelotti sem Wesley e sem Neymar — o número que resume o problema

O dado central aqui não é subjetivo: o Brasil chega à Copa do Mundo sem o jogador que registrou mais minutos na lateral direita durante o ciclo classificatório e sem o único camisa 10 convocado para o torneio. Não há no elenco atual um lateral-direito de origem com histórico consistente em nível de seleção — o que significa que Ancelotti precisará reposicionar alguém. Danilo encerrou a carreira na seleção, e os nomes disponíveis para a função são, em sua maioria, adaptados.

A entrada de Éderson no lugar de Wesley é, seria injusto chamar de solução — mas é uma solução em escala de emergência. O volante da Atalanta e da seleção tem perfil de médio de transição, com capacidade de cobrir espaços defensivos e iniciar jogadas, mas não é um lateral. Sua convocação reforça a ideia de que Ancelotti prefere um meio-campo mais sólido e deixa a lateral para ser resolvida com os recursos já disponíveis no grupo.

O que Marrocos mostra sobre o contexto do jogo de estreia

O adversário do Brasil na abertura do Grupo C também chegou ao confronto com dúvidas no departamento médico. No amistoso de domingo (7) contra a Noruega, que terminou em 1 a 1 no Sports Illustrated Stadium, em Harrisburg, o lateral titular Nouassir Mazraoui deixou o campo lesionado antes do intervalo, e Abdessamad Ezzalzouli encerrou o primeiro tempo com dores no joelho após choque na área. Ambos serão reavaliados pelo departamento médico marroquino.

O contexto é relevante porque Marrocos, sob o comando de Mohamed Ouhabi, costuma explorar as laterais adversárias com velocidade e largura. Se o Brasil entrar em campo no dia 13 com uma lateral direita improvisada, esse corredor pode se tornar o ponto de maior pressão defensiva — especialmente se Mazraoui se recuperar e estiver disponível para o jogo.

Ancelotti terá até sexta-feira (12) para definir a escalação. Com ou sem Neymar, o Brasil entra em campo às 19h do dia 13 contra Marrocos, no MetLife Stadium. Se o camisa 10 for poupado, o técnico precisará redistribuir funções criativas entre Rodrygo, Raphinha e Vinicius Jr. — e a lateral direita continuará sendo a variável sem resposta clara no sistema.