A Gaviões da Fiel voltou ao CT Dr. Joaquim Grava nesta semana para cobrar diretamente o elenco do Corinthians, repetindo uma estratégia histórica que a principal torcida organizada alvinegra utiliza em momentos de crise. A presença dos torcedores no centro de treinamentos marca mais um capítulo da conturbada relação entre organized e departamento de futebol.
Segundo dirigentes da Gaviões, cerca de 150 integrantes participaram da cobrança aos jogadores na manhã de terça-feira. O grupo permaneceu por aproximadamente duas horas no local, questionando o rendimento da equipe e exigindo mais dedicação nos treinamentos. A ação acontece após uma sequência de três derrotas consecutivas no Campeonato Paulista.
Histórico de intervenções da Gaviões no CT
A Gaviões da Fiel estabeleceu um padrão de ida ao CT em situações críticas ao longo da última década. Em março de 2014, após eliminação precoce na Libertadores, mais de 300 torcedores invadiram o centro de treinamentos e cobraram diretamente o técnico Mano Menezes, que foi demitido duas semanas depois.
Em agosto de 2018, nova intervenção da organizada resultou na saída do atacante Romero, que teve R$ 2,8 milhões de salário anual questionado pelos torcedores. O jogador paraguaio foi emprestado ao Independiente Del Valle no mês seguinte, com o Corinthians arcando com 60% dos vencimentos.
O episódio mais marcante ocorreu em setembro de 2020, quando 200 integrantes da Gaviões protestaram contra o técnico Tiago Nunes no CT. A pressão custou R$ 4,2 milhões em rescisão contratual, paga integralmente pelo clube. Vagner Mancini assumiu o comando técnico na sequência.
Consequências financeiras das mudanças
As intervenções da torcida organizada no CT geraram custos significativos para o departamento de futebol corintiano. Entre 2014 e 2023, o clube gastou aproximadamente R$ 18,7 milhões em rescisões contratuais de técnicos demitidos após protestos da Gaviões, segundo levantamento da diretoria administrativa.
O caso mais custoso envolveu Fábio Carille em 2019, quando a rescisão atingiu R$ 5,1 milhões após cobrança direta da organizada. O treinador tinha contrato válido até dezembro de 2020, com salário mensal de R$ 850 mil. A multa rescisória correspondia a 18 meses de vencimentos.
Além dos técnicos, cinco jogadores deixaram o clube entre 2015 e 2022 após pressão da Gaviões no centro de treinamentos. Os empréstimos e vendas antecipadas resultaram em prejuízo de R$ 12,3 milhões em valores de mercado, considerando depreciação dos atletas.
Eficácia da pressão direta
Dados do departamento de futebol mostram que 70% das intervenções da Gaviões no CT resultaram em mudanças técnicas ou de elenco nos 30 dias subsequentes. O índice de aproveitamento do Corinthians melhorou em seis das nove ocasiões analisadas entre 2014 e 2023.
A temporada de 2017 exemplifica a eficácia da estratégia. Após protesto da organizada em maio, o clube demitiu Osmar Loss e contratou Fábio Carille. O time saltou de 53% para 71% de aproveitamento nos pontos corridos, garantindo vaga na Libertadores de 2018.
"A torcida tem o direito de cobrar, mas sempre dentro do respeito e da civilidade", declarou o presidente Augusto Melo em entrevista coletiva na semana passada.
Entretanto, nem todas as mudanças trouxeram resultados positivos. Em 2021, a saída de Vagner Mancini após pressão da Gaviões levou à contratação de Sylvinho, que obteve apenas 38% de aproveitamento em 16 jogos. O clube gastou R$ 3,4 milhões na troca de comando técnico.
O Corinthians volta aos treinos nesta quinta-feira, preparando a equipe para o clássico contra o Palmeiras, marcado para domingo no Allianz Parque. A partida é decisiva para as pretensões alvinegras na classificação do Paulistão, já que o time ocupa apenas a quinta colocação do Grupo A.

