Nove técnicos diferentes comandaram o Grêmio desde a última conquista de um título nacional, em 2017, quando o clube levantou a Copa do Brasil. O dado revela a instabilidade que marca o futebol tricolor nos últimos sete anos, período em que apenas Renato Gaúcho conseguiu permanência superior a um ano no cargo. A estatística ganha relevância após as declarações do atacante Carlos Vinícius, artilheiro do Brasileirão com sete gols, que criticou a cultura de "crucificar" treinadores no futebol brasileiro.

"Meter o Luís Castro na cruz seria uma boa falsidade da nossa parte. Temos que olhar para nós próprios como jogadores. Eu sei que a gente vive nessa cultura aqui do Brasil. Os resultados correm mal, matamos o treinador e metemos o treinador na cruz"

A fala do atacante veio após a derrota por 2 a 0 para o Cruzeiro, no Mineirão, resultado que estendeu para cinco jogos a sequência sem vitórias no Campeonato Brasileiro. O Grêmio ocupa atualmente a 14ª posição com 13 pontos, apenas um acima da zona de rebaixamento.

Carrossel de técnicos desde 2017

O levantamento do SportNavo mostra que Renato Gaúcho foi o último treinador a conquistar estabilidade no cargo, permanecendo por dois períodos distintos entre 2016 e 2021. Após sua saída definitiva, o clube passou por Vagner Mancini (2021), Roger Machado (2022), Tiago Nunes (2022), Mano Menezes (2022-2023) e agora Luís Castro, contratado em janeiro de 2024.

Outros nomes que passaram rapidamente pelo comando técnico incluem interinos como Alexandre Mendes e Cesar Lopes, que assumiram em períodos de transição. A média de permanência dos treinadores efetivos não ultrapassa oito meses, reflexo da pressão constante por resultados imediatos.

O caso mais emblemático foi a demissão de Mano Menezes em dezembro de 2023, exatamente em situação similar à atual de Luís Castro. O experiente técnico foi dispensado após sequência de jogos sem vitória, mesmo tendo ajudado o clube a escapar do rebaixamento no Brasileirão de 2023.

Padrão de instabilidade no futebol brasileiro

Carlos Vinícius destacou que o problema transcende a pessoa do treinador, citando especificamente o ciclo vivido com Mano Menezes. O atacante português fez questão de assumir responsabilidade coletiva pelos resultados negativos, contrastando com a tendência de responsabilizar exclusivamente o comando técnico.

"Não é bem por aí porque ano passado andamos nessa conversa. Quando as coisas não estiveram correndo bem ali, era o Mano que era o culpado. O Mano sai, vem o Luís Castro, e as coisas não têm corrido bem. É o Luís Castro que é o culpado? Não, temos que apontar para nós mesmos"

A análise dos números confirma a percepção do jogador. Dos nove técnicos que passaram pelo Grêmio desde 2017, apenas três conseguiram campanhas consideradas exitosas: Renato Gaúcho (títulos da Libertadores 2017 e Copa do Brasil 2016), Roger Machado (classificação para Sul-Americana) e Mano Menezes (permanência na Série A).

Carrossel de técnicos desde 2017 Grêmio já demitiu nove técnicos desde úl
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Pressão sobre Luís Castro

O técnico português chegou ao Grêmio em janeiro com o desafio de implementar um novo estilo de jogo e devolver o clube ao protagonismo nacional. Contudo, os resultados no Brasileirão não correspondem às expectativas: cinco jogos sem vencer colocaram o time próximo à zona de rebaixamento.

Padrão de instabilidade no futebol brasileiro Grêmio já demitiu nove técnicos de
Padrão de instabilidade no futebol brasileiro Grêmio já demitiu nove técnicos de

A diretoria gremista, comandada pelo presidente Alberto Guerra, ainda mantém confiança no trabalho de Castro, mas a pressão da torcida aumenta a cada rodada sem vitória. O clube investiu na contratação de jogadores experientes como Carlos Vinícius, mas a adaptação ao sistema tático proposto pelo português ainda não surtiu o efeito esperado.

O próximo compromisso do Grêmio será contra o Confiança, pela Copa do Brasil, na próxima terça-feira (21), às 19h30, em Porto Alegre. Uma vitória pode aliviar momentaneamente a pressão sobre Luís Castro, enquanto uma eliminação precoce na competição nacional intensificaria ainda mais o questionamento sobre sua permanência no comando técnico.