A expulsão de Murilo aos 5 minutos do segundo tempo contra o Athletico-PR expôs uma vulnerabilidade tática que o Palmeiras vem carregando há semanas, mas que conseguiu mascarar com ajustes defensivos cirúrgicos. Os números revelam um cenário preocupante: em 40 minutos com um jogador a menos, a equipe de Abel Ferreira sofreu apenas duas finalizações do adversário, indicando mais uma limitação ofensiva do Furacão do que propriamente uma reorganização defensiva exemplar.
Sistema defensivo absorve impacto imediato
A análise estatística dos minutos posteriores à expulsão mostra que João Martins, auxiliar técnico que comandou a equipe na ausência de Abel Ferreira, optou por uma mudança conservadora mas eficiente. A entrada de Bruno Fuchs no lugar de Flaco López, aos 7 minutos do segundo tempo, transformou o esquema tático de um 4-3-3 para um 5-4-1, com Mayke e Piquerez recuando suas posições e Veiga assumindo papel mais defensivo no meio-campo.
Segundo levantamento do SportNavo com base nos dados da partida, o Palmeiras teve 31% de posse de bola após a expulsão de Murilo, contra 69% nos primeiros 50 minutos de jogo. A diferença na ocupação do campo foi ainda mais drástica: enquanto no primeiro tempo a equipe alviverde teve 18 ações ofensivas no terço final, após o cartão vermelho registrou apenas 4 investidas ao ataque em 40 minutos.
O lance que resultou na expulsão evidencia um problema recorrente na defesa palmeirense. Murilo havia recebido cartão amarelo aos 38 minutos do primeiro tempo por puxar a camisa de Viveros, repetindo o mesmo erro apenas 7 minutos depois. A falta de controle emocional do zagueiro em lances similares custou caro: desde o início da temporada, o defensor acumula 8 cartões amarelos em 28 partidas, média de 0,28 por jogo.

Athletico desperdiça superioridade numérica
Os dados mostram que o Athletico-PR falhou em capitalizar a vantagem numérica de forma preocupante para a equipe de Juca Antonello. Em 40 minutos com um jogador a mais, o Furacão conseguiu apenas 2 finalizações em direção ao gol de Carlos Miguel: um chute colocado de Mendoza de fora da área e uma tentativa de Chiqueti na entrada do semicírculo após rebote.

A ineficiência ofensiva do time paranaense fica ainda mais evidente quando comparada aos números do primeiro tempo. Com 11 contra 11, o Athletico criou 5 oportunidades claras de gol e teve 7 finalizações, demonstrando que a superioridade numérica não se traduziu em criatividade tática. O técnico Juca Antonello promoveu apenas duas substituições após a expulsão: Chiqueti no lugar de Cuello (15 minutos) e Erick na vaga de Fernandinho (25 minutos).
VAR protagoniza decisão controversa
O lance mais polêmico da partida veio aos 39 minutos do segundo tempo, quando o árbitro Felipe Fernandes de Lima marcou pênalti de Benedetti em Viveros após revisão do VAR. A decisão inicial do juiz foi revertida depois de análise no monitor, gerando divergências entre ex-árbitros consultados por veículos especializados.
"Não é lance de VAR. Não é um erro grosseiro fora da visão do árbitro, é um lance de interpretação. O árbitro achou que foi pênalti, o VAR achou que não foi, mas não é um erro grosseiro", declarou Alfredo Loebeling ao UOL.
Por outro lado, Manoel Serapião defendeu que houve infração: "O pênalti ocorreu, Viveros foi segurado pelo Benedetti. O fato de segurar não pode ser desconsiderado". A controvérsia ganhou ainda mais relevância considerando que o lance aconteceu com o Palmeiras defendendo resultado mínimo há 75 minutos.
Liderança consolidada com eficiência defensiva
A vitória por 1 a 0 manteve o Palmeiras na liderança do Brasileirão com 29 pontos, seis à frente do vice-líder Flamengo. O aproveitamento como mandante impressiona: 100% de vitórias no Allianz Parque em 2024, com quatro jogos disputados. Considerando também a Arena Barueri, são 13 vitórias e 1 empate em 14 partidas em casa.
O gol de Gustavo Gómez, aos 15 minutos do primeiro tempo, foi o 46º do zagueiro com a camisa palmeirense e o 58º de sua carreira. O paraguaio figura entre os 10 defensores que mais balançaram as redes neste século, consolidando sua importância ofensiva em jogadas aéreas.
Para o próximo compromisso no Brasileirão, contra o Vasco, o Palmeiras terá o desfalque automático de Murilo por acúmulo de cartões amarelos, mas contará com o retorno de Marlon Freitas. Abel Ferreira segue cumprindo suspensão de sete jogos imposta pelo STJD, restando ainda três partidas para seu retorno ao banco de reservas.

