Quarenta e nove minutos de um único set. Esse número, por si só, já seria suficiente para contar a história da noite desta sexta-feira (24) no Maracanãzinho. O Dentil/Praia Clube derrotou o Sesc Flamengo por 3 sets a 2, com parciais de 25/23, 36/34, 22/25, 11/25 e 15/13, fechou a série semifinal em 2 a 1 e garantiu presença na final da Superliga Feminina pela oitava vez na história do clube de Uberlândia.

Um segundo set que entrou para a história da competição

A oposta norte-americana Morgahn Fingall foi a protagonista absoluta da noite, encerrando a partida como maior pontuadora com 31 pontos, sendo quatro deles de ace. Ela conduziu o Praia na abertura da partida, quando o time mineiro encontrou resistência carioca nos primeiros pontos, mas administrou a pressão e fechou o primeiro set em 25 a 23 com ataques potentes nos momentos de maior tensão.

SESC-FLAMENGO 2 X 3 PRAIA CLUBE | MELHORES MOMENTOS | SUPERLIGA MASCULINA DE VÔLEI 2025/26 | sportv
Um segundo set que entrou para a história da competição Fingall decide no Maraca
Um segundo set que entrou para a história da competição Fingall decide no Maraca

O segundo set, porém, transcendeu qualquer análise técnica convencional. Em quase 49 minutos de duração — o mais longo set desta edição da Superliga Feminina —, as duas equipes trocaram set points em sequência, com a líbero Natinha sustentando o Praia por meio de defesas espetaculares nos ralis mais extensos. Após alternâncias constantes de vantagem, coube novamente a Fingall encerrar o sofrimento: 36 a 34, um placar que raramente se vê em qualquer nível do vôlei nacional.

"Fingall chamou a responsabilidade para si e encerrou a parcial em impressionantes 36 a 34", descreveu a cobertura da partida, sintetizando a postura da americana nos momentos de maior pressão.

Flamengo impõe reação e força o tie-break

Empurrado pelos torcedores no Maracanãzinho, o Sesc Flamengo recusou a derrota antecipada. A equipe carioca venceu o terceiro set por 25 a 22 com maior organização em quadra e, no quarto set, foi letal: 25 a 11, uma das piores parciais sofridas pelo Praia na temporada, e forçou o tie-break pela primeira vez na série semifinal.

O quinto set começou com o Flamengo agressivo dentro de sua própria arena, chegando a abrir três pontos de vantagem. A virada do Praia foi construída sobre dois pilares: a experiência da central Michelle nos momentos críticos e a precisão da ponteira Payton Caffrey nas bolas de ataque. A central Adenízia, que havia sido discreta na partida até então, emergiu como "paredão" nos bloqueios decisivos do tie-break, contribuindo para reequilibrar o placar. Caffrey marcou o ponto final a 15 a 13, silenciando o Maracanãzinho.

"No momento decisivo, o paredão de Adenízia funcionou, e coube a Caffrey marcar o ponto final", segundo relato da cobertura do jogo, que elegeu Fingall como MVP da partida com o Troféu Viva Vôlei.

Oito finais, dois títulos e um projeto consolidado em Uberlândia

A classificação desta sexta-feira coloca o Praia Clube diante de um retrospecto que poucos projetos do vôlei brasileiro conseguiram construir. Conforme levantamento do SportNavo, o clube uberlandense chega à sua 8ª final de Superliga Feminina, com dois títulos conquistados — em 2017/18, quando bateu o Rio de Janeiro por 3 a 0 no Sabiazinho lotado com show de Nicole Fawcett e Claudinha, e em 2022/23, novamente no mesmo ginásio, desta vez superando o Minas. A primeira aparição em uma decisão foi na temporada 2014/15, quando o clube perdeu para o Rio de Janeiro por 3 a 1.

O histórico recente revela uma rivalidade específica que dominou a última década: entre as oito finais do Praia, cinco foram disputadas contra o Minas, com o time mineiro levando a vantagem de quatro conquistas contra uma do Praia no período denominado pela imprensa como a era do "vôlei pão de queijo". Para esta temporada, o Praia eliminou o Sesi-Bauru nas quartas de final antes de superar o Sesc Flamengo em três jogos nas semis.

A análise de desempenho por fundamento desta semifinal aponta um Praia superior no saque — os quatro aces de Fingall sozinha já superam a média da equipe nas rodadas anteriores da competição — e na defesa de fundo de quadra, onde Natinha foi determinante para sustentar o jogo nos longos ralis do segundo set. O bloqueio, liderado por Adenízia, cresceu progressivamente ao longo da partida e foi decisivo no quinto set, padrão que a análise exclusiva do SportNavo já havia identificado como característica recorrente do time de Uberlândia nos jogos eliminatórios da temporada 2025/26.

O Dentil/Praia Clube aguarda agora o desfecho da outra semifinal, disputada entre Minas e Osasco, que ainda define seu adversário na grande decisão. O terceiro jogo entre as equipes ocorre nos próximos dias, e o vencedor enfrentará o Praia na final da Superliga Feminina — onde a equipe uberlandense busca o terceiro título da história do projeto e a chance de empatar o placar de conquistas com o Minas na era moderna da competição.