Com dois jogadores expulsos na prorrogação e um gol de Firas Al-Buraikan aos seis minutos do tempo extra, o Al-Ahli venceu o Machida Zelvia por 1 a 0 neste sábado e se sagrou bicampeão da AFC Champions League Elite — e o quarteto brasileiro de Ibañez, Galeno, Matheus Gonçalves e Ricardo Mathias estava no centro de uma conquista que entra para a história do futebol asiático.
A final jogada no limite humano
A decisão, disputada em partida única no King Abdullah Sports City Stadium, em Jidá, foi um teste extremo de organização tática e resistência mental. Hawsawi foi expulso aos 23 minutos do segundo tempo, deixando o Al-Ahli com dez jogadores por mais de 50 minutos. Já no final da prorrogação, Abdulrahman também recebeu o cartão vermelho, reduzindo o time a nove homens. Mesmo assim, o clube saudita não cedeu o empate e converteu a única chance decisiva do jogo.

O técnico alemão Matthias Jaissle, que comanda um elenco multicultural com estrelas como o argelino Riyad Mahrez, o goleiro senegalês Édouard Mendy e o inglês Ivan Toney, precisou reorganizar linhas e distribuir funções de forma emergencial. A solidez defensiva que permitiu o empate sem gols no tempo regulamentar não surgiu do acaso — foi construída ao longo de uma campanha que combinou investimento do fundo soberano saudita com trabalho coletivo refinado.
"Esse título mostra o caráter desse grupo. Jogar tanto tempo com um a menos e ainda vencer na prorrogação é algo extraordinário", declarou o clube saudita em nota oficial divulgada após a conquista.
O papel dos brasileiros na campanha bicampeã
Ibañez, zagueiro de 27 anos formado no Ituano e revelado ao futebol europeu pela Roma, foi um dos pilares da defesa que sustentou o resultado diante do Machida Zelvia. Sua experiência na Serie A italiana e na Champions League europeia deu consistência a um setor que precisou operar por décadas de minutos em inferioridade numérica. O próprio defensor tem sido associado à Seleção Brasileira nas conversas sobre a Copa do Mundo, e sua atuação na Ásia reforça argumentos técnicos a seu favor.
Galeno, que chegou ao Al-Ahli após passagem marcante pelo Porto — onde foi decisivo em temporadas de Champions League europeia —, atuou como referência ofensiva ao longo da competição asiática. Matheus Gonçalves, jovem de 21 anos revelado pelo Flamengo, e Ricardo Mathias completam o quarteto que, segundo análise exclusiva do SportNavo, forma um dos maiores grupos de brasileiros em atividade simultânea em um único clube fora do Brasil na última década.
"Estamos escrevendo história aqui. Ganhar dois títulos seguidos nessa competição é algo que poucos clubes conseguiram", afirmou Galeno em entrevista à imprensa saudita após a conquista.
Contexto histórico e peso do bicampeonato
O Al-Ahli se tornou o primeiro clube a vencer as duas edições do novo formato da AFC Champions League Elite, iniciado na temporada 2024/25. Historicamente, o maior campeão do torneio em toda a sua história é o rival Al-Hilal, com quatro títulos. O último clube a conquistar títulos asiáticos consecutivos havia sido o Al-Ittihad, bicampeão em 2004 e 2005 — ou seja, mais de vinte anos se passaram entre um feito e outro de mesma magnitude na região.
O levantamento do SportNavo sobre a presença saudita na competição mostra que Al-Hilal (4 títulos), Al-Ittihad (2) e Al-Ahli (2) concentram 8 das conquistas mais recentes, evidenciando como o futebol árabe passou a dominar estruturalmente o continente asiático após os aportes bilionários iniciados em 2023.
Vaga no Mundial de Clubes de 2029 e Copa Intercontinental
A conquista asiática garantiu ao Al-Ahli duas participações em torneios da FIFA: a Copa Intercontinental de 2026, prevista para dezembro daquele ano, e uma vaga no Mundial de Clubes de 2029 — sendo o primeiro clube do mundo a se classificar para essa edição, que ainda não tem sede definida pela entidade máxima do futebol. A Ásia tem direito a quatro vagas no torneio de 2029, e as três restantes serão distribuídas entre os campeões asiáticos das temporadas 2025/26, 2026/27 e 2027/28.
Para Ibañez, Galeno, Matheus Gonçalves e Ricardo Mathias, a classificação ao Mundial de 2029 representa um horizonte de quatro anos de competição de alto nível no clube saudita — tempo suficiente para consolidar carreiras, disputar espaço na Seleção Brasileira e eventualmente aumentar seu valor de mercado antes do torneio mais aguardado do calendário de clubes. O Al-Ahli volta às competições pela Copa Intercontinental de 2026, onde enfrentará representantes de outras confederações em dezembro daquele ano.








