A Fifa está prestes a ampliar o pacote de premiações da Copa do Mundo de 2026 depois que diversas federações nacionais alertaram a entidade para um problema concreto: os custos operacionais nos Estados Unidos — sede principal do torneio — podem superar os valores recebidos por seleções eliminadas nas fases iniciais. A reunião do Conselho da Fifa em Vancouver, no Canadá, agendada para 28 de abril, será o palco formal para a aprovação dos novos números.
O que estava previsto antes da revisão
O plano financeiro original da Copa do Mundo de 2026 já era o mais ambicioso da história do torneio. A Fifa havia anunciado um bolo total de 727 milhões de dólares em premiações, com cada uma das 48 seleções classificadas recebendo um mínimo garantido de 10,5 milhões de dólares só pela participação. O campeão levaria 50 milhões de dólares — recorde absoluto para qualquer Copa do Mundo. Para contextualizar: em 2014, no Brasil, a Alemanha recebeu 35 milhões de dólares pelo título; em 2018, na Rússia, a França embolsou 38 milhões. O crescimento é expressivo, mas as federações argumentam que os custos de 2026 cresceram em proporção ainda maior.
A estrutura de pagamentos por mérito, conforme o plano inicial divulgado pela entidade, funcionava de forma escalonada: a seleção que avançasse à fase de 32 avos de final recebia 2 milhões de dólares adicionais, e outros 4 milhões para quem chegasse às oitavas de final, com os valores aumentando progressivamente até a grande final. Esse modelo, em tese, recompensa desempenho — mas não cobre despesas fixas de delegações que viajam por semanas entre cidades americanas.
Por que as federações reclamaram
A pressão partiu de múltiplos fronts. Segundo o Guardian, que primeiro reportou as negociações, associações europeias de peso — incluindo a Federação Inglesa — formalizaram pedidos à Fifa para revisão dos valores, citando preocupações com tarifas aéreas, custos de hospedagem em mercados norte-americanos e, especialmente, a estrutura tributária americana, que pode incidir sobre parte dos repasses. A Fifa reconheceu a situação em comunicado oficial:
"Antes da reunião do Conselho da Fifa em Vancouver, no Canadá, em 28 de abril de 2026, a Fifa confirma que está em negociações com federações de todo o mundo para aumentar as receitas disponíveis. Isso inclui um aumento proposto nas contribuições financeiras para todas as equipes classificadas para a Copa do Mundo da FIFA de 2026 e no financiamento para desenvolvimento disponível para todas as 211 associações membros", afirmou um porta-voz da entidade ao Guardian.
O cenário é inédito em sua escala. Nas edições anteriores realizadas nos EUA — a Copa de 1994, que reuniu 24 seleções — o mercado americano ainda não tinha o nível de custos que apresenta três décadas depois. Uma delegação de 60 a 80 pessoas por três semanas, com deslocamentos entre Los Angeles, Nova York, Dallas e outras cidades-sede, representa despesa de logística completamente diferente de uma Copa disputada em mercado único como o Qatar em 2022.
A capacidade financeira da Fifa sustenta o aumento
Os números da entidade deixam margem para a revisão sem comprometer o equilíbrio das contas. A Fifa projeta receitas de 13 bilhões de dólares no ciclo quadrienal encerrado com o Mundial de 2026, dos quais 9 bilhões provirão exclusivamente do torneio. Os 727 milhões em premiações representam, portanto, menos de 6% da receita prevista somente do evento. Conforme levantamento do SportNavo com base nos relatórios financeiros da entidade publicados para o ciclo 2019-2022, a Fifa distribuiu 500 milhões de dólares em prêmios no Qatar — o que significa que o salto já era de 45% antes do aumento em discussão agora.
Para federações de menor porte econômico, o ajuste pode ser decisivo. Seleções africanas e asiáticas historicamente enfrentam dificuldades para equilibrar as contas em Copas disputadas fora de sua região. Na Copa de 2014, por exemplo, a Federação Ganesa enfrentou uma crise de pagamentos durante o próprio torneio, com jogadores ameaçando não entrar em campo por atrasos nos bônus — episódio que expõe a fragilidade financeira de parte dos 48 classificados para 2026.
O que se espera após Vancouver
Os valores exatos do aumento não foram divulgados oficialmente até o momento da publicação desta matéria. A reunião de Vancouver, em 28 de abril, deve formalizá-los. A análise do SportNavo indica que, mantida a proporção histórica entre receita total e distribuição de prêmios, o pacote poderia chegar a 800 ou 850 milhões de dólares — com possível elevação do piso de participação para algo entre 12 e 14 milhões por seleção e do prêmio ao campeão para a faixa dos 60 milhões de dólares. Paralelamente, o fundo de desenvolvimento destinado às 211 associações membros da Fifa também deve ser revisado para cima, beneficiando federações que sequer se classificaram para o torneio. A confirmação oficial virá com a publicação das atas do Conselho após 28 de abril.








