Aos 27 anos e no momento mais importante de sua trajetória europeia, Achraf Hakimi deixou o gramado do Parque dos Príncipes com a mão direita pressionada contra a coxa — o mesmo gesto que, em duas ocasiões anteriores, antecipou semanas longe dos campos. O lateral do Paris Saint-Germain sofreu uma lesão muscular na coxa direita durante a vitória por 5 a 4 sobre o Bayern de Munique, nas semifinais da Liga dos Campeões, e acendeu um alerta que vai muito além das preocupações do técnico Luis Enrique: o Marrocos pode chegar ao dia 13 de junho sem sua principal arma ofensiva para enfrentar o Brasil, na fase de grupos da Copa do Mundo de 2026.

O momento da lesão e a decisão de Luis Enrique

A cena se tornou emblemática ainda dentro daquela partida de alta voltagem. Hakimi sentiu o problema após uma tentativa de bote na marcação — movimento típico de quem joga no limite físico durante 90 minutos de semifinal europeia. Com o PSG à frente no placar e o técnico espanhol relutante em abrir mão do lateral em um momento tão sensível do jogo, a solução encontrada por Luis Enrique foi inusitada: deslocar Hakimi para o setor ofensivo, reduzindo o impacto físico sobre a coxa comprometida e preservando o equilíbrio tático do time. O lateral jogou os minutos finais no sacrifício.

Segundo apuração do SportNavo, o PSG ainda não divulgou um diagnóstico oficial sobre a extensão da lesão, mas o histórico muscular do jogador acende luz amarela para os planos marroquinos rumo ao Mundial.

A peça insubstituível de uma geração histórica

Para compreender o peso de uma eventual ausência de Hakimi, é preciso revisitar o que Marrocos construiu nos últimos anos. Na Copa do Mundo de 2022, no Qatar, a seleção norte-africana protagonizou uma das maiores surpresas da história do torneio ao alcançar as semifinais — inédito para qualquer nação africana. Hakimi foi figura central naquela campanha: seus cruzamentos, sua velocidade e sua capacidade de marcar adversários de alto nível foram determinantes na eliminação de Portugal, nas quartas de final.

Formado nas categorias de base do Real Madrid e com passagens por Inter de Milão, Borussia Dortmund e PSG, o lateral acumula números que confirmam sua relevância: nas últimas três temporadas pelo clube parisiense, registrou mais de 20 participações diretas em gols entre assistências e tentos marcados. Sua função transcende a lateral — Hakimi é um mecanismo de pressão ofensiva, capaz de transformar o corredor direito do campo em zona de desequilíbrio permanente.

Um histórico que preocupa os médicos marroquinos

A lesão desta semana não é um episódio isolado. No ano passado, Hakimi ficou quase dois meses afastado por conta de uma entorse no tornozelo. Nas temporadas de 2022 e 2023, o marroquino enfrentou duas lesões na coxa — o mesmo grupo muscular agora comprometido. A recorrência no mesmo segmento do corpo é justamente o dado que mais preocupa especialistas em medicina esportiva: áreas que foram lesionadas anteriormente tendem a apresentar maior vulnerabilidade e tempo de recuperação mais imprevisível.

Nas palavras de especialistas em fisiologia do esporte consultados pelo SportNavo, lesões musculares recorrentes na coxa exigem entre três e seis semanas de tratamento conservador, dependendo do grau de comprometimento das fibras — o que, a depender do diagnóstico final, pode colocar em risco a presença do lateral na abertura do Mundial.

Quem substitui e o que o Brasil pode explorar

O técnico Walid Regragui, que conduziu Marrocos à histórica semifinal de 2022, teria como alternativa imediata Yahia Attiyat Allah, lateral que atua pelo Wydad Casablanca e já foi convocado regularmente para a seleção. O problema é que a diferença de nível entre os dois jogadores é substancial: Attiyat Allah não possui o mesmo repertório técnico nem a capacidade de progredir pela lateral com a eficiência de Hakimi contra defesas de alto nível.

Do lado brasileiro, a ausência do lateral marroquino abriria espaço considerável para o corredor esquerdo ofensivo — exatamente onde Vinicius Júnior atua com maior liberdade. O confronto entre as duas seleções está marcado para o dia 13 de junho de 2026, às 19h (horário de Brasília), e representa a estreia de ambas na Copa do Mundo. Para o Brasil, que chega ao torneio com a pressão de encerrar um jejum de 24 anos sem conquistar o título mundial, neutralizar a força de Marrocos na transição rápida — e explorar uma eventual fragilidade na faixa direita adversária — pode ser fator decisivo logo no primeiro jogo do grupo.