O Equador emerge como candidato oficial para sediar a Copa América de 2028, quebrando um jejum de 35 anos sem receber o principal torneio de seleções sul-americanas. A confirmação veio do presidente da Conmebol, Alejandro Domínguez, durante o 82º Congresso Ordinário da entidade em Quito.

Jejum prolongado desde 1993

A última vez que o Equador organizou uma Copa América foi em 1993, quando o torneio ainda mantinha formato mais enxuto com oito seleções participantes. Desde então, o país ficou à margem da rotação de sedes continentais, diferentemente de vizinhos como Peru (2004), Venezuela (2007) e Chile (2015).

O governo de Daniel Noboa manifestou interesse público em recolocar o país no mapa futebolístico continental. A candidatura equatoriana representa uma oportunidade de modernizar a infraestrutura esportiva nacional e gerar impacto econômico através do turismo esportivo.

"É um assunto que está atualmente em discussão. É uma questão que será decidida pelo Conselho", explicou Domínguez sobre o processo de seleção da sede.

Vantagens logísticas e estruturais

O Equador apresenta argumentos sólidos em sua candidatura. O país possui estádios em altitude, como o Estádio Olímpico Atahualpa em Quito (2.850 metros), que oferece condições únicas de jogo e representa desafio tático interessante para as seleções visitantes.

A geografia compacta equatoriana facilita deslocamentos entre cidades-sede, reduzindo custos operacionais e tempo de viagem das delegações. Cidades como Guayaquil, Cuenca e a própria Quito possuem infraestrutura hoteleira desenvolvida e aeroportos com conexões internacionais.

Jejum prolongado desde 1993 Equador busca Copa América 2028 após 35
Jejum prolongado desde 1993 Equador busca Copa América 2028 após 35

Segundo análise do SportNavo, o país também oferece estabilidade política relativa na região, fator considerado pela Conmebol na escolha de sedes continentais.

Concorrência norte-americana pesa na decisão

Os Estados Unidos surgem como principal rival na disputa pela organização do torneio. A Conmebol avalia repetir o modelo de expansão comercial já testado nas edições de 2016 (Centenário) e 2024, ambas realizadas em território norte-americano.

O mercado televisivo americano representa receita significativamente superior ao equatoriano. A Copa América 2024 nos EUA registrou médias de audiência 57% superiores à edição brasileira de 2019, demonstrando o potencial comercial do mercado norte-americano.

A presença de Gianni Infantino, presidente da FIFA, no congresso de Quito sinaliza interesse da entidade máxima do futebol no desenvolvimento do esporte na região andina. Infantino tem defendido expansão de torneios FIFA para novos mercados.

Cronograma e próximos passos

A Conmebol ainda não definiu prazo oficial para anúncio da sede da Copa América 2028. O Conselho da entidade deve deliberar sobre as candidaturas nos próximos meses, considerando aspectos técnicos, comerciais e de infraestrutura.

Para o Equador, sediar o torneio representaria oportunidade de modernizar estádios nacionais e consolidar posição no cenário futebolístico continental. A decisão final deve ser conhecida ainda em 2025, permitindo três anos de preparação para a sede escolhida.