Ezequiel Lavezzi, ex-atacante da seleção argentina e companheiro de Lionel Messi em duas Copas do Mundo, revelou publicamente sua luta contra a depressão após encerrar a carreira aos 36 anos. O jogador, que acumulou mais de €50 milhões em salários durante passagens por Napoli, PSG e Hebei Fortune, admitiu não conseguir controlar os sintomas da doença mental.

A aposentadoria precoce de Lavezzi em 2019 surpreendeu o mercado europeu. Na China, o argentino recebia €24 milhões anuais no Hebei Fortune, contrato que o colocava entre os dez jogadores mais bem pagos do mundo. Mesmo com estabilidade financeira garantida, a transição para a vida civil trouxe consequências inesperadas.

"Não podia controlar a situação. A depressão chegou de forma silenciosa e me pegou desprevenido"

Carreira milionária mascarou fragilidade emocional

Durante 15 anos como profissional, Lavezzi movimentou €78 milhões em transferências. Sua venda do San Lorenzo para o Napoli, em 2007, custou €6,5 milhões aos italianos. Três anos depois, o PSG desembolsou €26,5 milhões para contratá-lo, estabelecendo um dos maiores negócios da Ligue 1 na época.

No Paris Saint-Germain, entre 2012 e 2016, Lavezzi recebeu salário anual de €8 milhões, além de bônus por títulos. Conquistou quatro campeonatos franceses consecutivos e duas Copas da Liga, formando trio ofensivo com Zlatan Ibrahimović e Edinson Cavani.

A mudança para a China representou multiplicação salarial de 300%. O Hebei Fortune ofereceu contrato de três anos totalizando €72 milhões, incluindo cláusulas de imagem e participação em lucros. Segundo apuração do SportNavo, Lavezzi chegou a recusar proposta do Boca Juniors de €4 milhões anuais para permanecer no futebol chinês.

Vazio existencial após aposentadoria súbita

Especialistas em psicologia esportiva apontam a aposentadoria precoce como fator de risco para depressão em atletas. Lavezzi encerrou a carreira no auge físico, diferentemente de jogadores que se aposentam por lesões ou declínio técnico natural.

A perda de rotina estruturada, reconhecimento público constante e adrenalina competitiva cria vácuo emocional. Estudos da FIFA indicam que 35% dos ex-jogadores desenvolvem sintomas depressivos nos dois primeiros anos pós-carreira.

Na seleção argentina, Lavezzi disputou 51 partidas e marcou nove gols entre 2007 e 2016. Participou de duas Copas do Mundo (2010 e 2014) e três edições da Copa América, sempre como titular absoluto sob comando de diferentes técnicos.

Revelação quebra tabu no futebol mundial

A confissão de Lavezzi se soma a casos similares de ex-jogadores como Andrés Iniesta, que revelou episódios depressivos durante a carreira, e Clarence Seedorf, que desenvolveu síndrome do pânico após aposentadoria. O tema ganhou visibilidade após suicídio do alemão Robert Enke, em 2009.

Programas de transição pós-carreira foram implementados por clubes europeus nos últimos cinco anos. O PSG, ex-clube de Lavezzi, investe €2 milhões anuais em suporte psicológico para atletas aposentados. A Premier League criou fundo de £10 milhões para assistência mental de ex-jogadores.

Carreira milionária mascarou fragilidade emocional Lavezzi revela depressão após
Carreira milionária mascarou fragilidade emocional Lavezzi revela depressão após

Lavezzi atualmente reside em Ibiza, onde investe em projetos imobiliários e mantém academia de futebol. Sua revelação pública representa marco na discussão sobre saúde mental no esporte, área tradicionalmente marcada pelo silêncio e estigma social.