Sexta-feira, 13 de junho de 2026. No dia anterior ao evento mais politicamente carregado da história do UFC, o juiz federal Amit Mehta assinou a decisão que encerrou a última tentativa legal de impedir o card no gramado sul da Casa Branca.
A ação que chegou tarde demais ao tribunal
Os autores Susan Douglas e Paul Romano protocolaram o pedido de injunção emergencial em 7 de junho — mais de duas semanas depois de os primeiros equipamentos começarem a chegar à Casa Branca, por volta de 20 de maio. A estrutura conhecida como The Claw, o octógono temporário montado no jardim sul, já estava erguida quando o processo foi distribuído ao juízo federal.
O argumento central da ação era que o evento comercializaria indevidamente um espaço público e causaria danos a marcos históricos — incluindo o Lincoln Memorial, onde a coletiva de imprensa do UFC estava agendada para esta sexta-feira. A petição sustentava que funcionários do governo deveriam ter obtido aprovação do Congresso antes de autorizar a construção da estrutura.
"O público sabe desde julho de 2025 que a Casa Branca sediaria um evento do UFC. Os equipamentos começaram a chegar por volta de 20 de maio de 2026 e a construção do The Claw teve início seis dias depois. Os autores, porém, esperaram até 7 de junho — mais de duas semanas após o início das obras visíveis — para buscar uma medida emergencial", escreveu Mehta na decisão.
O timing destruiu a credibilidade do pedido. Mehta apontou que a urgência alegada era incompatível com a espera de mais de duas semanas para acionar o Judiciário, mesmo com a estrutura crescendo visivelmente no gramado mais fotografado dos Estados Unidos.
Os fundamentos que o juiz rejeitou um a um
A decisão de Mehta foi técnica e direta. O magistrado concluiu que os autores não conseguiram demonstrar dois requisitos indispensáveis para uma injunção emergencial: legitimidade para agir (standing) com probabilidade substancial de êxito, e dano irreparável concreto.
"Como os autores não conseguiram estabelecer nem uma probabilidade substancial de legitimidade nem de dano irreparável, e como os fatores de equidade e interesse público pesam contra a concessão de uma medida emergencial, o pedido é negado", registrou o juiz na sentença divulgada nesta sexta-feira.
Sem os dois pilares, a ação desabou antes mesmo de chegar ao mérito. O juízo sequer precisou analisar se a construção do The Claw violou ou não normas de uso de espaço público — a porta foi fechada antes disso.
O que o evento representa além do octógono
O card está marcado para domingo, 14 de junho, às 20h (horário de Brasília), transmitido ao vivo pela Paramount. A data não é casual: é o aniversário de 80 anos de Donald Trump, e o evento integra as comemorações do 250º aniversário dos Estados Unidos — o que o UFC batizou de UFC Freedom 250.
A fusão entre esporte de combate e palanque presidencial não é nova para Dana White, que esteve ao lado de Trump em comícios desde 2016. Mas montar um octógono no jardim sul da Casa Branca, com uma estrutura da magnitude do The Claw, eleva esse relacionamento a outro nível de visibilidade institucional. Para o UFC, é marketing global sem custo de mídia. Para Trump, é imagem de força física e popularidade em véspera de ciclo político.
A tentativa de barrar o evento via Judiciário, mesmo que mal estruturada, revela que parte do público enxerga o uso do espaço como um problema de precedente — não de preferência esportiva. Se a Casa Branca pode sediar um evento comercial do UFC sem aprovação do Congresso, o que impede outros usos similares no futuro? Mehta não respondeu a essa pergunta porque não precisou. Mas ela permanece aberta.
Em matéria do SportNavo, o evento foi acompanhado desde o anúncio original em julho de 2025, quando Trump confirmou pessoalmente o card. Agora, com a via judicial encerrada, o que resta é o que acontece dentro do octógono. O card começa às 20h de domingo, 14 de junho de 2026 — e a decisão sobre o legado desse evento, esportivo e político, começa a ser escrita ali.








