O Jacuipense vive um paradoxo futebolístico em 2026. Enquanto atravessa o maior jejum de vitórias da temporada - oito jogos sem triunfar -, o clube baiano protagoniza sua melhor campanha histórica na Copa do Brasil ao alcançar a quinta fase do torneio nacional. O time de Riachão do Jacuípe enfrenta o Palmeiras nesta quinta-feira, no Allianz Parque, carregando o peso de representar a Série D em uma fase onde tradicionalmente apenas clubes das divisões superiores sobrevivem.
Trajetória histórica supera expectativas da Série D
A campanha do Jacuipense na Copa do Brasil 2026 começou na primeira fase, onde eliminou o Santa Catarina por 2 a 1 no placar agregado. Na sequência, superou o Ceilândia por 3 a 2 também no somatório dos dois jogos, antes de conquistar sua vitória mais expressiva ao derrotar o Novorizontino por 4 a 1 em casa e empatar por 1 a 1 fora, avançando às oitavas de final com placar agregado de 5 a 2.
Os números mostram a evolução do clube baiano ao longo das fases. Segundo apuração do SportNavo, o Jacuipense marcou 11 gols em seis partidas da competição, mantendo média superior a 1,8 gol por jogo. O atacante Juninho, de 24 anos, lidera a artilharia da equipe no torneio com quatro tentos, sendo três deles marcados na vitória sobre o Novorizontino em casa.
O técnico Gilmar Dal Pozzo, de 52 anos, implementou um sistema tático baseado no 4-2-3-1 que privilegia transições rápidas e aproveitamento de bolas paradas. Das 11 finalizações que resultaram em gol na Copa do Brasil, cinco nasceram de jogadas ensaiadas - um aproveitamento de 45% que explica parte do sucesso da equipe em momentos decisivos.
Momento contrastante compromete confiança
O jejum de oito jogos sem vitória, entretanto, expõe as limitações do elenco do Jacuipense quando a competição se intensifica. Na Copa do Nordeste, o time foi eliminado ainda na fase de grupos após somar apenas quatro pontos em seis partidas. Na Série D, ocupa a 8ª colocação do Grupo A5 com 12 pontos em 10 jogos, distante da zona de classificação.
O meio-campista Thiago Santos, um dos pilares da equipe aos 28 anos, admitiu as dificuldades recentes em entrevista ao portal oficial do clube: "Sabemos que o momento não é dos melhores, mas a Copa do Brasil nos deu confiança para seguir lutando. Chegamos até aqui merecidamente".
A defesa se tornou o principal problema da equipe nas últimas semanas. O Jacuipense sofreu 14 gols nos oito jogos do jejum, média de 1,75 por partida que contrasta com os seis gols sofridos em toda a campanha da Copa do Brasil. O zagueiro Marcão, capitão e jogador mais experiente do elenco aos 33 anos, perdeu três partidas por lesão muscular, comprometendo a organização defensiva.
Desafio desproporcional contra líder do Brasileirão
O confronto contra o Palmeiras representa um salto de categoria para o Jacuipense. O Verdão chega ao Allianz Parque na liderança da Série A com 13 vitórias em 14 jogos como mandante na temporada, aproveitamento de 92,8% que demonstra a força do time em seus domínios. Além disso, quase 40% dos gols palmeirenses nasceram de bolas paradas, arsenal ofensivo que pode ser decisivo contra uma defesa fragilizada.
Dal Pozzo reconhece a assimetria do duelo, mas aposta na motivação do grupo para surpreender. Conforme levantamento do SportNavo, apenas dois clubes da Série D alcançaram as quartas de final da Copa do Brasil nos últimos dez anos - o Jacuipense tem a oportunidade de se tornar o terceiro caso consiga um resultado positivo em São Paulo.
O jogo de volta está marcado para a próxima terça-feira, no Estádio Eliel Martins, em Riachão do Jacuípe, onde o Jacuipense não perde há 11 partidas. Para manter vivo o sonho da classificação, a equipe baiana precisa sair de São Paulo com uma desvantagem mínima, aproveitando o fator casa na decisão para tentar o feito histórico de eliminar um dos favoritos ao título nacional.

