O gramado do CT em Morristown, Nova Jersey, estava molhado quando os jogadores da Seleção Brasileira começaram a dinâmica de troca de passes na manhã desta terça-feira, 9 de junho. A brincadeira era simples: dez passes sem perder a bola garantiam o direito ao cruzamento pela direita. Quem escolheu para fazer esse cruzamento foi Carlo Ancelotti. E a escolha foi Ibañez — não Danilo.
O sinal é discreto, mas num ambiente de Copa do Mundo, detalhes de treino são amplificados. A informação ganha peso ainda maior porque o ponto de partida da dúvida foi uma lesão: Wesley, da Roma, foi cortado com uma lesão muscular no adutor da coxa e está fora da estreia contra o Marrocos, marcada para o próximo sábado, 13 de junho, pela primeira rodada do Grupo C.
A lesão de Wesley cria o vácuo que Ancelotti agora precisa preencher
Wesley era o lateral-direito titular projetado para a Copa. Com 23 anos e uma temporada sólida pela Roma, ele representava o equilíbrio que Ancelotti buscava entre presença ofensiva e cobertura defensiva. A lesão no adutor — grau muscular ainda não especificado pela CBF — tirou essa opção da mesa e obrigou o técnico italiano a reconfigurar um setor que já era tratado com atenção especial pela comissão técnica.
Segundo apuração do Lance!, o treino desta terça também confirmou que Lucas Paquetá foi o outro escolhido para o cruzamento, o que sinaliza que o meia deve ser titular. Neymar, por sua vez, realizou ressonância magnética na segunda-feira, 8, para avaliar a lesão de grau 2 na panturrilha da perna direita. A CBF informou que houve evolução, mas descartou retorno com bola ainda nesta semana.
O que sobrou para a lateral-direita são dois perfis radicalmente diferentes.

Danilo carrega a confiança de Ancelotti, mas não vive a posição há anos
Aos 34 anos, Danilo é um dos líderes do elenco e possui um ativo que poucos jogadores do grupo têm: a memória muscular do sistema de Ancelotti. Os dois trabalharam juntos no Real Madrid, e o lateral conhece as exigências do treinador em termos de posicionamento, saída de bola e marcação em linha. Isso tem peso real numa competição de eliminatórias curtas como a Copa do Mundo.
O problema é que Danilo não é mais lateral-direito no dia a dia. Desde a Copa do Catar, em 2022, quando ele mesmo admitia enxergar seu futuro mais centralizado na defesa, a transição para zagueiro se consolidou. Na Juventus e depois no Flamengo, passou a atuar majoritariamente no centro da zaga. As aparições na lateral têm sido pontuais — situações específicas de jogo, não rotina de posição. O que para o zagueiro argentino é normalidade voltar ao eixo central, para o lateral português é muitas vezes um passo para trás que não acontece com a mesma facilidade — e Danilo vive exatamente esse dilema.
Ritmo de posição importa. E Danilo não tem.
Ibañez oferece o que o Marrocos mais vai exigir da lateral brasileira
Aos 27 anos, Arthur Theate Ibañez chega com um histórico mais recente de atuações pelos flancos. Durante a passagem pela Roma — o mesmo clube que agora também é casa de Wesley — ele foi utilizado tanto na lateral-direita quanto na esquerda em diferentes fases da temporada. O padrão se repetiu no Al Ahli, no futebol saudita, onde a versatilidade defensiva foi acionada com frequência.
A questão física também entra no cálculo. Ibañez é sete anos mais jovem que Danilo, com características de explosão e velocidade de recuperação que ganham relevância diante do perfil do Marrocos. A comissão técnica brasileira monitorou o amistoso da seleção africana contra a Noruega e identificou que a principal arma ofensiva marroquina são os avanços pelos corredores laterais — transições rápidas com chegadas constantes ao ataque. Um lateral que perdeu velocidade de reação ao longo dos anos representa risco concreto nesse contexto específico.
"Com o corte de Wesley, o treinador tem que escolher um novo lateral-direito, além de definir o sistema de jogo e quem irá começar no ataque", registrou o Lance! após o treino desta terça.
O treino em Morristown mostrou Ibañez no papel. Mas Ancelotti ainda não fechou a decisão — a imprensa teve acesso apenas aos minutos iniciais da atividade, e o mistério sobre a escalação permanece, segundo a Folha de S.Paulo. O que se viu em campo foi suficiente para acender o debate, não para encerrá-lo.
Em matéria do SportNavo, o perfil de ambos os jogadores revela que a escolha não é apenas sobre quem joga melhor — é sobre qual risco Ancelotti está disposto a assumir. Colocar Danilo é apostar na leitura de jogo e na experiência de Copa, aceitando um déficit físico em uma posição que exige muita corrida. Escalar Ibañez é confiar no momento físico e na recente prática posicional, aceitando uma menor familiaridade com os automatismos do treinador.
O Brasil enfrenta o Marrocos no próximo sábado, 13 de junho, no MetLife Stadium, em East Rutherford, Nova Jersey. A definição do time titular deve vir nos treinos de quinta e sexta-feira — e Ibañez saiu na frente após o que se viu nesta manhã.








