Quinta-feira, 14h30 (horário de Brasília). No Estádio Azteca, com capacidade para mais de 80 mil pessoas e palco de duas finais de Copa do Mundo — 1970 e 1986 —, a cerimônia de abertura do maior torneio da história do futebol começava com Maná, Danny Ocean, Belinda e J Balvin. Shakira fecharia o espetáculo cantando Dai Dai, a música oficial da competição, ao lado do nigeriano Burna Boy. Nenhum deles, porém, dominou as redes sociais nas horas seguintes. Quem roubou a cena foram dois bonecos de pelúcia com dentes afiados e olhos esbugalhados que apareceram brigando pela taça logo antes da entrada do colombiano J Balvin.

O momento em que dois Labubus gigantes pararam o Azteca

Os Labubus são criação do designer Kasing Lung, de Hong Kong, e são comercializados pela empresa chinesa Pop Mart em caixas sortidas — o comprador não sabe qual versão vai receber. A mecânica de surpresa foi parte central do fenômeno que transformou os bonecos em febre global ao longo de 2025, quando celebridades passaram a usá-los pendurados em bolsas e roupas. Na cerimônia de abertura da Copa do Mundo de 2026, dois exemplares em tamanho gigante encenaram uma disputa pela taça do torneio, num número coreografado que durou menos de dois minutos — tempo suficiente para dominar o trending topics do X no Brasil.

A reação do público nas arquibancadas foi de surpresa e diversão. Nas redes sociais brasileiras, o tom foi semelhante: "mano meteram dois labubus em uma abertura de copa obrigado deus", escreveu um usuário. A aparição contrastou com as críticas generalizadas ao espetáculo, que não passou de 30 minutos. "Meu Deus, é a abertura de Copa mais fraca de todos os tempos", publicou outra internauta. A influenciadora Dora Figueiredo resumiu o sentimento coletivo:

"Mas gente já acabou a abertura da Copa????? Que isso que mixaria é essa????"

A gafe de Villani e o filho que salvou a transmissão da Globo

O narrador Gustavo Villani, responsável pela transmissão ao vivo pela Globo, confundiu os Labubus com os mascotes oficiais da competição. Os personagens reais do torneio são Maple (Canadá), Clutch (Estados Unidos) e Zayu (México) — nenhum deles tem a estética sombria e os dentes proeminentes dos bonecos da Pop Mart. Villani se corrigiu poucos segundos depois, ao revelar que recebeu uma mensagem do próprio filho explicando o engano. A gafe viralizou imediatamente e se tornou o primeiro grande meme da cobertura brasileira do torneio. A diferença entre o reconhecimento dos mascotes oficiais e a popularidade dos Labubus é a distância entre Manaus e Salvador — um abismo que a FIFA provavelmente não esperava ver exposto na transmissão mais assistida do país.

O momento em que dois Labubus gigantes pararam o Azteca Labubu gigante virou o m
O momento em que dois Labubus gigantes pararam o Azteca Labubu gigante virou o m

No SBT, Galvão Bueno acompanhou a cerimônia de forma remota, de um estúdio alugado em Nova York, onde a emissora o manteve por razões logísticas e de saúde — o narrador passou por cirurgia recentemente. Quem narrou o jogo de abertura entre México e África do Sul foi Tiago Leifert, ao lado de Raphael Rezende, Juninho Paulista e Nadine Basttos. Galvão e o comentarista Mauro Beting aproveitaram a transmissão para questionar a mensagem "o futebol une todo o mundo" exibida durante o espetáculo, citando o caso do árbitro Omar Abdulkadir Artan, impedido de entrar nos Estados Unidos, e as restrições impostas à seleção iraniana.

Chegada oficial dos Labubus ao Brasil fecha o ciclo do meme

Até a abertura da Copa, os Labubus não tinham distribuição oficial no Brasil — apenas versões falsificadas circulavam no mercado informal. A marca de brinquedos Candide anunciou parceria com a Pop Mart para iniciar a venda dos produtos originais no país em junho de 2026, com 30 itens diferentes e preços entre R$ 299,99 e R$ 799,99. A aparição dos bonecos na cerimônia funciona, na prática, como a maior campanha publicitária gratuita que a Pop Mart poderia ter obtido no Brasil — e em nenhum momento foi planejada para esse mercado específico.

O fenômeno Labubu na abertura da Copa de 2026 revela algo sobre o funcionamento da cultura pop na era das redes sociais: um objeto de nicho, surgido em Hong Kong, cultivado por colecionadores asiáticos e disseminado globalmente por celebridades, conseguiu superar em engajamento digital uma artista do porte de Shakira — presença frequente em Copas, dona de Waka Waka e La La La — e um elenco que incluía J Balvin, Los Ángeles Azules e Burna Boy. O árbitro da partida de abertura, o brasileiro Wilton Pereira Sampaio, foi escalado pela FIFA em sinal de prestígio à CBF, segundo avaliação do comentarista Arnaldo Ribeiro no Canal UOL.

"A escalação do Wilton demonstra um certo prestígio da Confederação Brasileira junto à FIFA. É um jogo super importante, simbólico"
, disse Ribeiro. Shakira encantou quem estava no Azteca. Os Labubus encantaram todo o resto.