51 pontos, 12º lugar no campeonato e uma promoção que sempre foi o plano. Isack Hadjar encerrou sua temporada de estreia na Fórmula 1 com números modestos, mas suficientes para garantir o que ele sempre mirou: a segunda vaga na Red Bull para 2026. O problema é que, antes de assinar o contrato, o próprio piloto franco-argelino admitiu ter sentido aquele frio na barriga que nenhum piloto costuma confessar abertamente.

O "estranho" na vaga mais cobiçada do paddock

Hadjar usou exatamente a palavra "weird" — estranha, no sentido de perturbadora — para descrever a sensação de encarar a segunda cadeira da Red Bull antes de confirmar sua ida para Milton Keynes. A declaração surpreende porque, no paddock da F1, pilotos raramente admitem hesitação em público. A vaga ao lado de Max Verstappen é, teoricamente, o pódio máximo da carreira de qualquer jovem piloto. Mas é justamente isso que a torna tão pesada: ao lado do tetracampeão holandês, qualquer resultado que não impressione vira derrota simbólica.

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O "estranho" na vaga mais cobiçada do paddock Hadjar admite medo da vaga antes d
"Tinha algo estranho naquele assento antes de eu assinar", revelou Hadjar, reconhecendo que a pressão de competir na mesma garagem de Verstappen pesou nas suas reflexões antes de fechar o acordo com a equipe.

O que os dados de 2025 revelam sobre o piloto

A temporada de estreia de Hadjar pela Racing Bulls entregou consistência acima de irregularidade — uma virtude que os engenheiros da Red Bull monitoram com atenção. Os 51 pontos conquistados ao longo de 2025 colocaram o piloto em 12º no campeonato de pilotos, uma posição que, para uma equipe de midfield, representa uma estreia competente. Ele também conquistou sua primeira vitória em F1, um marco que pesa muito no processo de avaliação interna da Red Bull para definir quem merece escalar para a equipe principal.

O que os dados de 2025 revelam sobre o piloto Hadjar admite medo da vaga antes d
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Para contextualizar no plano técnico: a Racing Bulls opera com um pacote aerodinâmico derivado da Red Bull, mas com menor downforce líquido e menos acesso aos modos de motor de alta performance. Isso significa que o piloto precisa compensar com uma gestão mais fina da degradação térmica dos pneus — aquele processo pelo qual o calor excessivo gerado no composto da borracha começa a destruir a superfície de contato, aumentando os tempos de volta gradualmente. Hadjar demonstrou capacidade de administrar esse equilíbrio ao longo da temporada, o que agrada engenheiros que pensam em estratégia de longo curso.

Ser companheiro de Verstappen — uma análise técnica e humana

A confissão de Hadjar abre uma discussão que o SportNavo já acompanha há algumas temporadas: a segunda vaga da Red Bull tem um histórico de destruir carreiras promissoras. Desde que Verstappen consolidou seu domínio, pilotos como Sergio Pérez viram sua imagem se fragmentar sob o peso da comparação constante. O problema não é apenas de velocidade bruta — é de setup do carro. Verstappen é conhecido por trabalhar com um carro de subviragem reduzida, quase no limite da instabilidade traseira, o que exige uma adaptação intensa de qualquer companheiro que chegue à garagem sem esse histórico.

"A promoção para a Red Bull sempre foi o plano desde o início", disse Hadjar, sinalizando que sua temporada na Racing Bulls foi executada com esse objetivo em mente — não como um fim em si mesma, mas como uma fase de preparação.

Na análise do SportNavo, o verdadeiro teste para Hadjar não será a velocidade em classificação — onde Verstappen costuma ser intocável — mas a capacidade de acumular pontos com consistência, executar bem o undercut (estratégia de antecipar o pit stop para ganhar posições sobre rivais que ainda estão na pista com pneus mais velhos) e não se desorganizar psicologicamente quando os dados internos da equipe mostrarem a diferença de pace para o holandês.

O que esperar do piloto na temporada seguinte

Com as mudanças regulatórias de 2026, que incluem uma reformulação completa do regulamento aerodinâmico e a entrada de novas unidades de potência com maior componente elétrico, toda a hierarquia do grid pode ser embaralhada. Para Hadjar, esse é um argumento favorável: com todos os pilotos em fase de adaptação a carros novos, a curva de aprendizado de um jovem de 20 anos pode se igualar, ao menos temporariamente, à de um veterano. A Red Bull confirmou que o piloto estará na segunda cadeira da equipe principal a partir dessa temporada, o que representa a materialização de um caminho construído desde os tempos da academia Red Bull.

O grid de 2026 já começa a tomar forma, e Hadjar terá seus primeiros testes ao volante do novo RB no início do próximo ano. A pressão existe, é real e ele próprio admitiu senti-la. Mas a diferença entre os pilotos que sobrevivem ao lado de Verstappen e os que naufragam costuma estar em um detalhe técnico e mental: saber que o objetivo não é bater o companheiro no sábado, mas construir pontos suficientes para ser relevante no domingo.