Quarta-feira, 3 de junho de 2026. O treino da Seleção Brasileira naquele dia não foi apenas um exercício físico — foi o momento em que Carlo Ancelotti começou a revelar a hierarquia defensiva que pretende levar à Copa do Mundo. Léo Pereira, zagueiro do Flamengo, perdeu a vaga no esboço de time titular para Marquinhos, capitão da Seleção e um dos líderes históricos da defesa canarinha.
O retorno de Marquinhos e o que ele representa para a zaga
Marquinhos não esteve disponível para o amistoso contra o Panamá, no dia 31 de maio, porque disputou a final da Champions League pelo PSG diante do Arsenal, no sábado anterior, dia 30. Com o retorno do camisa 5, Ancelotti imediatamente o recolocou entre os titulares — sinal claro de que o zagueiro paulistano não é testado, é ponto de partida. Desde a Copa de 2018, na Rússia, Marquinhos acumula mais de 90 partidas pela Seleção, tendo sido titular em três edições do torneio mundial.
Ao lado de Marquinhos, o técnico italiano esboçou Gabriel Magalhães, zagueiro do Arsenal, que também esteve na final da Champions. A dupla formada por jogadores que disputaram a decisão europeia mais importante do calendário revela a preferência de Ancelotti por defensores testados em alto nível de pressão — e isso, historicamente, tem sido critério decisivo nas convocações brasileiras desde a era Parreira.
Léo Pereira e Bremer fora do esboço titular
Com Marquinhos e Gabriel Magalhães à frente na hierarquia, Léo Pereira e Bremer perderam as vagas que ocupavam no esboço anterior. Bremer, que vem de recuperação de lesão grave no joelho sofrida em outubro de 2024 pela Juventus, ainda busca ritmo de jogo. Léo Pereira, por sua vez, viveu grande temporada pelo Flamengo no Brasileirão 2026, mas enfrenta a concorrência direta de dois titulares que atuaram em uma final europeia há menos de uma semana.
A situação de Léo Pereira ilustra um padrão recorrente na história da Seleção: jogadores de alto desempenho no futebol nacional encontram dificuldade de superar concorrentes com maior exposição internacional quando a Copa se aproxima. Em 1994, Aldair e Marcio Santos foram preferidos a zagueiros que dominavam o Brasileirão naquele período — e a dupla foi campeã mundial nos Estados Unidos.
Paquetá e as mudanças no meio-campo que Ancelotti avalia
A reorganização defensiva não foi a única movimentação observada no treino de quarta. Ancelotti também testou Lucas Paquetá no meio-campo, abrindo a possibilidade de o meia do West Ham iniciar como titular contra o Egito. Segundo informações registradas pelo SportNavo, o técnico italiano deve realizar mais uma sessão de trabalho nesta quinta-feira, dia 4, antes de definir o time que entra em campo no sábado, dia 6, às 19h (horário de Brasília), no FirstEnergy Stadium, em Cleveland.
Paquetá acumula 73 partidas pela Seleção desde sua estreia em 2018 e marcou 10 gols com a camisa amarela. Sua versatilidade — capaz de atuar como meia central, segundo volante ou até ponta esquerda — tem sido explorada por Ancelotti em diferentes esquemas táticos ao longo desta preparação.
O amistoso contra o Egito como último ensaio antes da Copa
O confronto de sábado é o último teste do Brasil antes da estreia na Copa do Mundo de 2026, marcada para 13 de junho contra Marrocos. O Egito, que disputou a Copa Africana de Nações em fevereiro, chega com elenco razoavelmente organizado, mas muito distante do nível dos adversários que o Brasil encontrará na fase de grupos. O amistoso, portanto, serve menos como medidor de resultado e mais como laboratório de combinações.
Historicamente, a Seleção utilizou amistosos pré-Copa para consolidar titulares, não para descobrir novidades. Em junho de 2002, antes do Japão e Coreia, Luiz Felipe Scolari já tinha Lúcio e Roque Júnior definidos na zaga — o amistoso final serviu apenas para ajuste físico. Em 2014, Felipão também não alterou a espinha dorsal defensiva nos últimos testes antes do torneio em casa. Ancelotti parece seguir lógica semelhante: Marquinhos está definido, e o que se disputa é a segunda vaga.
Se o desempenho de Gabriel Magalhães no amistoso contra o Egito confirmar a preferência de Ancelotti, Léo Pereira precisará se contentar com o papel de reserva na Copa — ou encontrar uma brecha nas próximas sessões de treino para mudar o diagnóstico do técnico italiano antes do embarque definitivo para a competição. Afinal, se Ancelotti decidir por uma zaga com os dois finalistas da Champions, qual será o papel de Bremer e Léo Pereira nos momentos em que o Brasil precisar de profundidade defensiva durante o torneio?








