O eco das lágrimas de Lucas Paquetá ainda ressoa no Maracanã três dias depois da vitória por 2 a 0 sobre o Bahia. A cena do meio-campista deixando o gramado aos 90 minutos, com dores na parte posterior da perna direita e visivelmente abalado, transformou uma noite de celebração em fonte de inquietação para Leonardo Jardim e a torcida rubro-negra. O gol que marcou aos 34 minutos do segundo tempo, ampliando o placar, pode ter custado caro demais.
A importância de Paquetá no atual momento do Flamengo transcende os números estatísticos. Desde seu retorno ao futebol brasileiro, o camisa 20 vinha demonstrando uma adaptação crescente ao ritmo e às exigências táticas de Jardim. Nas últimas cinco partidas pelo Brasileirão, acumulou três gols e duas assistências, consolidando-se como peça fundamental no meio-campo rubro-negro. Sua ausência, mesmo temporária, obrigaria o técnico a repensar toda a estrutura de criação da equipe.
O drama paralelo de Saúl no Maracanã
Enquanto Paquetá protagonizava o drama esportivo, outro jogador do elenco enfrentava questões bem mais sérias fora de campo. Saúl Ñíguez, que entrou aos 33 minutos do segundo tempo e deu a assistência para o gol de Paquetá, revelou após a partida estar vivendo dias difíceis no âmbito pessoal.

"A verdade é que estou muito contente por estar de volta. Hoje tive muita sorte porque minha filha veio me ver depois de muito tempo. Não está sendo um dia fácil para mim, porque meu filho está na UTI e estamos há três dias no hospital"
O meia espanhol, pai de três filhos, conseguiu encontrar forças para contribuir em campo mesmo com o filho Enzo, nascido em 2023, internado na UTI há três dias. A primeira assistência de Saúl na temporada 2025 ganhou contornos emocionais que extrapolam o futebol, evidenciando a complexidade humana que permeia o esporte profissional.
Jardim mantém otimismo cauteloso sobre Paquetá
O técnico Leonardo Jardim tentou tranquilizar a imprensa sobre o estado físico de Paquetá, mas suas palavras carregavam o tom de quem prefere aguardar avaliações mais detalhadas do departamento médico.
"Paquetá aguentou até o fim do jogo, teve uma pequena dor na parte posterior da perna direita, não parece grave, mas vamos ver ainda o que foi"
A cautela de Jardim se justifica pelo histórico recente de lesões musculares no elenco rubro-negro. Segundo análise do SportNavo, o Flamengo já perdeu 127 dias de jogadores por problemas na posterior da coxa nesta temporada, incluindo ausências prolongadas de Arrascaeta e Everton Ribeiro em períodos cruciais. A repetição desse padrão com Paquetá seria especialmente prejudicial dado seu papel central no sistema tático atual.
Calendário intenso aumenta pressão sobre elenco
O timing da possível lesão de Paquetá não poderia ser mais inconveniente. O Flamengo enfrenta o Vitória na quarta-feira, às 21h30, no Maracanã, pela quinta fase da Copa do Brasil, competição na qual ainda nutre ambições de título. Na sequência, tem pela frente o clássico contra o Vasco no próximo domingo e a retomada da fase de grupos da Libertadores na segunda quinzena de janeiro.
Com 23 pontos no Brasileirão, seis atrás do líder Palmeiras mas com um jogo a menos, o Flamengo vive momento delicado na briga pelo título nacional. A ausência de Paquetá forçaria Jardim a improvisar com Evertton Araújo como titular ou acelerar a adaptação de reforços recém-chegados ao Ninho do Urubu.

O departamento médico rubro-negro trabalha contra o relógio para definir a gravidade da lesão. Os exames de imagem realizados na segunda-feira deverão esclarecer se Paquetá estará disponível para o confronto decisivo contra o Vitória, que pode definir mais uma classificação nas copas nacionais para o clube da Gávea.

