Segundo lugar no campeonato Bronze da IMSA WeatherTech SportsCar Championship, negociações ativas com montadoras e tempos de volta equiparáveis aos de um dos pilotos de LMP2 mais rápidos do planeta — Felipe Fraga construiu, etapa por etapa, o dossiê técnico mais sólido de sua carreira para bater à porta das 24 Horas de Le Mans. O caminho passa por 2027, mas a corrida já começou.

A máquina e a estratégia por trás do título Bronze

Na IMSA, Fraga divide o cockpit do Ford Mustang GT3 com Sheena Monk pela Myers Riley Motorsports. A dupla terminou em P7 na classe GTD em Long Beach, resultado que, embora discreto no placar oficial, tem peso estratégico alto: a equipe persegue o Bob Akin Award, a classificação paralela que premia o melhor piloto de graduação Bronze com um convite automático para Le Mans em 2027. Com a dupla atualmente em segundo nesse campeonato interno, cada ponto conquistado tem valor de qualificação.

"Atualmente, estamos em segundo no campeonato de Bronze, e esse é o nosso grande foco: colocar esse carro em Le Mans no ano que vem", afirmou Fraga.

O stint final em Long Beach foi descrito pelo próprio piloto como "caótico", mas a capacidade de manter ritmo sob pressão é exatamente o tipo de dado que as montadoras monitoram. Num GT3 novo, ainda em processo de afinação de BOP (Balance of Performance), produzir pontos consistentes na fase de desenvolvimento demonstra adaptabilidade técnica — uma das qualidades mais valorizadas nos programas de fábrica de endurance.

O cartão de visitas construído ao lado de Milesi

No European Le Mans Series (ELMS), Fraga compete com protótipos Oreca ao lado do francês Charles Milesi, piloto titular da Alpine no WEC e referência absoluta na classe LMP2. Nos testes de Barcelona, o tocantinense igualou praticamente o pace do companheiro — um dado que circulou nos bastidores das equipes e fábricas presentes.

"Com Charles está sendo incrível! Ele hoje, se não é o mais rápido, é um dos pilotos mais rápidos de LMP2 do mundo. E eu estava com um ritmo muito parecido ao dele em Barcelona, para mim isso é um privilégio. As equipes e fábricas estão assistindo, é uma oportunidade de andar próximo ou me igualar a esses pilotos e quem sabe um dia correr um hypercar, o que é meu sonho", declarou o brasileiro.

A análise do SportNavo mostra que a estratégia de Fraga é deliberadamente técnica: ao invés de buscar visibilidade em categorias de menor nível, o piloto optou por se expor diretamente ao escrutínio de pilotos de elite. Nas 24 Horas de Daytona deste ano, dividiu box com Romain Grosjean, ex-Fórmula 1 com sete temporadas no grid e mais recentemente integrado ao programa LMDh da Lamborghini. O dado de referência é claro — quem anda no mesmo pace de Grosjean e Milesi está qualificado para discutir contratos de fábrica.

O perfil técnico que as montadoras avaliam

No endurance moderno, os programas de hypercar das montadoras — Ferrari, Toyota, BMW, Porsche, Lamborghini, Alpine — exigem pilotos capazes de gerir pneus em stints longos, executar trocas de posição em tráfego denso e produzir dados de telemetria confiáveis para os engenheiros. Fraga acumula quilômetros em três categorias simultaneamente em 2025: o Mustang GT3 nos EUA, o Oreca na Europa e os SUVs da Stock Car no Brasil, onde também compete. Esse volume de cockpit em plataformas radicalmente diferentes — da tração traseira de um GT3 americano à aerodinâmica de protótipo do LMP2 — é o tipo de currículo multidisciplinar que engenheiros de fábrica leem com atenção.

Fraga não esconde que as conversas com fabricantes estão em curso, ainda que sem contrato fechado. A aposta é que uma segunda posição no Bob Akin Award — ou a vitória — encurte essas negociações de forma decisiva. De acordo com o SportNavo, a janela de definição dos programas para o WEC 2027 começa a se fechar no segundo semestre de 2026, o que torna a temporada atual o momento mais crítico de sua trajetória internacional.

O próximo passo no calendário da IMSA

A IMSA WeatherTech SportsCar Championship segue seu calendário com a próxima etapa prevista para Watkins Glen, circuito historicamente favorável a carros GT pela natureza mista do traçado — combinação de alta velocidade e curvas técnicas que demanda ajuste preciso de aerodinâmica. Para Fraga e Monk, o objetivo é reduzir a diferença para o líder do campeonato Bronze e manter a Myers Riley Motorsports dentro da janela de pontuação que garante o convite automático a Le Mans em 2027.